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Álcool

Beber socialmente pode provocar dano cerebral

16/04/2004
   
Estudo publicado hoje por pesquisadores norte-americanos mostra que pessoas que bebem muito, ainda que socialmente, mostram um padrão de dano cerebral parecido com aquele visto em alcoólatras hospitalizados - o suficiente para debilitar o funcionamento diário.

A pesquisa publicada no periódico Alcoholism: Clinical & Experimental Research por Dieter Meyerhoff, da Universidade da Califórnia em São Francisco, analisou 46 bebedores crônicos e 52 bebedores leves, que foram recrutados através de classificados em jornais e flyers promocionais. Segundo escreveram em seu relatório, os pesquisadores usaram como "critério para admissão de bebedores pesados o consumo médio de mais de 100 drinques alcoólicos por mês para homens, por mais de 3 anos previamente ao estudo (80 drinques para mulheres)". É considerado um drinque uma dose de destilado, um copo de vinho ou uma latinha de cerveja.

Foram usadas imagens de ressonância magnética para olhar as estruturas cerebrais físicas e medir vários químicos cerebrais associados com as funções sadias do cérebro. Testes padrões de inteligência verbal, velocidade de processamento, equilíbrio, memória funcional, função espacial, função executiva e aprendizado e memória foram dados para os voluntários.

"Nossas amostras de bebedores pesados foi de significativa debilidade nas medidas de memória funcional, velocidade de processamento, atenção, função executiva e equilíbrio", escreveram os pesquisadores.

O estudo é incomum no sentido que a maioria dos estudos de danos cerebrais provenientes do álcool são feitos em pessoas que já passaram por tratamento.

"Creio que este é o primeiro estudo do seu tipo que olhou para o funcionamento cerebral de indivíduos que bebem muito socialmente e que não passaram por tratamento para seu alcoolismo", adicionou o dr. Peter Martin da Universidade Vanderbilt no Tennessee, um professor de psiquiatria que se especializa em viciados e que escreveu um comentário sobre o relatório.

Segundo o relatório, as medidas dos químicos cerebrais e estruturas físicas mostraram alguns dos mesmos danos vistos em alcoólatras que estavam no hospital ou centros de tratamento, embora com um padrão levemente diferente no cérebro. Isso poderia ser resultado exatamente de tratar com bebedores que nunca passaram por tratamento.

"O problema de se estudar pessoas que estão lá fora bebendo é que você nunca tem certeza se esses são efeitos duradouros ou efeitos agudos", disse Martin numa entrevista por telefone.

O professor notou que os voluntários no estudo tinham ficado sem um drinque por 12 horas e podiam, portanto, estar mostrando evidências de abstinência alcoólica ao invés de efetivos danos cerebrais. "Iriam essas pessoas, se ficassem sóbrias por um período de três ou quatro semanas, iriam elas ter essas anormalidades", indagou.

Mas para ele, as chances são maiores de que sejam, sim, efeitos duradouros. "Minha experiência pessoal é que existe bastante evidência mostrando que quanto mais a pessoa bebe e quanto mais tempo ela o faz, mais provavelmente ela terá deficiências cognitivas".

"Nossa mensagem é: beba com moderação. Beber demais causa danos ao seu cérebro ainda que muito pouco, reduzindo sua função cognitiva em maneiras que podem não ser notadas num primeiro momento. Para estar seguro, não exagere", disse Meyerhoff.

Segundo aponta em seu estudo, o uso moderado de álcool para a maioria dos adultos se traduz em até dois drinques por dia para homens mais jovens, ou um drinque para mulheres e pessoas mais velhas.
 

Reuters


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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