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Clínica médica/Intensiva/Enfermagem

Pesquisadoras estudam fatores associados a hospitalizações repetidas de um mesmo paciente

09/09/2004


As internações repetidas de um mesmo indivíduo, que funcionam como indicadores da qualidade dos serviços de saúde, foram o alvo da tese de doutorado da médica Mônica Silva Monteiro de Castro, na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) da Fiocruz. Após analisar fichas referentes a mais de 31 mil internações no Hospital Público Regional de Betim, em Minas Gerais, Mônica constatou que cerca de 20% delas tinham sido readmissões. Entre esses pacientes internados repetidas vezes, o intervalo entre uma hospitalização e a seguinte foi de, em média, um ano e dois meses para adultos e um ano e cinco meses para crianças.

Esses tempos podem ser considerados bem longos, já que uma reinternação precoce é definida como aquela que ocorre alguns dias após o paciente ter deixado o hospital. "Intervalos curtos entre uma hospitalização e a próxima podem ser sinal de inadequação dos serviços de saúde prestados ao paciente durante a primeira internação", diz Mônica. "Intervalos longos, por sua vez, podem sugerir a presença de problemas crônicos de saúde ou questões socioeconômicas que dificultam o tratamento ambulatorial", acrescenta a médica. Muitas vezes, o paciente - sem o devido acompanhamento médico após a alta hospitalar e sem condições de adquirir medicamentos ou dar continuidade ao tratamento em casa - tem seu estado de saúde agravado e acaba sendo internado novamente.

Em países desenvolvidos, estudos com populações idosas revelam percentuais de reinternações superiores a 20%. Mas não há dados publicados no Brasil e, sem um parâmetro de comparação, não é possível dizer se o índice de readmissões em Betim é alto ou baixo. Estudos como o da Mônica são importantes para que se planeje adequadamente a oferta dos serviços hospitalares e se otimize a aplicação de recursos no sistema público de saúde.

Mônica foi orientada pelas médicas Marilia Sá Carvalho, da Ensp, e Cláudia Travassos, do Centro de Informação Científica e Tecnológica (Cict) da Fiocruz. As três assinam um artigo que já foi aceito para publicação nos Cadernos de Saúde Pública, periódico científico editado pela Ensp. De acordo com as pesquisadoras, é preciso identificar as causas de reinternações desnecessárias e combatê-las. Afinal, além de desperdiçarem recursos, elas dificultam o acesso de quem realmente precisa aos serviços de saúde. Porém, não se pode confundir essas situações com aquelas em que a readmissão do paciente é fundamental, como em geral acontece com portadores de doenças graves. "Não se pode prejudicar nenhum paciente, mas a necessidade de contenção de despesas no sistema público de saúde é uma realidade e, portanto, o desperdício com reinternações desnecessárias é inaceitável", diz Marilia.

Com dados das Autorizações de Internação Hospitalar (AIH), disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), as pesquisadoras procuraram traçar um perfil desses pacientes que eram internados repetidas vezes. No caso das crianças, as internações repetidas foram mais freqüentes entre as mais novas, que passaram mais dias no hospital e que correram maior risco de falecer na hospitalização seguinte. No grupo dos adultos, as admissões repetidas foram mais comuns entre os mais velhos, internados primeiramente por motivos não-cirúrgicos, que ficaram mais dias hospitalizados e que tiveram maior risco de óbito na internação subseqüente. O risco de óbito na internação subseqüente foi utilizado como uma medida aproximada da gravidade do paciente.

No entanto, Mônica observou que informações importantes para esse tipo de análise não estão disponíveis no AIH. "O formulário tem um campo para o diagnóstico secundário, ou seja, para o registro de um outro problema de saúde além daquele que motivou a hospitalização. Porém, em 80% das fichas estudadas, esse campo estava vazio", lamenta a médica. Segunda ela, é necessário não só o preenchimento completo do formulário como também o acréscimo de mais campos para o registro de diagnósticos secundários. Além disso, informações sobre a gravidade do caso e dados socioeconômicos do paciente, como renda e escolaridade, também deveriam ser acrescentados à AIH.

Tudo isso permitiria aos médicos conhecer melhor os pacientes sob risco de reinternação. "Por exemplo, se uma pessoa com baixa escolaridade é internada por insuficiência renal, ela poderia ser forte candidata a readmissões hospitalares. Por isso, deveria ser dada a ela atenção especial, o que inclui, por exemplo, um acompanhamento médico mais próximo e um número maior de visitas do Programa de Saúde da Família", afirma Mônica.

Fernanda Marques

Para acessar o site da Fiocruz, clique aqui

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