Medicina Esportiva/Atividade Física - Prática correta de exercícios
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Medicina Esportiva/Atividade Física

Prática correta de exercícios

24/09/2004

Estudo defende a prática
correta de exercícios físicos

Cerca de 70% da população brasileira é sedentária, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse estilo de vida vem sendo relacionado ao aumento da obesidade, hipertensão arterial, osteoporose e doenças cardiovasculares. A procura por hábitos de vida mais saudáveis leva muitas pessoas a buscarem a prática de exercícios físicos. Essas atividades, no entanto, devem ser feitas de forma correta, para evitar outros problemas de saúde. Uma dissertação de mestrado defendida na Fiocruz aponta para um possível aumento de lesões no aparelho músculo-esquelético provocadas pela prática inadequada de atividade física.

Arte de Guto Mesquita sobre foto de Peter Illicciev/Fiocruz

"O sedentarismo é tratado como um dos principais inimigos da saúde pública. Mas, antes de indicar a prática de exercícios físicos para combatê-lo, é preciso identificar as características músculo-articulares de cada pessoa. Alguns possuem pernas mais curvas, como se tivessem montado a cavalo, outros têm a angulação do joelho desviada para fora, e para cada uma dessas características é recomendada uma atividade diferente", explica a fisioterapeuta Christianne Dardenne, que realiza o estudo.

Segundo a pesquisadora, a procura por tratamentos contra problemas no aparelho músculo-esquelético, como tendinites, bursites, artrites e miosites parece ter aumentado dentro das clínicas fisioterápicas, mas ainda não existem estatísticas que comprovem o fato. "Não há grandes estudos nesse sentido. Alguns abordam as afecções músculo-esqueléticas em relação à saúde do trabalhador e aos estresses ocupacionais. É preciso um estudo mais aprofundado para dimensionar os problemas decorrentes da atividade física inadequada", diz.

Agravos provocados por exercícios físicos incorretos são comuns entre as pessoas que buscam tratamento contra a obesidade. "Recomenda-se a elas o gasto energético. No entanto, grande parte dos obesos não consegue continuar as atividades por conta de dores nas articulações, principalmente nos joelhos", relata Christianne.

Os transtornos também ocorrem entre idosos, que costumam receber uma carga de atividades maior do que o sua estrutura músculo-esquelética pode agüentar. "Nas clínicas, o levantamento da história natural da doença mostra que em muitos casos a musculação e a aeróbica são a causa de bursites e tendinites no ombro e tornozelos e de lombalgia". Outro dado importante é a alta incidência de lesões músculo-esqueléticas em atletas e bailarinos o que além de comprometer a performance destes profissionais, pode levar ao afastamento definitivo das respectivas práticas.

Embora não existam dados concretos sobre o tema, os indícios apontam um custo elevado para o SUS no tratamento das afecções músculo-esqueléticas. "As artoplastias de joelho, um procedimento cirúrgico complexo que tem por objetivo a substituição da articulação, são bem comuns e parecem estar ligadas ao avanço da osteoartrose na população idosa", diz a fisioterapeuta. Para ela, essa é uma falha geral ligada à falta de conhecimento sobre o funcionamento mecânico e a história motora de cada corpo, assim como o estímulo desde as mais tenras idades aos cuidados corporais.

"Não é que os exercícios sejam contra-indicados. O que está faltando é uma avaliação prévia para se conduzir a atividade de acordo com a singularidade dos corpos. Dentro desse movimento para se resgatar um padrão de vida mais ativo, incentiva-se muito a prática voltada ao condicionamento físico, o que poderia ser substituído por um resgate do movimento lúdico", comenta.

A busca pelo corpo perfeito também leva professores de educação física e personal trainers a exagerarem na dose. "Às vezes, alguns desses profissionais nas academias cobram maior desempenho dos alunos: 'vamos lá', 'deixa de preguiça', sem levar em conta que cada pessoa tem seus limites. Assim o aluno termina por se esforçar além do que sua estrutura física pode suportar o que, muitas vezes, pode precipitar processos inflamatórios e degenerativos, e quando não, provocar reações das mais variadas formas como, por exemplo, a total ojeriza a qualquer tipo de atividade física. Tudo isso tem levado alguns pesquisadores a se perguntarem se vale mesmo a pena deixar de ser sedentário", descreve.

O problema também atinge as crianças. Segundo a pesquisadora, algumas articulações do corpo terminam de se desenvolver por volta dos 14 anos, quando o último osso, a tíbia (da perna), se calcifica. "Mesmo na escola, a criança pratica esportes de impacto, como futebol, vôlei e basquete, que a obriga a pular, correr, arrancar e parar bruscamente. Essas atividades, dependendo da carga, geram um estresse compressivo e torsional que desgasta a superfície articular. O processo pode se tornar crônico e desgastar o osso. Eventualmente, isso pode levar, além da dor, à incapacidade funcional", explica. E relembra: "A função essencial da educação física deveria não objetivar o alcance de metas recordes, mas um bom contato com o corpo. Assim, uma noção básica de mecânica corporal deveria começar cedo no período escolar".

por Sarita Coelho

Fiocruz


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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