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biologia molecular

Evolução 14

11/06/2003

A formação de novas espécies

 

Até este momento, vimos como os seres vivos se modificam ao longo do tempo, alterando sua estrutura genética. Vimos que essas modificações ocorrem ao acaso, e que a partir delas os espécimes melhores adaptados ao ambiente tem mais chance de sobreviver e deixar descendentes. Agora imaginemos uma população vivendo em um ambiente que sofre modificações. Os indivíduos desta população não são idênticos entre si, apresentam diferenças resultantes da variabilidade genética.


Como dissemos, o ambiente está se modificando. Como resultado, apenas os indivíduos mais aptos à este novo ambiente sobrevivem, deixando descendentes. Ao longo do tempo, a nova população não será igual à população original, pois as modificações na estrutura genética foram tais que acabaram por criar uma nova espécie. Assim, temos uma espécie ancestral que acaba por gerar uma nova espécie filha. Todos os indivíduos da população original ocupavam o mesmo ambiente, ou seja, podiam trocar genes livremente entre si, através da reprodução. Isso fez com que as modificações fossem uniformemente distribuídas por todos os indivíduos, ao longo de gerações, gerando ao final do processo apenas uma espécie filha.


Agora pensemos no seguinte: imaginemos a mesma população original, onde todos os indivíduos são intercruzantes. Suponha que por qualquer motivo essa população acabe se separando em dois grandes grupos, que agora ficam isolados um do outro. Cada grupo desta população original ocupa agora um ambiente com características diferentes, com recursos diferentes.
Com o passar do tempo, cada grupo irá evoluir no sentido de se adaptar ao ambiente que ocupa. Ou seja, as modificações não serão iguais entre os dois grupos, pois o ambiente exige que cada grupo desenvolva determinadas adaptações.


O resultado deste processo é a formação de duas novas espécies, cada uma ocupando um ambiente próprio. No gráfico vemos que um ancestral dos primatas gerou toda uma descendência. Este fenômeno, onde duas ou mais espécies filhas se desenvolvem a partir de uma espécie ancestral é chamado de especiação.

 

Mas o que é afinal a especiação?
A formação de novas espécies é o fator básico para a geração da enorme diversidade do mundo vivo. Toda a organização de classificação (famílias, classes, ordens, etc) baseia-se apenas nas diferentes espécies e no grau de parentesco entre elas. Mas para que possamos constatar que uma nova espécie se formou, é preciso que saibamos diferenciar duas espécies.
Ou seja, quais são os limites que nos permitem afirmar que um animal não pertence à mesma espécie que outro? Sabemos que dentro da mesma espécie podem haver diferenças, geradas pela variabilidade genética. Então, quando podemos afirmar que tais diferenças não implicam em variabilidade dentro da mesma espécie, mas sim em uma nova espécie?


Isso é na verdade um ponto bastante polêmico na Biologia. Na verdade, temos vários conceitos para o termo "espécie". São definições de acordo com o ponto de vista biológico, classificatório, ecológico, dentre outros. Então vamos adotar um conceito de espécie; para nós, "espécies são grupos de populações naturais que se cruzam entre si real ou potencialmente e que são reprodutivamente isoladas de outros grupos deste tipo" (Mayr, 1942).


Assim, se indivíduos da mesma espécie podem cruzar entre si, mas nunca com indivíduos de outras espécies, então podemos constatar que a carga genética daquela população é compartilhada apenas por aqueles indivíduos. Ou seja, cada espécie possui um patrimônio genético que lhe é próprio.


A especiação ocorre justamente por causa desta capacidade reprodutiva. Como os indivíduos podem trocar material genético, gerando descendentes com diferentes graus de variabilidade, ao longo do tempo a espécie tende a se modificar, alterando seu patrimônio genético. Agora, a especiação ocorre quando uma espécie original acaba por gerar duas ou mais espécies filhas. Isso pode ocorrer, por exemplo, se a população cresce demais e passa a ocupar novas áreas. Cada grupo desta população ocupa uma nova área, e assim se desenvolve isoladamente.


Você pode perguntar, "mas não pode haver reprodução entre estes dois grupos?" Bem, só podemos garantir que não haverá troca de material genético entre os dois grupos quando entre eles houver o que chamamos de "barreiras". As barreiras separam de alguma maneira os grupos da população original. Como exemplo podemos citar os animais de uma população que passam a ocupar ilhas dentro de um arquipélago. A barreira então é o mar, que impede que grupos de uma ilha troquem material genético com grupos de outra ilha. Assim, em cada ilha teremos, ao final de um determinado tempo, uma nova espécie. É por isso que Charles Darwin encontrou diferentes raças de jabutis gigantes nas Ilhas Galápagos; cada raça ocupava uma determinada ilha, e se encontrava em meio ao processo de especiação.


Bem, mas os mecanismos de isolamento (as barreiras) podem ser outros: imagine uma espécie que ocupa uma imensa área territorial. Com o passar do tempo, esta área se modifica, e se torna inóspita para aquela espécie. Apenas poucas "manchas" dentro da área original continuam sendo adequadas para aquela espécie. Então, temos uma separação de diferentes grupos, cada um ocupando uma mancha, separados apenas por uma região inóspita. A barreira seria no caso essa área inóspita, e cada mancha seria considerado um "refúgio". Voltaremos a falar sobre barreiras mais à frente.


Após um certo tempo de isolamento, os indivíduos de cada área terão características próprias. Mas como saber se já estamos falando de espécies diferentes? Bem, de acordo com a nossa definição, os indivíduos da mesma espécie tem possibilidade de cruzarem, real ou potencialmente. Assim, se colocados em contato, e seus membros não tiverem a capacidade de cruzar gerando descendentes férteis, então estaremos falando de espécies diferentes. Há casos em que espécies diferentes se cruzam, gerando um indivíduo híbrido. Este híbrido, entretanto, será estéril, não terá a capacidade de se reproduzir.


Mas se o híbrido gerado tiver a capacidade normal de se reproduzir, e seus descendentes também se reproduzirem normalmente, então os ancestrais deste híbrido pertencem à uma mesma espécie, de acordo com nossas definições originais.

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