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Álcool

Consumo crônico de álcool: impacto sobre os aspectos endócrinos

17/05/2004

Sabe-se que o consumo abusivo de álcool estaria associado, freqüentemente, à ocorrência de hiperprolactinemia (níveis séricos duas a quatro vezes maiores que os normais) (Valimaki et al., 1990; Teoh et al., 1992). As concentrações séricas de estrona (E1) e estradiol (E2), durante a fase folicular dos ciclo de mulheres alcoolistas duas a, estariam reduzidas, enquanto haveria um aumento de duas a três vezes dos níveis de androstenediona.

Um estudo antropométrico, hormonal e hepático de 18 mulheres com história de abuso crônico de álcool revelou prejuízo do funcionamento hepático, por meio do aumento discreto das transaminases, sem que houvesse outros sinais clínicos ou laboratoriais de prejuízo hepático (Pettersson et al.,1990).

As mesmas pacientes apresentavam, porém, aumento da "razão cintura-quadril" (em língua inglesa, waist to hip ratio). Essa medida simples tem demonstrado ser um fator preditivo positivo de doenças cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e diabetes mellitus em estudos populacionais (Larsson et al.,1984; Ohlsson et al.,1985). Independentemente da presença de obesidade, a razão cintura-quadril reflete a distribuição de gordura abdominal e está relacionada à presença de massa gordurosa intra-abdominal. Diversas anormalidades endócrinas _ níveis séricos reduzidos de estrógenos, progesterona e de globulinas ligantes dos hormônios sexuais, além de níveis aumentados de testosterona livre _ estariam, então, associadas às observações clínicas apresentadas, justificando a distribuição de gordura abdominal nessas pacientes, indicativa de hiperandrogenismo.

As mesmas pacientes apresentavam, ainda, ciclos irregulares ou amenorréia, enfatizando as repercussões do alcoolismo sobre a regulação do ciclo menstrual.

Outra conseqüência clínica do consumo crônico de álcool é a hipersecreção de corticosteróides adrenais, resultando, em casos graves, no surgimento de quadros de "pseudo-Cushing", com prevalência de 6% a 40% entre os alcoolistas em geral (Smals et al., 1976; Groote-Veldman e Meinders, 1996). Os tecidos adiposos intra-abdominais seriam particularmente sensíveis a esta hipersecreção, dado o grande número de receptores glicocorticóides (Rebufflé-Scrive et al., 1985).

De um modo geral, a influência do consumo de álcool por homens ou mulheres sobre o eixo hipotálamo _ hipófise _ adrenal poderia ser dividida em: 1) Ação direta sobre as adrenais, pelo efeito estimulante do etanol ou de seu metabólito, acetaldeído. 2) Ação sobre a pituitária , levando a um aumento dos níveis plasmáticos de ACTH. 3) Alterações no metabolismo do cortisol e/ou na produção das proteínas ligantes de cortisol, acarretando maiores níveis séricos de cortisol livre, particularmente em alcoolistas com função hepática bastante comprometida. 4) Diminuição das proteínas ligantes de cortisol. 5) Influências genéticas em sua expressão, associadas à presença de histórico familiar para alcoolismo (Groote-Veldman e Meinders, 1996).

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