- Sistema nervoso Central e Alcoolismo
Esta página já teve 133.107.125 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.663 acessos diários
home | entre em contato
 

Álcool

Sistema nervoso Central e Alcoolismo

11/05/2004
Em adição aos efeitos comportamentais agudos, uma noite
 de abundante beberagem pode resultar em um blackout alcoólico, i.e. um episódio de
 amnésia total ou parcial dos fatosocorridos durante a ingestão do produto.
 Este problema é experimentado por 30 a 40% dos homens no final da adolescência
 e no início da casa dos 20 anos, muitos dos quais não chegam a desenvolver problemas
 mais graves e genéricos relacionados ao álcool. Mesmo após apenas alguns drinques,
 o álcool reduz rapidamente a latência do sono (ajudando as pessoas a adormecer
) e deprime a fase de movimentos oculares rápidos do sono (sono REM) no inicio
 da noite, o que, por vezes, se acompanha de um posterior "robote REM", associado a
 pesadelos. A conseqüência disso é a "Fragmentação do sono", dando origem a uma
 alternância mais rápida que a normal entre os estágios do sono e a uma deficiência
 de sono profundo. O efeito global é provavelmente de repetidos episódios de despertar
 e uma sensação de sono tranqüilo. 
 
A ingestão crônica de doses elevadas de etanol pode causar neuropatia periférica
 em 5 a 15% dos alcoólicos. Esta síndrome provavelmente resulta tanto da deficiência de
 tiamina quanto dos efeitos diretos de etanol e/ou acetaldeido. Os pacientes queixam-se de
 dormência, formigamento e parestesias bilaterais nos membros, mais pronunciadas no
 segmento distal do que na porção proximal dos membros. Embora esses sintomas possam ser
 incapacitantes, mais freqüentemente a dor e a dormência são discretas a moderadas
 em gravidade. Em geral, o nível de perda da memória recente (de fixação) é desproporcional
 ao nível global de comprometimento cognitivo. 
 
Aproximadamente 1% dos alcoólicos com uma longa história de desnutrição associada
 ao consumo elevado de etanol acaba por desenvolver degeneração cerebelar, uma síndrome
 em que ocorre uma progressiva instabilidade da marcha e da postura, muitas vezes
 acompanhada por nistagmo leve (movimenos rítmicos dos olhos). Muito embora o etanol e o
 acetaldeido possam contribuir para a gênese do problema, a principal causa é provavelmente
 nutricional, e sintomas idênticos podem ser vistos em algumas formas de desnutrição grave
 isolada. O tratamento consiste em abstinência alcoólica e na suplementação
 polivitamínica, embora a melhora clínica seja freqüentemente mínima.
 
Os alcoólatras podem mostrar problemas cognitivos graves e comprometimento da memória
 para fatos recentes (memórias de fixação) e para episódios remotos durante semanas
 ou meses após uma bebedeira alcoólica. O funcionamento cortical (p.ex, desempenho
 psicomotor e memória de fixação) tende a melhorar com a abstinência, porém os
 problemas relativos à memória para fatos remotos podem persistir, talvez refletindo
 a existência de uma lesão subcortical. O aumento nas dimensões dos ventriculos
 cerebrais e dos sulcos cerebrais é observado em até 50% dos alcoolistas crônicos.
 Este tipo de alteração é parcialmente reversível, tendendo a retornar ao normal após
 um ano ou mais de abstinência . Um comprometimento permanente do SNC
 (demência alcoólica) pode sobrepor-se. Estudos revelam que até 20% dos pacientes
 cronicamente demenciados podem ter apresentado um quadro anterior de alcoolismo.
 Não existe uma síndrome de demência alcoólica isolada e bem definida; ao invés disso,
 este rótulo é utilizado para descrever os pacientes que evidenciam distúrbios
 cognitivos aparentemente irreversíveis (possivelmente a partir de causas diversas),
 no curso do alcoolismo crônico.
 
Finalmente, lançando mão de uma expressão antiga, o álcool poderia ser denominado
 de "o grande mímico" porque quase todas as síndromes psiquiátricas podem ser
 encontradas durante a fase de etilismo abundante ou durante a sua abstinência
 subseqüente. Tais síndromes incluem:
 
A depressão intensa, com duração entre dias e semanas, (no curso da ingestão
 abundante, um problema que pode ser encarado como um efeito "normal" do álcool); 
 
Ansiedade grave durante a abstinência alcoólica, freqüentemente persistindo durante
 vários meses após a interrupção do hábito da bebida; 
 
Psicoses durante a forma grave da síndrome de abstinência alcoólica; 
 
Alucinações auditivas e/ou ideações paranóides, na ausência de qualquer sinal óbvio
 de abstinência (um estado denominado de alucinose alcoólica ou paranóia alcoólica).
 
 
 A ingestão alcoólica é uma parte importante no diagnóstico diferencial de qualquer
 paciente com um desses sintomas psicológicos já descritos aqui. Uma outra síndrome
 psiquiátrica relacionada com o álcool é a intoxicação patalógica ou intoxicação
 idiossincrásica pelo álcool, que consiste em um estado de agitação grave associada
 a confusão e a violência, com duração de minutos a horas, e que é observada após a
 ingestão de uma dose de etanol muito pequena (p. ex., um ou dois drinques) e para o
 qual o indivíduo revela amnésia total e completa do ocorrido. Este fenômeno
 extremamente raro, observado quase exclusivamente em pessoas com lesão cerebral
 preexistente e grave, é por vezes invocado de forma errônea com o propósito de
 garantir defesa legal.

www.fbcrerj.org.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos