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Meio Ambiente/Ecologia

Pesquisadores precisam dialogar mais com gestores de áreas de conservação

24/07/2004

As áreas de preservação ambiental são, geralmente, criadas a partir de critérios fortemente baseados no conhecimento científico, como biodiversidade, espécies endêmicas (que só ocorrem na região) e tipo de ecossistema. Depois de criadas, essas áreas são gerenciadas para que sejam definidos os locais aptos para receber turistas e aqueles destinados à preservação permanente, por exemplo. É nesse momento que, de acordo com Paula Drummond de Castro, pesquisadora do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, surge uma distância muito grande entre pesquisadores e gestores por falta de diálogo.

Para Castro, é preciso fazer uma elaboração melhor dos planos de gestão dessas áreas por parte das instituições responsáveis e um comprometimento maior dos pesquisadores com o retorno de suas pesquisas às equipes gestoras. Esta discussão faz parte de sua dissertação de mestrado, intitulada Ciência e Gestão em Unidades de Conservação: o caso do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), Vale do Ribeira, SP, defendida no final de junho no IG, na Unicamp.

O distanciamento entre a pesquisa e a gestão das Unidades de Conservação (UCs) acontece por diversos fatores. Por um lado, há a compreensão, por parte das instituições responsáveis pelas UCs, de que "pesquisa ideal" é aquela que é amplamente divulgada mas não necessariamente ligada às necessidades da UC. "Com isso, os gestores se apresentam como figuras inertes neste processo de interação entre pesquisa e gestão ficando à mercê exclusivamente da disponibilidade do pesquisador em divulgar sua 'pesquisa ideal'", explica Castro. Por outro lado, poucas UCs têm um plano de gestão (ou de manejo, como é normalmente chamado) elaborado. No estado de São Paulo, apenas 20% das 109 UCs existentes têm seus planos de manejo publicados ou em publicação.

Para Kátia Pisciotta, assessora técnica do Instituto Florestal (IF), órgão responsável pela manutenção das UCs, na área de gestão e planejamento da Divisão de Reservas e Parques, a complexidade das situações e instituições envolvidas na gestão de uma UC faz com que a elaboração e execução dos planos de manejo se tornem muito difíceis. "A conservação dessas áreas precisaria ser uma política de estado efetiva. Alguns problemas acabam dificultando a gestão dessas áreas como, por exemplo, a situação fundiária irregular", ressalta Pisciotta.

No Petar, localizado no sul do estado de São Paulo e conhecido, principalmente, pelo grande número de cavernas que possui, a situação não difere muito do panorama nacional e estadual. O Parque, criado em 1958 a partir de uma grande movimentação, principalmente da comunidade científica, para a preservação de suas cavernas, não possui um plano de manejo elaborado e tem graves problemas fundiários. Em seu trabalho, Castro analisou 118 projetos de pesquisa realizados ou em andamento no Petar desde 1992, cadastrados na sede do Parque. Apesar do grande aumento do número de pesquisas nesse período, cerca de 85% delas são realizadas por pesquisadores que não estão ligados ao Instituto Florestal, mas à universidade. "Isso significa para o IF uma economia de recursos financeiros e humanos, mas por outro lado, é também uma submissão à agenda de pesquisas das universidades, que não necessariamente coincide com as necessidades de gestão do Parque", diz Castro.

Mesmo incentivada, o uso da Ciência para a gestão do Parque é bem limitada. "Falta uma comunicação física, já que as pesquisas não estão disponíveis para os gestores", explica Castro. Para Pisciotta, a participação da comunidade científica se dá principalmente para as caracterizações econômica, física e social da área, mas dificilmente as pesquisas auxiliam nas questões ligadas à gestão. Para ela, a organização de um Conselho Consultivo para a UC incluindo pesquisadores pode ser um caminho para melhorar esse diálogo. "Os pesquisadores podem, por meio desses Conselhos, ficar mais próximos à realidade da UC e pensar de que forma o conhecimento que estão gerando pode auxiliar na gestão da área", conclui.

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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