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Tóxicos/Intoxicações

Estudo explica a atuação da poluição atmosférica no sistema cardiovascular

06/09/2004
Após avaliar exames de sangue, pressão arterial e eletrocardiograma de funcionários da CET, pesquisador consegue explicar os mecanismo pelo qual gases poluentes podem provocar infarto, arritmia e parada cardíaca
Tadeu
Breda



"As mudanças no organismo provocadas pela poluição deixam o indivíduo bastante suscetível a paradas cardíacas e aumentam suas chances de ser acometido de infarto"
O professor Ubiratan de Paula Santos, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), estudou as funções respiratórias e cardiovasculares de 50 "marronzinhos" - funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) - que trabalham em vias movimentadas da Capital. A pesquisa revelou os motivos pelos quais, além dos pulmões, o coração também sofre com altas emissões de poluentes na atmosfera. Quando os níveis de poluição do ar aumentaram, os trabalhadores apresentaram alterações significativas na pressão arterial e na freqüência cardíaca.

"As mudanças no organismo provocadas pela poluição deixam o indivíduo bastante suscetível a paradas cardíacas e aumentam suas chances de ser acometido por infarto", explica. Segundo ele, a inalação de gases poluentes e material particulado faz com que ocorra inflamação nos pulmões, processo que libera substâncias prejudiciais à saúde na corrente sangüínea. "São essas substâncias as responsáveis por induzir as alterações tanto da pressão arterial como da freqüência cardíaca. Todo o processo que prejudica o sistema cardiovascular do homem inicia-se nos pulmões."

O pesquisador diz que a poluição atua também no sistema nervoso simpático e parassimpático, os quais regulam os batimentos do coração e sua capacidade de adaptar-se às necessidades do corpo humano. Quando fazemos uma atividade física, por exemplo, o coração pulsa de forma mais acelerada; quando dormimos, fica mais lento. "A atuação dos poluentes no organismo reduz essa capacidade do coração, o que deixa o indivíduo mais suscetível à arritmia e parada cardíaca", completa Ubiratan.

Médico-assistente do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas, ele realizou suas pesquisas nos meses de agosto de 2000 e 2001 (meses de inverno, época em que a poluição é maior) e fevereiro de 2001 (no verão, quando a umidade ajuda a dissipar os poluentes). "A exigência era que os 'marronzinhos' a serem estudados não fossem fumantes e estivessem trabalhando há mais de um ano nas Marginais Pinheiros ou Tietê ou na avenida Bandeirantes (Zona Sul)." Além dos exames de sangue, medições da pressão arterial e do eletrocardiograma foram realizadas durante um período de 24 horas.

Capacidade pulmonar
"Também avaliamos a capacidade respiratória dos 'marronzinhos': constatamos que 30% deles apresentavam inflamação nos brônquios, e estes apresentaram uma redução bastante significativa da capacidade pulmonar." Ubiratan alerta que, apesar de os "marronzinhos" estarem em contato maior com a poluição, esse é um problema que atinge a todos, principalmente aqueles que residem próximo a vias de grande tráfego de veículos.

O estudo foi motivado por um outro, feito entre 1998 e 1999, em que Ubiratan observou que, quando a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) registrava maiores níveis de poluição do ar, cresceu o número de pessoas com arritmia cardíaca atendidas no pronto-socorro do InCor.

Portal da Usp

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