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Tóxicos/Intoxicações

Saiba sobre o Tolueno

13/07/2004

TOLUENO (C6H5CH3)


Informações gerais

É um líquido incolor, com odor aromático característico, similar ao do benezeno. A sua pressão parcial e a densidade do vapor em relação ao ar levam-no a ser um solvente com alta volatilidade e os seus vapores a permanecerem em baixas alturas, o que aumenta a penetração pela via respiratória.

Usos: produção do benzeno e outras substâncias, largamente empregado como solvente para tintas, vernizes, colas, celulose, borracha, óleos, resinas e diversas outras aplicações.

Na indústria do petróleo, é utilizado em laboratórios e está presente em derivados, como contaminante. O tolueno pode estar contaminado com benzeno.

Sinônimos: toluol, metil benzeno, metil benzol, fenil metano.

Grau de Insalubridade (NR 15)

Médio.

Grau de risco à saúde (API)

Moderado à exposição crônica excessiva; leve à exposição aguda.

Classificação de carcinogenicidade ocupacional (ACGIH / 95-96)

Não classificado como carcinogênico para o homem.

Limites de tolerância

LT-MP ou TLV-TWA (ACGIH / 95-96) = 50 ppm, 188 mg/m3
MAC (Rússia) = 50 mg/m
3
LT-NR 15 (Brasil) = 78 ppm, 290 mg/m
3

Toxicocinética e toxicodinâmica

Exposição aguda

O tolueno penetra rapidamente no organismo principalmente pela via respiratória, onde atua como irritante. Surgem então irritação dos brônquios, da laringe, bronquite, broncospasmo e edema pulmonar. Da quantidade inalada, 53% são absorvidos. Sua ação é predominante sobre o sistema nervoso central como depressor, causando fadiga, dor de cabeça, confusão, tontura e incoordenação muscular. Antes da depressão pode ocorrer excitação do sistema nervoso central, com euforia, tremores e nervosismo. (Quadro 1).

O tolueno se acumula preferencialmente no cérebro e nos tecidos gordurosos, após a inalação, produzindo então depressão.

O contato com os olhos resulta em irritação, lacrimejamento, dor, possível queimadura da córnea e conjuntivite transitória.

À ingestão, o tolueno provoca depressão do sistema nervoso central e, se aspirado, provoca pneumonite química.

No aparelho cardiovascular, o tolueno provoca arritmias no coração (bradicardia e fibrilação ventricular), infarto do miocárdio e morte súbita. há na literatura casos de complicações cardíacas em "cheiradores" de tolueno.

Sobre a pele ele atua como irritante primário, sendo a forma líquida absorvida por essa via numa velocidade de 14 a 23 mg/cm2/hora. Seus vapores absorvidos não excedem 5% da quantidade total absorvida no mesmo período de tempo, pelo trato respiratório. A intoxicação sistêmica por vapores de tolueno via cutânea é, portanto, pouco provável.

 

Quadro 1. Efeitos agudos da exposição a vapores de tolueno

Concentração de vapores de tolueno (ppm) Tempo de
exposição
Resposta
50-100 8 horas Leve sonolência e dor de cabeça
200 8 horas fadiga, fraqueza muscular, dor de cabeça e náusea
300-400 8 horas Dor de cabeça, fadiga, confusão mental, leve incoordenação
600 3 horas Tontura, dor de cabeça, confusão mental
5.000-10.000 1 minuto Embriaguez, coma

Fonte: American Petroleum Institute.

 

Do tolueno, cerca de 20% são excretados inalterados no ar exalado. O restante é largamente oxidado no fígado a ácido benzóico pelo sistema de oxidases mistas. O ácido benzóico corresponde a 62% do total absorvido, conjugando-se ao nível do próprio fígado com o aminoácido glicina, formando ácido hipúrico, principal produto de biotransformação (80%), sendo eliminado pela urina. Uma pequena fração (menos que 1%) é hidroxilada, formando cresol. (Fig. 1).

A eliminação do ácido hipúrico pela urina, na sua maior parte, ocorre nas 16 horas posteriores à exposição. No período de 24 horas os valores desse metabólito retornam aos níveis anteriores à exposição.

 

Fig. 1. Biotransformação do Tolueno

Exposição crônica

Foram observados, em expostos a concentrações entre 100 e 200 ppm durante 8 horas por dia, a longo prazo, no trabalho e em forma de abuso ("cheiradores"), distúrbios neuropsíquicos como: depressão, confusão mental, anormalidades emocionais, encefalopatia progressiva e irreversível, distúrbios cognitivos, ataxia cerebelar, reflexos hiperativos, neuropatia periférica, mudanças na personalidade, tremores, dor de cabeça recorrente, labilidade emocional, perda da memória, disfunção do hipotálamo, paralisia de Bell, epilepsia, tendências suicidas, síndromes orgãnicas afetivas e mais raramente psicose.

Há relatos na literatura de perda auditiva (otoxicidade) e cegueira (atrofia óptica bilateral) em "cheiradores" do tolueno.

O tolueno não possui efeitos tóxicos crônicos sobre a medula óssea. Efeitos cancerígenos e mutagênicos (alterações genéticas) não foram encontrados. Existem na literatura casos de anemias, porém reversíveis após cessada a exposição. Casos de anemia aplástica descritos na literatura devido à exposição ao tolueno foram atribuídos à importante contaminação com o benzeno.

O contato prolongado com a pele provoca ressecamento, fissuras e dermatites.

No fígado têm sido encontrados os seguintes distúrbios: aumento do órgão, aumento do tempo de protrombina, esteatose hepática (infiltração de gorduras0 e insuficiência hepática.

No sistema ginecológico e reprodutor têm sido encontrados: distúrbios menstruais, aumento na incidência de prolapso uterino e da parede da vagina, malformações fetais e distúrbios do crescimento fetal.

Controle da exposição e prevenção da intoxicação

Medidas de controle ambiental.
Uso de equipamentos de proteção: roupas impermeáveis, luvas, máscara com filtro.

Primeiros Socorros

Na inalação

Remoção imediata do paciente da área contaminada para local com ar fresco. Ressuscitação cardiorrespiratória, administração de oxigênio 100% umidificado e ventilação assistida, se necessário. Se houver tosse ou dificuldade para respirar, avaliar possíveis irritação, bronquite e pneumonite. Se ocorrer depressão do sistema nervoso central, entubar, instituir ventilação assistida e monitorização cardíaca. Tratar o edema agudo do pulmão

Na ingestão

Não induzir vômito, face ao risco de aspiração. A lavagem gástrica estará indicada em casos de ingestão de grande quantidade do tolueno ou se ele estiver contaminado com grande quantidade de benzeno. Colocar o paciente em decúbito lateral e na posição de Trendelemburg. O risco da lavagem gástrica deverá sempre ser ponderado em função da quantidade ingerida.

No contato com a pele

Remover as roupas contaminadas. Lavar a área exposta com grande quantidade de água e sabão. Avaliar possíveis queimaduras.

No contato com os olhos

Lavar em água corrente por pelo menos 15 minutos. Se persistirem dor, edema, lacrimejamento ou fotofobia, encaminhar ao oftalmologista.

Controle biológico

Dosagem urinária do ácido hipúrico: IBMP (NR 7)= 2,5g/g creatinina.

Dosagem do tolueno no sangue.

Dosagem do tolueno no ar exalado.

O ácido hipúrico não é um indicador específico. Ele tem sido observado após a exposição a outros agentes químicos.

www.quimica.ufpr.br


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