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AIDS / HIV

Como se deve conduzir a depressão nos pacientes infectados pelo HIV?

12/06/2004

O estudo da depressão relacionada à AIDS apresenta dificuldades devido ao amplo espectro dos distúrbios do humor, variando desde a tristeza até a depressão maior. O diagnóstico de depressão é também dificultado devido ao fato de que alguns dos indicadores de depressão (anorexia, fadiga, fraqueza e perda de peso) são de pouca valia como critério diagnóstico em algumas fases da doença, já que os sintomas físicos debilitantes da doença podem mimetizar os sintomas depressivos.

Vários estudos têm sugerido que nos pacientes com AIDS, tanto usuários de droga quanto homossexuais, a solidão e o isolamento aumentam a morbidade psiquiátrica, particularmente a depressão.

A depressão é o diagnóstico mais freqüente na consultaria psiquiátrica de pacientes infectados ou que apresentam AIDS e a reação de ajustamento é a mais prevalente entre as síndromes depressivas. Os sintomas mais comuns são: fadiga, dificuldade de concentração, prejuízos de memória, apatia, ansiedade, hipocondria e diminuição da libido. A intensidade dos sintomas é muito variável e depende da personalidade pré-mórbida e da capacidade do indivíduo de lidar com o estresse.

A prevalência de depressão maior na população HIV positiva é em torno de duas vezes maior do que na população geral e está dentro da variação encontrada em outras doenças crônicas (5 a 8%). Surpreendentemente, esta prevalência não é diferente da prevalência encontrada em homossexuais HIV negativos. Em pacientes hospitalizados, esta prevalência é maior, variando entre 30 a 40%. Quando analisados prospectivamente, 10 a 25% dos homossexuais masculinos infectados vão apresentar uma síndrome depressiva no período de dois anos.

O tratamento da depressão apresenta algumas particularidades em pacientes HIV positivos. Nos assintomáticos, o uso de antidepressivos tricíclicos (ex.: imipramina, clomipramina, amitriptilina, nortriptilina) é mais tolerado do que em fases mais avançadas da doença. Os indivíduos infectados tendem a ser mais sensíveis aos efeitos colaterais dos tricíclicos do que a população em geral. Recomenda-se, assim, cautela em sua administração e o uso de drogas que tenham menos efeitos anticolinérgicos, tal como a nortriptilina. Os tricíclicos podem precipitar ou agravar alterações cognitivas e até quadros de delirium. O ressecamento de mucosa provocado por estas medicações pode facilitar o desenvolvimento de candidíase. Por outro lado, os tricíclicos podem melhorar a diarréia e a insônia. Recomenda-se iniciar o tratamento com 25mg e aumentar gradativamente a dose plena dependendo da tolerância do paciente. Se bem tolerados, pode-se atingir dose de 300mg ( 150mg para a nortriptilina) por dia.

Os inibidores da recaptura de serotonina (ex.: fluoxetina, sertralina, paroxetina) são mais tolerados pelos pacientes, embora ainda existam dúvidas em relação à sua eficácia em depressões graves. Têm como mais freqüentes efeitos colaterais a perda de apetite e peso, insônia e diarréia. A fluoxetina é usada na dose de 2Omg a 8Omg por dia. A sertralina pode ser usada em doses de 50 a 2OOmg por dia e a paroxetina de 20 a 5Omg por dia.

Os inibidores da MAO são evitados por apresentarem riscos de interação medicamentosa graves. Lítio deve ser prescrito com cautela em pacientes com infecção por criptosporídeo ou com diarréia grave ou perda importante de fluidos orgânicos.

O tratamento adequado de uma depressão pode inclusive alterar o prognóstico do paciente. Um paciente deprimido tende a não aderir ao tratamento, a não tomar as medicações prescritas e a não acatar as orientações médicas, além do risco aumentado de suicídio.

www.aids.gov.br


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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