Infecto-contagiosas/Epidemias - Transmissão, diagnóstico e tratamento da hanseníase
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Infecto-contagiosas/Epidemias

Transmissão, diagnóstico e tratamento da hanseníase

24/09/2004

Modo de transmissão,
diagnóstico e tratamento

A doença

A hanseníase é uma doença infecciosa, contagiosa, causada por um bacilo denominado Mycobacterium leprae. Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. Apresenta múltiplas manifestações clinicas e se exterioriza, principalmente por lesões dos nervos periféricos e lesões cutâneas. Em um país endêmico como o Brasil, em qualquer pessoa com alteração de sensibilidade na pele deve-se pensar em hanseníase.

 
TDR/OMS

Fotomicrografia de Mycobacterium leprae (aumentada em
95.000 vezes), organismo causador da hanseníase


Modo de transmissão

O contágio é exclusivamente entre os seres humanos. Os pacientes da forma multibacilar (contagiosa) sem tratamento, eliminam os bacilos através do aparelho respiratório superior (secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro). O paciente em tratamento regular ou que já recebeu alta não transmite. A maioria das pessoas que entram em contato com estes bacilos não desenvolve a doença. Somente um pequeno percentual, em torno de 5% de pessoas adoecem. Fatores ligados à genética humana são responsáveis pela resistência (não adoecem) ou suscetibilidade (adoecem). O período de incubação da doença – tempo decorrido entre a exposição ao agente etiológico e o aparecimento dos sinais e ou sintomas da doença – é bastante longo, variando de três a cinco anos.


Sinais e sintomas

  1. Sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades;
  2. Manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato;
  3. Áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da sudorese;
  4. Caroços e placas em qualquer local do corpo;
  5. Diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos).


Na suspeita da doença, o que fazer?

Procurar, o mais rápido possível a unidade de saúde mais próxima de sua residência para ser examinado pelo médico. Com o Sistema Único de Saúde (SUS), as atividades de diagnóstico, tratamento e controle da hanseníase são feitas em toda a rede básica de saúde, não sendo necessários o encaminhamento e o deslocamento do usuário.


Diagnóstico

Essencialmente clinico, baseado no exame da pele e dos nervos periféricos e na história epidemiológica. Excepcionalmente são necessários exames complementares laboratoriais como a baciloscopia ou biopsia cutâneas.


Tratamento

A hanseníase tem cura. O tratamento é feito nas unidades de saúde e é gratuito. A cura é mais fácil e rápida quanto mais precoce for o diagnóstico. O tratamento é gratuito, via oral, constituído pela associação de duas ou três drogas e é denominado poliquimioterapia. As drogas associadas são a rifampicina, a clofazimina e a dapsona.

Para fins de tratamento os pacientes são classificados em dois grupos: paucibacilares e multibacilares. Os paucibacilares estão doentes mas não contaminam outras pessoas. Os multibacilares sem tratamento eliminam os bacilos e podem infectar outras pessoas.
Os paucibacilares recebem uma dose mensal de rifampicina de 600mg e dapsona de 100 mg, uma vez ao mês na unidade de saúde (dose supervisionada) e levam o restante da cartela para auto-administração de um comprimido de dapsona por dia por 30 dias. A duração do tratamento é de seis meses.

Para os multibacilares a dose supervisionada consta de rifampicina 600mg, associada a clofazimina 300mg e dapsona 100mg; o restante da cartela para auto-administração de um comprimido diário de 100mg de clofazimina e 1 comprimido diário de l00mg de dapsona. A duração do tratamento é de 12 meses. Após ter completado o tempo de tratamento, com regularidade, o paciente recebe alta e é considerado curado.

por Maria Eugenia Noviski Gallo*

*chefe do Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz.

Fiocruz


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