Imunologia/Imunidade - Uso de ciclofosfamida depois de transplantes
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Imunologia/Imunidade

Uso de ciclofosfamida depois de transplantes

26/03/2004

 

 

O número de doadores de órgãos, no estado de São Paulo, dobrou no primeiro bimestre de 2004, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Secretaria de Saúde. Em janeiro e fevereiro de 2004 houve 83 doadores (beneficiando 268 pessoas), contra 42, nos primeiros dois meses do ano passado. Apenas em fevereiro, deste ano, foram realizadas 35 doações, 85% a mais que no mesmo mês de 2003, quando houve 19.
Todos os tipos de transplantes tiveram crescimento expressivo no primeiro bimestre deste ano, em comparação a 2003, com destaque para pâncreas e pulmão, que tiveram aumento de 300%. Já rim e fígado cresceram 100%, enquanto as doações de coração obtiveram acréscimo de 35%. No bimestre, foram feitos 148 transplantes de rim, 23 de coração (contra 17 no primeiro bimestre do ano passado), 71 de fígado, 8 de pâncreas e 4 de pulmão. Em janeiro, a secretaria já havia registrado o recorde histórico de doações, com 48 pessoas.
Depois de qualquer tipo de transplante, o paciente fica tomando um medicamento chamado de imunossupressor, que impede a rejeição do transplante. A medicação mais usada é a ciclofosfamida, a qual, por sua vez, traz alguns efeitos colaterais. Essa medicação também é usada nas doenças reumáticas e como medicamento anti-câncer.
Pesquisadores da Johns Hopkins reportaram que conseguiram sucesso no tratamento de pacientes, com forma moderada a grave de lúpus, uma doença autoimune crônica e às vezes fatal, com o uso de altas doses do medicamento anti-câncer ciclofosfamida.
Michelle Petri e colaboradores, do Centro de Lúpus, do Johns Hopkins e o Kimmel Cancer Center, verificaram, que 14 pacientes, com lúpus refratário aos tratamentos com cortisona, estavam com falência dos órgãos. Todos receberam altas doses de ciclofosfamida intravenosa, durante 4 dias. Essa dose alta, deixou esses pacientes nas mesmas condições que se exige de um transplante de medula, que efetivamente foi feito. Os pacientes continuaram a tomar a ciclofosfamida. Depois de um acompanhamento médio de mais de dois anos e meio, 5 pacientes responderam totalmente ao tratamento, e ficaram curados do lúpus grave que tinham, ficando completamente livres da doença após o término do tratamento. Seis pacientes responderam parcialmente e passaram a tomar doses menores dos medicamentos ciclofosfamida e outros, que antes eram ineficazes. Dois pacientes não responderam à terapia e um paciente teve uma baixa resposta e também desenvolveu doença renal. O lúpus eritematoso sistêmico danifica permanentemente um ou mais
órgãos em cerca de metade dos pacientes, apesar das terapias disponíveis atualmente.
As células tronco, ou seja, as células da medula óssea que dão origem a todas as células imunes, são resistentes a altas doses de ciclofosfamida. As células imunes que funcionam mal, que dão origem ao lúpus são destruídas pela ciclofosfamida, enquanto que as células tronco novas resistem à terapia e continuam a criar um novo sistema imune livre da doença. Esse é um paradoxo no comportamento dessas células frente a ciclofosfamida.
A terapia padrão para o lúpus moderado ou grave é uma dose baixa mensal de ciclofosfamida, mas, após 6 meses, apenas 25% dos pacientes respondem ao tratamento. A dosagem mensal pode dar efeitos colaterais significativos como falência do ovário, osteoporose grave, hipertensão e infecções devido a ciclofosfamida e altas doses de esteróides para controlar a inflamação.

 

Arthritis Rheum. 2003 Jan;48(1):166-73.


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