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Notícias da Dra. Shirley

Franceses trocam universidade humanista por ensino técnico

20/06/2004


Medo da repetência faz estudantes optarem cada vez menos por cursos de prestígio

Luc Bronner
Em Paris


No campo da formação universitária, 42,1% dos estudantes que completaram o ciclo do segundo grau, depois de terem obtido o baccalauréat (bac), o diploma que finaliza este ciclo, preferem optar por formações de tipo IUT (Institutos Universitários Tecnológicos), mesmo que eles tenham de prosseguir após a obtenção de seu diploma com um curso de especialização, ou ainda com estudos preparatórios para as grandes escolas. Eles preferem evitar os tradicionais DEUGs (Diplomas de Estudos Universitários Gerais), cuja imagem se degradou nos últimos anos.

Ninguém questiona hoje abertamente o princípio da não-seleção dos estudantes quando estes ingressam no ensino superior. Ninguém... exceto os próprios "consumidores": após terem profundamente integrado as conseqüências da "massificação" dos colégios, a qual posterga na sua maior parte a seleção depois do baccalauréat, as famílias procuram agir como verdadeiras estrategistas, principalmente priorizando as carreiras abertamente seletivas.

A tal ponto que os donos de um baccalauréat ("bacheliers") que optam por formações nas quais é efetuada uma seleção na entrada (seja nos institutos universitários de tecnologia, nas secções de técnicos superiores ou nas classes preparatórias para as grandes escolas, entre outras) são hoje mais numerosos (42,1% do total) que os que se optam por cursar a universidade tradicional (39,2%), aberta para todos os candidatos.

O levantamento a seguir mostra por que os estudantes que concluem o equivalente francês ao ensino médio optam cadqa vez menos pelas prestigiosas unversidades do país:

  • Universidades são vistas como bicho-papão

    O primeiro ciclo das universidades continua a assustar. A manutenção de uma taxa de fracassos importante - 50% dos estudantes obtêm o seu DEUG em dois anos, 20% em três anos, 10% em cinco anos - preocupa as famílias, que temem a insuficiência do enquadramento na universidade. As pesquisas que foram realizadas pelo ministério da Educação Nacional não são muito animadoras.

    Em primeiro lugar, elas validam, de um ponto de vista científico, o sentimento de estudantes e famílias de estarem se deparando com uma verdadeira loteria. A taxa de sucessos nos DEUGs pode variar do simples ao triplo, conforme a universidade ou conforme a disciplina.

    Em segundo lugar, estes estudos são sintomáticos do mal-estar dos estudantes em DEUG e da sua opinião, bastante crítica, a respeito de sua carreira de formação. Assim, 42,1% dos estudantes em DEUG se dizem muito ou bastante satisfeitos com o acompanhamento e com o enquadramento do qual eles beneficiam, contra 76,7% em STS (Secções de Técnicos Superiores), 80,2% em IUT e 92,8% em classes preparatórias para as grandes escolas, segundo um inquérito realizado em março de 2003 junto a uma amostragem de 6.787 estudantes.

    A defasagem é similar em relação a outras questões: quer se trate do conteúdo dos estudos, das modalidades de controle dos conhecimentos, das condições de trabalho e até mesmo dos contatos com os outros estudantes, a opinião dos estudantes em DEUG é sempre mais negativa do que a de quem opta por outras formações.

    A primeira conseqüência desta imagem negativa é que a proporção de jovens que optam pela formação dos DEUGs diminuiu nitidamente desde 1995. Na época, os DEUGs eram escolhidos por 49,4% dos formados no ensino médio, enquanto hoje eles participam da formação de apenas 39,2% dentre eles - um número que contudo aumentou ligeiramente em 2003.

    Uma segunda conseqüência é que os DEUGs tendem a atrair sobretudo os alunos que repetiram um ou vários anos no primeiro ciclo, enquanto os alunos muito bons privilegiam as classes preparatórias, os bons alunos optando por outras carreiras seletivas.

  • A transformação dos cursos técnicos

    Seguindo uma tendência oposta, o sucesso das carreiras seletivas curtas está se revelando duradouro. As Seções de Técnicos Superiores (que fornecem os diplomas da categoria BTS), os institutos universitários de tecnologia e as escolas pós-bac costumam acolher egressos do ensino médio preocupados em tornar rentável o seu percurso de formação.

    O exemplo dos IUTs é o mais espetacular, tanto que a vocação destes estabelecimentos se transformou profundamente em função do seu sucesso. Concebidos inicialmente para estudantes almejando uma inserção no mercado de trabalho, eles são vistos hoje como uma alternativa inteligente e um meio hábil de evitar as universidades, com as suas elevadas taxas de fracasso.

    "Os IUTs são considerados como um valor seguro em relação ao emprego. Contudo, nós vemos também muitos jovens, que obtiveram ótimos resultados, escolherem estas carreiras com objetivo de seguir um ciclo extenso de estudos", constata Arielle Girot, a diretora da editora da Onisep (Agência nacional de informação sobre o ensino e as profissões).

    "Entre os novos inscritos em IUT, apenas 22% pretendem encerrar os seus estudos depois de terem obtido o seu DUT (Diploma Universitário de Tecnologia), enquanto eles representavam mais de 35% dos alunos em 1996", indica a diretoria dos estudos e da prospectiva (DEP) do ministério da Educação.

