Gravidez/Parto/Obstetrícia - Pesquisa mostra que parto normal
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Gravidez/Parto/Obstetrícia

Pesquisa mostra que parto normal

11/09/2004

 

Uma vez cesárea, sempre cesárea. O mito bastante difundido de que mulher que se submete a uma cesariana não pode mais optar pelo parto normal tem sido cada vez mais desmentido por pesquisadores. Recentemente, um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) demonstrou que, ao contrário dessa idéia, o parto normal evita complicações respiratórias nos bebês.

Em uma ampla amostragem de prova de trabalho de parto, espontânea ou induzida, envolvendo 438 gestantes submetidas a uma cesariana anterior e seus 450 recém-nascidos atendidos no Hospital de Clínicas da Faculdade, 59,2% dos casos não registraram morbimortalidade materna e perinatal. Já, entre as mulheres que foram submetidas a cesariana, sem a tentativa de parto vaginal, essas ocorrências duplicaram em relação ao parto normal. A suspeita era de que após uma cesariana, a mulher que fizesse o parto normal poderia, junto com o filho, correr risco de morte devido ao rompimento do útero. O estudo mostrou também que o parto normal evitou complicações respiratórias neonatais.

Para o Ministério da Saúde, pesquisas como esta, que ajudam a difundir a idéia de que o parto normal é o melhor para o bebê e para a mãe, são bem-vindas, já que a cesária apresenta, em relação ao outro tipo de parto, de sete a 20 vezes mais chances de infecções e complicações para a mãe e aumenta em até oito vezes o risco de se ter uma hemorragia. O Brasil até o fim da década de 1990 era considerado o campeão mundial de cesariana. Esse mito, segundo a obstetra Iracema de Mattos Paranhos Calderon, uma das pesquisadoras envolvidas no estudo da Unesp, pode ter colaborado para o crescimento do número de cesarianas no Brasil. Em 2002, a taxa nacional era de 38%, segundo informações da Área Técnica da Saúde da Mulher do Ministério da Saúde. Um número considerado bem acima do índice ideal de 15% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essa porcentagem só começou a cair quando o Ministério da Saúde adotou uma série de medidas para melhorar a qualidade da assistência ao parto no Sistema Único de Saúde e incentivar médicos e gestantes a verem o parto normal como primeira opção para os nascimentos. Entre as iniciativas, estão, por exemplo, o aumento de 160% no valor do total do parto vaginal, o reembolso dos analgésicos utilizados nesse procedimento e a regulação do pagamento de cesáreas com uma definição de percentual máximo de partos desse tipo por hospital a serem remunerados pelo SUS, com níveis decrescentes a cada semestre. Caso a maternidade supere esse número terá de arcar com as despesas.

As medidas parecem ter surtido efeitos positivos. Em 2003, a taxa de cesáreas realizadas pelo SUS caiu para próximo de 25%. Mesmo assim, o país ainda tem um longo caminho a percorrer. Só para efeito de comparação, no Reino Unido a porcentagem de cesáreas realizadas está na casa dos 10%, no Japão em 8%.

O grande número de cesáreas que passaram a ser realizadas no país parece ter explicação. A facilidade de programação do parto e a diminuição da tensão e da dor para a mulher ganhou a atenção dos médicos e das gestantes. Segundo as informações da Área Técnica da Saúde da Mulher, a dificuldade do médico em acompanhar a gestação e estar disponível para realizar o parto foi um dos principais agravantes que ajudaram a aumentar o número de cesáreas praticadas. Além disso, nos hospitais de alto risco, onde geralmente se processa o ensino de grande parte das faculdades de Medicina, a proporção de partos cesáreos tende a ser maior pela própria característica da população, haja visto a demanda de partos. Com isso, segundo o Ministério da Saúde, muitas vezes os médicos recém-formados saem da faculdade e da residência com pouca prática de atenção ao parto normal.

Vantagens do parto normal
As vantagens do parto normal são várias, tanto para o bebê quanto para a mãe. Uma delas é o fato da mãe estar mais disposta à convivência inicial com o bebê, sem as dores do corte da barriga feito na cesárea, o que permite uma movimentação muito mais fácil e precoce. Do ponto de vista físico, no parto normal não há cicatriz aparente, a possibilidade de dores abdominais por aderências é menor, assim como a chance de hemorragias e infecções.

Segundo um artigo publicado pela Equipe Editorial Bibliomed, intitulado Parto normal após cesariana, em gestantes com antecedente de cesariana, o risco de ruptura uterina é maior no parto normal do que no outro método, mas a cesariana possui mais chances de infecção e hemorragia com necessidade de hemotransfusão. O artigo cita também que pacientes submetidas a parto normal ficam duas vezes menos no hospital do que aquelas que se submetem a cesariana.

 
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