Pneumologia/Pulmão - Tosse crônica- entendendo...
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Pneumologia/Pulmão

Tosse crônica- entendendo...

29/02/2004
  1. O que posso ter quando estou com tosse crônica?

A  tosse é um mecanismo de defesa do sistema respiratório, sua função é limpar as vias respiratórias de secreções, substâncias inaladas indesejadas, etc.
Inicialmente é preciso saber se a tosse realmente é crônica.

Existem duas categorias de tosse:

  • Tosse aguda – quando dura menos que oito semanas.
  • Tosse crônica – quando dura oito semanas ou mais. A tosse é mais preocupante quando dura mais do que dois meses, porque nestes casos em geral há uma causa importante.

A tosse aguda na maioria das vezes se deve ao resfriado ou uma infecção de brônquios, em geral por vírus. Se depois de uma gripe ou um resfriado tosse dura mais de uma a duas semanas a causa mais comum passa a ser sinusite, que complicou o quadro. Neste caso você deve procurar um pneumologista.

A tosse crônica pode ter diversas causas e merece maior atenção.

É preciso lembrar que a tosse, seja aguda ou crônica, é uma manifestação que pode estar presente em uma série de doenças.

Alguns sintomas que podem acompanhar a tosse crônica devem fazer você ficar alerta e procurar o médico:

  • Escarro amarelado, esverdeado ou com sangue.
  • Chiado (ronqueira) no peito.
  • Febre maior ou igual a 37,8o C persistente.
  • Perda de peso.
  • Sudorese noturna (acordar com as roupas de dormir molhadas de suor). 
  • Cansaço para fazer atividades comuns ou ao deitar. 

Havendo qualquer um dos sintomas acima, há a chance de doenças mais sérias estarem presentes como: problemas do coração, bronquiectasias (brônquios dilatados permanentemente), câncer de pulmão , tuberculose e outras.

  1. Que exames são feitos para avaliar um caso de tosse crônica?

Em geral uma radiografia de tórax e da face são indicadas inicialmente para ver se há sinusite ou alguma doença pulmonar.

Se existe uma alteração nestes exames o diagnóstico vai depender dos achados encontrados.

  1. Quais são as causas mais comuns de tosse crônica quando a radiografia dos pulmões e da face são normais?

As principais causas são:

1. Tabagismo – a tosse crônica causada pelo tabagismo está relacionada ao número de cigarros fumados por dia. Se você é fumante, existem várias medidas que seu médico pode tomar para o ajudar a parar.

2. Gotejamento nasal posterior – este sintoma faz com que haja sensação de algo na garganta, fazendo com que você sinta necessidade de limpá-la com freqüência, e tenha pigarro. Habitualmente se acompanha de obstrução nasal (nariz entupido) e rinorréia (nariz escorrendo). A rinite e a sinusite (infecção dos seios da face) são as principais responsáveis.

3. Refluxo gastro-esofágico – ocorre quando o conteúdo do estômago, sobe para o esôfago; às vezes chega a cair na traquéia. A pessoa pode ter boca amarga ao acordar, azia freqüente ou queimação no peito, porém muitas vezes esta doença não dá qualquer sintoma.

4. Bronquite crônica – esta doença está relacionada na maioria das vezes ao tabagismo e se caracteriza principalmente pela presença de escarro por pelo menos três meses em dois anos consecutivos.Quem tem tosse crônica pelo cigarro pode desenvolver câncer de pulmão e então a tosse pode mudar, tornando-se mais freqüente, ou sangue aparecer no catarro.

5. Medicamentos – algumas medicações podem ser a causa da tosse como remédios para pressão alta, por exemplo, captopril, propranolol, etc. Portanto, ao procurar um médico, leve sempre anotado todas as medicações que utiliza.

6. Hiperreatividade brônquica – é uma resposta exagerada dos brônquios a vários estímulos (poeira, mudança do clima, etc). Ela está presente na ASMA, que é uma doença inflamatória, onde podem estar presentes tosse, chiado, falta de ar, cansaço, aperto no peito. Estes sintomas costumam acontecer em crises. Às vezes apenas a tosse é a manifestação desta doença. Algumas vezes após um resfriado, melhoramos de tudo e apenas a tosse continua; isto também pode se dever a hiperrreatividade brônquica ou a uma sinusite. 

Às vezes mais de uma causa pode ser responsabilizada pela tosse crônica.

  1. Como o médico faz o diagnóstico? 

Inicialmente o médico conversa de forma minuciosa com a pessoa acometida pela tosse, indagando sobre exposições, sintomas, uso de medicações, tabagismo etc. Frente a uma pessoa não tabagista, aparentemente saudável, não usuário de Inibidores da ECA (classe de medicamentos para hipertensão arterial que pode dar tosse), com radiografia de tórax e de seios da face normais, o médico poderá iniciar o tratamento para as causas mais freqüentes de tosse situação, dependendo de dados clínicos: gotejamento nasal posterior, hiperretividade brônquica e refluxo gastro-esofágico.

Se houver possibilidade para realizar exames complementares, os principais a serem solicitados para pesquisar estas causas mais comuns são: prova de função pulmonar, tomografia de seios da face, pHmetria de 24 horas. A necessidade de outros exames dependerá das outras hipóteses diagnósticas, podendo incluir: tomografia de tórax de alta resolução, broncoscopia, etc.

  1. Como se trata a tosse crônica? 

    Os especialistas raramente usam xaropes ou gotas para “cortar a tosse”, especialmente se for crônica. O tratamento é decidido conforme a causa da tosse.
    Cada uma das causas mais freqüentes tem um tratamento diferente, por exemplo:

Gotejamento nasal posterior – antialérgicos, descongestionante sistêmico, corticóide nasal inalatório e antibiótico, dependendo da causa responsável: rinite, sinusite, etc.

Hiperreatividade brônquica – broncodilatadores, corticóides inalados

Refluxo gastro-esofágico – orientações quanto a hábitos de vida e dietéticos, inibidores da bomba de prótons e pró-cinéticos. 

Em alguns casos, se o médico julgar oportuno, poderá utilizar algumas medicações para o combate da tosse (antitussígenos). Mas o tratamento definitivo é aquele que combate a causa. Por exemplo, nos casos em que o motivo da tosse é sinusite, o tratamento é o uso de antibióticos. 

Assim, frente a um quadro de tosse crônica, o tratamento será eficaz se a causa for determinada adequadamente.

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