    Hoje, seis estudantes entre dez prosseguem a sua formação após terem obtido o seu DUT. Esta tendência poderia ainda se reforçar com a implantação do sistema licença/mestrado/doutorado, uma vez que este incentiva os estudantes a obterem o nível da licenciatura.

    Vários fatores explicam o que torna os IUTs tão atraentes. Em primeiro lugar, eles oferecem uma infra-estrutura superior - o que explica por que o custo médio de um estudante em IUT é de 9.100 euros (R$ 34.302,72), contra 6.840 euros (R$ 25.783,59) para os que optaram pelo DEUG.

    Em segundo lugar, estes estudantes beneficiam de uma abordagem pedagógica diferente. "Nos IUTs, nós privilegiamos a experimentação em detrimento da abstração. Alguns estudantes fazem estudos brilhantes depois do seu IUT porque eles tiraram proveito desta pedagogia", explica Philippe Pierrot, o presidente da assembléia dos diretores de IUT.

  • Vestibular

    Os caminhos que se aproximam da excelência nos estudos permanecem constantes. Nos últimos 25 anos, pouco importando qual seja a evolução global do número de estudantes, as classes preparatórias para as grandes escolas representam 7% dos alunos do ciclo superior.

    Estas classes continuam sendo o destino privilegiado dos melhores "bacheliers" (45% dos titulares de menções "bem" ou "muito bem", por exemplo). A sua seletividade continua tão forte como era no passado. "Um bachelier perde praticamente todas as suas chances de aceder a uma CPGE (Classe preparatória para uma grande escola) quando os seus resultados não lhe permitiram obter uma menção", constata a direção dos estudos e da prospectiva do ministério da Educação.

  • Dimensão européia dos estudos

    Desconhecido até há pouco tempo, o acrônimo LMD (licenciatura/mestrado/doutorado) já começou a se tornar familiar na maioria dos lares com filhos estudantes: todos os observadores concordam em constatar a ocorrência de uma conscientização por parte das famílias em relação à importância da internacionalização dos cursos.

    "A mensagem sobre o LMD costuma ser bem recebida: a licença vem sendo cada vez mais considerada como o primeiro patamar do curso superior", constata Arielle Girot, da Onisep.

    "Agora, as famílias passaram a considerar os estudos dentro de uma lógica européia. Muitos dos pais que nos consultam perguntam como organizar uma carreira no exterior", sublinha René Silvestre, o diretor geral do grupo L'Étudiant (O estudante).

    Contudo, este vê nesta reforma um fator suplementar de inquietude para os pais: "É uma riqueza poder seguir os seus estudos em Bolonha ou em Berlim. Mas é também um fator de angústia diante da necessidade para o estudante de encontrar o seu caminho dentro de um sistema cada vez mais complexo". A angústia dos pais ainda tem belos dias pela frente.

    O ingresso na universidade

    O acesso ao DEUG (diploma de estudos universitários gerais) constitui um direito para todos os egressos do ensino médio. No entanto, as universidades operam, de fato, uma forte seleção dos estudantes para a obtenção dos diplomas (DEUG, licença, mestrado, etc).

    As pesquisas mostram que o sucesso se revela muito desigual conforme o perfil dos estudantes: mais de 82% dos "bacheliers" obtêm o seu DEUG, dos quais a metade sem repetir nenhum ano. Os titulares de cursos técnicos de nível médio são apenas 38% a obter este diploma.

    A probabilidade de sucesso destes "bacheliers" parece ser reduzida o bastante, o que leva a maioria dos especialistas a desaconselhar fortemente a inscrição na Universidade. Cerca de 700 mil estudantes são inscritos nos primeiros ciclos.

  • Formações seletivas "curtas"

    Os institutos universitários de tecnologia (IUT), vinculados às universidades, recrutam, após exames do seu dossiê, os titulares do baccalauréat. Eles oferecem diplomas universitários de tecnologia (DUT) no nível bac +2.

    Cerca de 114 mil estudantes estão inscritos em IUT. As secções de técnicos superiores (STS), vinculadas aos liceus, oferecem os BTS (nível bac +2). Cerca de 243 mil estudantes seguem estas formações. Os IUTs e os BTS deveriam supostamente constituir uma formação natural para os "bacheliers" tecnológicos, e até mesmo profissionais.

    Mas estes precisam agora enfrentar a concorrência de "bacheliers" gerais que se inscrevem nos cursos de formação curtos para evitar os DEUGs. Com isso, os "bacheliers" tecnológicos se vêem obrigados a se inscrever em DEUG, onde um grande número dentre eles fracassa. A Educação nacional estima que um "bachelier" tecnológico entre dois se inscreveu na Universidade por não ter conseguido obter uma vaga em IUT ou em STS.

  • Ingresso

    Destinadas aos melhores alunos, as classes preparatórias operam uma seleção rigorosa de seus estudantes (72 mil no total). Ao longo de dois anos, elas preparam os candidatos para o acesso às escolas de comércio, de engenheiros ou ainda permitem a passagem para uma licenciatura geral.

    A orientação dos estudantes das "classes preparatórias" é muito diferente conforme a sua especialização: a grande maioria dos alunos das classes literárias prossegue os seus estudos na Universidade (nível DEUG ou licença); os alunos das outras "classes preparatórias" que integram grandes escolas são muito mais numerosos.


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