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AIDS / HIV

Doença de Hodgkin's (HD) + HIV

16/03/2004

Christian Hoffmann

A incidência de doença de Hodgkin é, nos doentes infectados pelo HIV, mais elevada em cerca de 5-10 vezes comparativamente à população HIV negativa. Para certos subtipos, tais como na depleção linfocitária e na doença de Hodgkin de celularidade mista, o risco é, provavelmente, muito maior (Frisch 2001). Apesar disto e da crescente constatação de que estes subtipos estão claramente associados com a imunodeficiência, a doença de Hodgkin-HIV não está incluida bnas doenças definidoras de SIDA.

Tipicamente o diagnóstico é feito num estadio avançado da doença, tal como um envolvimento extra-ganglionar e uma tendência para subtipos de pior prognóstico (Tirelli 1995, Rapezzi 2001). O envolvimento mediastínico é significativamente menos frequente que em doentes seronegativos. Uma outra diferença com a doença de Hodgkin em doentes seronegativos é a predominância de casos com células de Reed-Sternberg, tal como a clara associação com a infecção pelo VEB em 80-100 % dos casos de acordo com os estudos. A  infecção pelo VEB é portanto vista como um importante factor etiológico para o desenvolvimento de doença de Hodgkin-HIV.

Em comparação com a doença de Hodgkin nos seronegativos, que é uma neoplasia altamente tratável, o prognóstico na doença de Hodgkin-HIV é mau. Em quase todas as séries com mais de 20 doentes da era pré-HAART a média de sobrevida era somente entre 15-20 meses, respectivamente (Andrieu 1993, Errante 1999, Levine 2000, Tirelli 1995). A resposta à quimioterapia era também moderada quando comparada com a população em geral. As taxas de remissão completa eram entre 40-80 % com complicações hematológicas e infecciosas frequentes.

Mesmo se havendo indicações de que esta tendência tenha mudado na era HAART, tal como com o linfoma não Hodgkin, há poucos dados a este respeito. Num nosso estudo multicêntrico de 56 doentes a média de sobrevida foi de 40 meses. Em doentes com terapêutica HAART a taxa de sobrevida aos dois anos era de 84%, o que é encorajante (Hoffmann 2002).

Sinais e sintomas

Os sintomas extra-ganglionares e os estadios avançados são, em geral, a regra. Os linfomas apresentam gânglios duros, aderentes ou pouco móveis e dolorosos e, na maioria dos casos, a distinção da linfadenopatia do HIV ou duma linfadenite tuberculosa não é possível.

Diagnóstico

O estadiamento é necessário tal como para os linfomas não-Hodgkin (ver secção respectiva). A biópsia ganglionar é neste caso importante, dado que a punção biópsia só raramente conduz ao diagnóstico de doença de Hodgkin's. Uma simples biópsia ganglionar é melhor que o incómodo de punções repetidas e perdas de tempo desnecessárias! A biópsia cirúrgica é possível ser realizada num doente em ambulatório em muitos hospitais. Tal como no linfoma não-Hodgkin, a amostras conservadas em formol devem ser enviadas a laboratórios de referências. se possível.

Dado que a bleomicina pode ser prescrita, devem ser pedidas provas de função ventilatória antes da primeira quimioterapia.

Tratamento

Muitos médicos são a favor do clássico esquema ABVD (quatro ciclos duplos) para os doentes HIV. ABVD é a abreviatura de uma combinação para quimioterapia com os citostáticos adriamicina, bleomicina, vinblastina e DTIC (dacarbazina). O tratamento em ambulatório é possível. Deve ser porém ponderado se esta terapêutica é suficiente na era HAART, particularmente para os estadios avançados da doença.

 

Tabela 4: esquema ABVD (4 ciclos duplos, repetidos ao 29º dia)*
Adriamicina (= doxorubicina) Doxo-Cell® , Adriblastin® 25 mg/m2 i.v. Dia  1 + 15
Bleomicina Bleomycin Hexal® , Bleo-Cell® 10 mg/m2 i.v. Dia  1 + 15
Vinblastina Velbe® , Vinblastin Hexal® 6 mg/m2 i.v. Dia    1 + 15
Dacarbazina (DTIC) Detimedac® 375 mg/m2 i.v. Dia 1 + 15

* Esquema ABVD. Devido ao forte efeito emético da dacarbazina, devem ser administrados sempre antieméticos bloqueadores dos receptores 5HT3, por exemplo o granisetron, o tropisetron ou o ondansetron.

