Dor/Dores - Dor abdominal- dor de barriga
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Dor/Dores

Dor abdominal- dor de barriga

18/06/2004

 ou dor de barriga ou dor no ventre -

     O abdômen ou abdome é à parte do corpo humano que fica entre o tórax e a bacia. Também se emprega a palavra ventre para designar esta parte do corpo. Dizemos prisão de ventre para designar a obstipação. Também empregamos a palavra ventre referindo-nos ao útero: “bendito é o fruto do vosso ventre”. Barriga é um termo mais popular. Para algumas pessoas, barriga é apenas a porção do abdômen abaixo do umbigo. Também se emprega barriga com o sentido de proeminência de abdômen: "ter barriga", e ainda com significado de gravidez: “andar de barriga".
     A palavra abdômen deriva do latim abdere que significa escondido, encerrado. Felizmente, a endoscopia, a ecografia e a TAC vieram, nos últimos anos, "abrir" esta cavidade escondida, inacessível do nosso corpo. Ainda há poucos anos o cirurgião abria, com freqüência,  a parede abdominal com o bisturi (laparotomia exploradora), para tentar fazer o diagnóstico de muitas situações: o diagnóstico só era possível abrindo e vendo. Hoje, felizmente, esse meio de diagnóstico raramente se utiliza. Os órgãos que estão dentro do abdômen deixaram de estar tão escondidos. As novas técnicas de imagem (endoscopia, ecografia, TAC, etc.) permitem-nos agora, observar direta ou indiretamente, os órgãos intra-abdominais, sem haver necessidade de abrir a parede abdominal.  

     Dentro do abdômen, dentro da cavidade abdominal, encontra-se grande parte do Aparelho Digestivo (estômago, intestino delgado, intestino grosso ou cólon, fígado, vesícula e vias biliares e o pâncreas), o Aparelho Urinário (rins, ureteres, bexiga e próstata) e no sexo feminino os ovários, as trompas, e o útero. Há no abdômen, outras estruturas, como o baço, vasos linfáticos, nervos, vasos sanguíneos além do peritoneu que é uma membrana que envolve os órgãos que acabamos de enumerar. A dor abdominal pode ter origem em qualquer destas estruturas anatômicas mas, também noutras que ficam fora da cavidade abdominal. Com freqüência referimos ao médico o órgão que nos parece ser a causa da dor devido à sua localização e dizemos: tenho dor de estômago, dói-me o fígado, a minha dor é nos intestinos etc. esta referência nem sempre corresponde à realidade.
    

    

A natureza subjetiva da dor, e a influência dos fatores emocionais e físicos podem dificultar e, dificulta muitas vezes, o diagnóstico. No entanto, o tipo de dor, a intensidade, a localização, a irradiação, a duração temporal e os sintomas acompanhantes permitem, ao médico, suspeitar com alguma certeza, qual o órgão que causa a dor e até qual a doença que está na origem da dor. Com a descrição da dor, com a observação, a palpação do abdômen e, servindo-se de algumas técnicas de diagnóstico (imagiológicas, endoscópicas, análises ao sangue etc.), o médico procura confirmar a sua suspeita, procura chegar a uma certeza mas, por vezes persiste a dúvida e não se encontra uma causa evidente. É freqüente a “dor de causa desconhecida”. A descrição que nós fazemos ao nosso médico, das características da nossa dor, pode ser mais importante do que qualquer exame e, com freqüência os exames são todos normais, ou a "alteração" que aparece nos exames não justifica a existência da dor. Como veremos a seguir, nas causas mais freqüentes de dor abdominal crônica todos os exames são normais.

DOR ABDOMINAL AGUDA: 

     A dor abdominal aguda tem aparecimento repentino e exige atuação médica ou cirúrgica rápida. Pode ser causada por inflamação, por perfuração, obstrução ou enfarto de um dos órgãos da cavidade abdominal. A inflamação do apêndice, ( Apendicite ), a  inflamação da vesícula com cálculos ( Coleciste ), a inflamação do pâncreas ( Pancreatite ), a perfuração duma Úlcera do Duodeno ou do Estômago, uma pedra que obstrui as vias urinárias ( cólica renal ),  uma pedra que obstrui a via biliar ( cólica biliar ) a gravidez fora do útero ( Gravidez Ectópica ), a inflamação dos divertículos do cólon ( Diverticulite Aguda ), a Isquemia Aguda do Intestino, a Rotura dum Aneurisma, a Obstrução do Intestino Delgado... são as causas mais freqüentes de dor abdominal aguda e, exigem uma intervenção médica ou cirúrgica rápida. A vida está em perigo.
     A história que o indivíduo ou os familiares contam, a observação e a palpação do abdômen feita pelas mãos do médico, as análises ao sangue, as técnicas de imagem (Rx, Eco, TAC) ajudam o médico, a estabelecer um diagnóstico correto e a iniciar uma terapêutica médica ou cirúrgica no tempo oportuno. A dor abdominal aguda leva o doente ao Serviço de Urgência e exige decisões imediatas. O tratamento médico ou na maior parte dos casos cirúrgicos é inevitável.

