Antienvelhecimento/Longevidade - Combatendo o Envelhecimento
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Antienvelhecimento/Longevidade

Combatendo o Envelhecimento

10/06/2003

"A vida é demasiado curta para chorar, suficientemente longa para tentar" — Kai Hansen

Eu considero que controlar o envelhecimento é o primeiro e mais imperativo objectivo dos transhumanistas. Obviamente que se morrermos aos 75 anos, não vamos conquistar as estrelas. Nem vamos usufruir significativamente da vida se ela tiver uma dimensão limitada. Assim sendo, e antes mesmo de nos encaminharmos para uma melhoria individual e colectiva da humanidade, temos de garantir que essa melhoria vai ser duradoura a nível individual. Uma esperança média de vida, nos países desenvolvidos, que ronda os 75 anos não é satisfatória. A principal causa que limita o nosso tempo de vida é, directa ou indirectamente, o envelhecimento. Daí que tenha de se dar prioridade máxima e imediata a abrandar ou mesmo parar este, até agora, inevitável processo. Diga-se a título de curiosidade que o ideal que é obter a imortalidade por meios científicos não é novo; há já algumas décadas que um movimento chamado venturismo tem esta ideia como seu único objectivo — o transhumanismo engloba este objectivo entre outros.

Aquele que pensa que nós já conseguimos entender e controlar o envelhecimento está completamente enganado. O envelhecimento ocorre hoje tal como ocorria há 10'000 anos; nós limitamo-nos a combater outras causas de morte que fizeram aumentar a nossa esperança média de vida, mas o envelhecimento continua igual desde o aparecimento da espécie humana. Desengane-se também quem vê no envelhecimento um inimigo invencível. Existem espécies que aparentam não envelhecer. E não me refiro apenas a espécies unicelulares (como bactérias) ou vegetais. Existem espécies complexas no reino animal que possuem esta atraente característica. Por exemplo, entre os vertebrados existem várias espécies de peixes que aparentam não envelhecer (tubarões, raias, etc.) e podem mesmo ser encontrados animais terrestres nesta condição, como certos répteis (tartarugas, crocodilos, etc.). Infelizmente, nenhum mamífero aparenta este fenómeno. No entanto certos tipos de baleias aparentam viver mais do que os seres humanos.
     Avanços científicos notáveis têm sido feitos em prolongar a longevidade de espécies inferiores a nós. Duplicar o tempo de vida de pequenas minhocas modificando apenas um gene já foi conseguido; experiências semelhantes foram também realizadas em moscas apesar de os resultados não serem tão excitantes. Diminuindo as calorias dadas a ratos — mas mantendo os outros nutrientes — pode-se aumentar a longevidade em 50% e pensa-se que estes resultados possam ser transponíveis para humanos — em macacos ainda não há resultados definitivos mas as expectativas são optimistas. Igualmente em ratos, cientistas conseguiram aumentar a sua longevidade em mais de 30% modificando apenas um gene. Todos estes resultados levam a pensar que brevemente poderemos começar a manipular a longevidade humana.

Em termos celulares, as perspectivas também são optimistas. As nossas células normais apenas se podem dividir um número limitado de vezes. Recentemente, cientistas americanos conseguiram "imortalizar" células humanas. Esta importante e excitante experiência consistiu em activar nas células humanas uma enzima chamada telomerase, que é responsável por reparar os extremos dos cromossomas. Já se tentou também incluir a mesma enzima em ratos mas estes acabaram por não viver mais. Mesmo assim, trata-se de uma área extremamente encorajadora e que pode abrir caminho para uma futura "imortalização" do ser humano.
     Outra área com grande potencial é a clonagem. Não me refiro a criar clones de pessoas, mas a criar clones celulares jovens a partir de células de pessoas adultas. Estes clones celulares são os percursores de todas as células do corpo e partindo deles podem-se criar novos órgãos — inclusive geneticamente modificados —; ou inserir estas células no corpo como percursores de tecidos — por exemplo, de neurónios — podendo-se observar uma regeneração dos tecidos (um tratamento já utilizado em doenças com diabetes e Parkinson). Desenvolvimentos utilizando modificações genéticas nestas células estão a ser testados para várias doenças e poderão vir a ser importantes para curar doenças do envelhecimento e, quem sabe, "curar" o envelhecimento.

Existem várias teorias sobre o que causa o envelhecimento e seria muito maçador estar a enumerá-las a todas (no Póster Sobre o Envelhecimento eu menciono as principais). O mais importante, e a mensagem que pretendo passar, é que saber que envelhecemos é como saber que temos uma doença mortal que nos vai matar em 75 anos. Acredito que temos os meios técnicos para acabar com o envelhecimento nas próximas décadas, a questão é saber se temos a vontade. Esse é o meu pensamento, e o dos transhumanistas. Um pensamento de que mais vale tentar viver, nem que as hipóteses de sucesso sejam mínimas, do que desistir ou do que agir com comodismo e resignação (que é como a nossa sociedade nos ensina a encarar este fatal problema).

 


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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