Nos doentes HIv negativos com estadios avançados (como é o caso na maioria das vezes da DH-HIV) e regime BEACOPP do German Hodgkin Study Group tem sido usado durante os últimos anos, muitas vezes com doses crescentes. Provou-se ser significativamente mais eficaz quer em relação às taxas de respostas quer em relação à sobrevida a longo prazo. Contudo, o regime BEACOPP é mais tóxico. Se estes resultados positivos também se observam nos doentes DH-HIV ainda não é claro. Devido à relativa raridade da DH-HIV não haverá provavelmente estudos em número suficiente que permitam um valor estatístico que detecte possíveis diferenças nos doentes HIV. Contudo, baseados nos resultados iniciais e na nossa experiência, o BEACOPP parece ser possível. Há também uma experiência acrescida com o protocolo Stanford V que mostrou resultados promissores recentemente (Spina 2002).

Bibliografia

References

  1. Andrieu JM, Roithmann S, Tourani JM, et al. Hodgkin's disease during HIV-1 infection: the French registry experience. French Registry of HIV-associated Tumors. Ann Oncol 1993, 4:635-41. http://amedeo.com/lit.php?id=8240994
  2. Errante D, Gabarre J, Ridolfo AL, et al. Hodgkin's disease in 35 patients with HIV infection: an experience with epirubicin, bleomycin, vinblastine and prednisone chemotherapy in combination with antiretroviral therapy and primary use of G-CSF. Ann Oncol 1999, 10:189-95. http://amedeo.com/lit.php?id=10093688
  3. Frisch M, Biggar R, et al. Association of Cancer with AIDS-related immunosuppression in Adults. JAMA 2001, 1736-1745. http://amedeo.com/lit.php?id=11277828
  4. Hoffmann C, Chow KU, Wolf E, et al. HIV-associated Hodgkin's Disease in the era of HAART - is there an improvement in survival? Abstract 504, DGHO München 2002.
  5. Levine AM, Li P, Cheung T, et al. Chemotherapy consisting of doxorubicin, bleomycin, vinblastine, and dacarbazine with granulocyte-colony-stimulating factor in HIV-infected patients with newly diagnosed Hodgkin's disease: a prospective, multi-institutional AIDS clinical trials group study (ACTG 149). J Acquir Immune Defic Syndr 2000, 24:444-50. http://amedeo.com/lit.php?id=11035615
  6. Powles T, Bower M. HIV-associated Hodgkin's disease. Int J STD AIDS 2000, 11:492-4. http://amedeo.com/lit.php?id=10990330
  7. Rapezzi D, Ugolini D, Ferraris AM, Racchi O, Gaetani GF. Histological subtypes of Hodgkin's disease in the setting of HIV infection. Ann Hematol 2001, 80:340-4. http://amedeo.com/lit.php?id=11475147
  8. Re A, Casari S, Cattaneo C, et al. Hodgkin disease developing in patients infected by HIV results in clinical features and a prognosis similar to those in patients with HIV-related non-Hodgkin lymphoma. Cancer 2001, 92:2739-45. http://amedeo.com/lit.php?id=11753946
  9. Spina M, Vaccher E, Nasti G, Tirelli U. HIV-associated Hodgkin's disease. Semin Oncol 2000, 27:480-8. http://amedeo.com/lit.php?id=10950375
  10. Spina M, Gabarre J, Rossi G, et al. Stanford V regimen and concomitant HAART in 59 patients with Hodgkin disease and HIV infection. Blood 2002, 100:1984-8. http://amedeo.com/lit.php?id=12200356
  11. Tirelli U, Errante D, Dolcetti R, et al. Hodgkin's disease and HIV infection: clinicopathologic and virologic features of 114 patients from the Italian Cooperative Group on AIDS and Tumors. J Clin Oncol 1995, 13:1758-67. http://amedeo.com/lit.php?id=7541452

http://hivmedicine.aidsportugal.com


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