DOR ABDOMINAL CRÓNICA:

     Quando a dor abdominal se arrasta durante meses, duma maneira contínua ou intermitente não impõe um tratamento imediato e a investigação, para esclarecer a causa da dor, não tem o caráter urgente da dor abdominal aguda. As causas mais freqüentes da dor abdominal crônica são funcionais: Dispepsia Funcional e/ou Síndrome do Intestino Irritável. Calcula-se entre 15% a 25% da população do mundo ocidental sofre de Síndrome do Intestino Irritável e que, cerca de 50% dos doentes que consultam o gastrenterologista, têm Síndrome do Intestino Irritável ou Dispepsia Funcional. Na Síndrome da Dor Abdominal Crônica Benigna (Síndrome da Dor  Abdominal Funcional) sobretudo freqüente na mulher, a dor persiste durante meses ou anos intermitente ou continua mas, sem relação ou só com esporádica relação com as refeições, com a defecação ou com a menstruação. Os exames complementares (Rx, Eco, TAC, endoscopia) nestas como em outras Doenças Funcionais são todos normais. Durante as crises de dor, que se repetem, é freqüente a ida à Urgência - "até me puseram a soro" - mas algumas horas depois a dor aliviou e, o médico da urgência, diz-nos que podemos ir para casa. Devemos procurar ajuda no nosso médico. Ele não nos irá curar porque não conhecemos a cura das doenças funcionais mas, irá explicar-nos a nossa doença e como devemos lidar com ela.
     A Esofagite, a Úlcera do Estômago ou Duodeno, as Doenças Inflamatórias do Intestino ( Colite ulcerosa, Doença de Crohn ) ,os cálculos da vesícula, a Pancreatite Crônica, a Isquemia Crônica, a Diabetes, a Porfíria, as doenças musculares ou ósseas são outras possíveis causas de dor crônica localizada no abdômen. 
     A história contada pelo individuo sobre o aparecimento da dor, sobre a sua evolução, os outros sintomas que a acompanham e, ainda o exame laboratorial do sangue, os exames de imagem (Rx, Eco, TAC etc.) e exames endoscópicos  permitem, quase sempre, ao médico, em curto prazo, fazer um diagnóstico correto.
      Se o individuo tem mais de 50 anos e existem sinais de alarme: emagrecimento, anemia, vômitos, alterações do transito; o médico redobra os cuidados na investigação para ter a certeza de que não se trata de nenhum cancro que exija tratamento mais rápido.
     
O tratamento
da dor abdominal crônica é, o tratamento da causa que lhe deu origem.

      Nas Doenças Funcionais que são as causas mais freqüentes de dor abdominal crônica ( Dispepsia Funcional, Síndrome do Intestino Irritável, Síndrome da Dor Abdominal Crônica Benigna ) por vezes, muitas vezes, o alívio da dor não é fácil de conseguir e, as pessoas que dela sofrem, andam de médico em médico, de medicina alternativa em medicina alternativa à procura dum alívio para a sua dor que, por vezes, é só temporário. O médico tenta, no entanto, com alguns medicamentos obter o alívio da dor e, algumas vezes, consegue esse alívio. O medo de ter uma doença grave, a repetição inútil de exames, o dinheiro gasto desnecessariamente, a multiplicação de diagnósticos (já fui a 4 médicos e cada um diz sua coisa!), alguns desses diagnósticos são pouco lógicos e sem nenhum fundamento científico: colite seca e colite úmida, colite nervosa, vesícula preguiçosa, toque no fígado, gastrite nervosa, úlcera nervosa, estômago descaído etc. etc.; e, constituem, com freqüência, o calvário, das pessoas com uma Doença Funcional - benigna, mas incomodativa e crônica. O nosso médico será o nosso melhor conselheiro, explicando-nos o caráter crônico, recorrente mas benigno da nossa doença que, muitas vezes melhora ou desaparece com o tempo, e nunca se transforma em nada de grave.

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