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Álcool

Alcoolismo e ciclo menstrual

17/05/2004

 

As relações entre o alcoolismo e o ciclo menstrual podem ser observadas basicamente sob dois aspectos:

• As interações entre as diversas fases do ciclo e uma possível modificação nos padrões de consumo de álcool.

• As repercussões clínicas do uso/abuso ou dependência do álcool sobre o ciclo menstrual.

Impacto das fases do ciclo menstrual sobre o consumo de álcool

Diversos trabalhos têm abordado uma eventual exacerbação do consumo alcoólico em determinadas fases do ciclo menstrual, particularmente na fase lútea tardia, ou pré-menstrual, atribuindo ao álcool uma ação ansiolítica durante esta fase, o que tornaria seu consumo uma "automedicação" durante as fases disfóricas pré-menstruais (Tate e Charette, 1991; McLeod et al., 1994).

A hipótese do "alcoolismo pré-menstrual", entretanto, tem sido contestada por outros estudos (Lex et al.,1989; Tate e Charette, 1991), em que um aumento considerável do consumo de tabaco, e não o de álcool, surgiu como fator ligado ao período pré-menstrual.

Alcoolismo e ciclo menstrual: repercussões sobre seu funcionamento

Se, por um lado, a influência das fases do ciclo menstrual sobre os padrões de consumo alcoólico ainda é um tema controverso, a influência do consumo de álcool sobre o funcionamento hormonal feminino já encontra referências consistentes (Mello et al., 1989; Pettersson et al., 1990; Eriksson et al., 1996).

Estudos animais (Mello et al., 1992) revelaram que o consumo de álcool levaria a uma resposta pituitária deficiente, com uma menor liberação de hormônio luteinizante (LH) após o estímulo de E2 (b-estradiol). Esse fato poderia estar associado a uma maior freqüência de ciclos anovulatórios em alcoolistas crônicas.

De fato, o consumo abusivo ou a dependência alcoólica parecem estar associados a diversas alterações do ciclo reprodutivo, desde a ocorrência de amenorréia, disfunções ovarianas com ciclos anovulatórios, menopausa prematura, além de relatos de maior risco para infertilidade, abortamento espontâneo, intervenções cirúrgicas ginecológicas, além de trazer prejuízos para o desenvolvimento fetal (Roman, 1988; Mello et al.,1989; Becker et al., 1989; Teoh et al., 1992; Carrara et al., 1993).

Um estudo mais recente de Valimaki et al. (1995), utilizando controles hormonais e ultra-sonográficos, não revelou alterações significativas na função ovariana de mulheres alcoolistas. Confirmou-se, entretanto, níveis significativamente maiores de testosterona (65%) durante a fase lútea dessas mulheres, quando comparadas com controles, refletindo um desequilíbrio hormonal.

Algumas particularidades dos efeitos desagradáveis do álcool em mulheres estariam associadas a uma maior elevação nestas dos níveis séricos de acetaldeído, metabólito primário do etanol, durante as fases de maior liberação estrogênica (Eriksson et al., 1996). Assim, elevados níveis de estrógenos poderiam estar associados a um maior desconforto com o consumo alcoólico.

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