AIDS / HIV - Linfomas Malignos e HIV
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AIDS / HIV

Linfomas Malignos e HIV

16/03/2004

Christian Hoffmann


Introdução

Os linfomas malignos são patologias neoplásicas do sistema linfático que progridem rápida e agressivamente, conduzindo à morte se não forem tratados. A doença de Hodgkin é distinta do grupo dos linfomas não-Hodgkin. Comparando com a população normal, os doentes infectados pelo HIV são mais susceptíveis de serem afectados por todos os tipos de linfomas (ver tabela 1). No entanto, os linfomas não-Hodgkin que têm origem nas células B são particularmente frequentes. A influência da HAART na incidência dos linfomas continua a ser um assunto de controvérsia. Em 2001, diferentes estudos indicaram uma redução, se de facto existir alguma, mas de longe menos acentuada que no sarcoma de Kaposi e na maioria das infecções oportunistas (Clarke et al. 2001, Little et al. 2001). Em algumas coortes sobre HIV, os linfomas já ultrapassaram o Sarcoma de Kaposi como sendo a doença maligna mais frequente. No estudo da EURO-SIDA, a proporção de linfomas malignos em relação a todas as doenças associadas à SIDA aumentaram de menos de 4% em 1994 até 16% em 1998 (Mocroft 2000). Num estudo efectuado recentemente (Kirk 2001), houve no entanto, um decréscimo moderado. Isto foi demonstrado ser verdadeiro para todos os subtipos que maioritariamente ocorrem numa imunodeficiência grave.

Tabela 1. Risco relativo dos diferentes linfomas em doentes HIV em comparação com a população em geral  (adaptado de Goedert 2000)

Total de LNH malignos

165

LNH de elevado grau de malignidade

348

LNH imunoblástico

652

LNH de Burkitt's

261

Não classificável

580

Linfoma primário do SNC (PCNSL)

> 1000

LNH de baixo grau de malignidade

14

Plasmocitoma

5

Doença de Hodgkin's

8

Os linfomas malignos são biologicamente muito heterogéneos e diferem em vários aspectos. Por exemplo, a associação ao EBV e outros vírus oncogénicos como o HHV-8 ou SV40 é muito variável. O estadio da imunodeficiência por vezes varia significativamente. O linfoma de Burkitt e a doença de Hodgkin ocorrem frequentemente mesmo em indivíduos imunocompetentes. Em contrapartida, e especialmente os linfomas primários e imunoblásticos do sistema nervoso central (PCNSL) estão muitas vezes associados a uma severa imunodeficiência. A quantidade e dimensão de mutações oncogénicas ou desregulação nas citocinas diferem entre si, assim como a origem histogenética das células malignas (Porcu et Caligiuri 2000).

No entanto, os linfomas associados ao HIV – tanto o linfoma não-Hodgkin como a doença de Hodgkin – têm em comum numerosos aspectos clínicos. Estas características incluem o rápido crescimento, diagnóstico em estadios avançados com frequentes manifestações extranodulares, baixa resposta ao tratamento, alta taxa de recaídas e acima de tudo um mau prognóstico (Levine 2000).

Mesmo na era da HAART, o tratamento de linfomas malignos permanece problemático. Ainda que a quimioterapia seja possível em muitos doentes com imunodeficiência, é complicado e só pode ser administrada em cooperação com clínicos especialistas em HIV e médicos com experiência em hematologia/oncologia.

De seguida, são apresentados os aspectos que caracterizam o linfoma não-Hodgkin, PCNSL e doença de Hodgkin. A doença multicêntrica de Castleman também irá ser mencionada como uma entidade distinta, ainda que não seja considerada um linfoma maligno. O baixo grau de malignidade de linfoma não-Hodgkin é muito raro em doentes HIV e não será aqui mencionado por essa razão. Na nossa opinião, como não existem dados ou recomendações disponíveis, o tratamento destes casos, na era da HAART, deve seguir as mesmas recomendações existentes para os doentes HIV negativos.

http://hivmedicine.aidsportugal.com


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