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Meio Ambiente/Ecologia

Mapeamentos vegetais auxiliam políticas públicas ambientais

27/09/2004


Identificar espécies vegetais, percorrer áreas remanescentes e abandonadas das cidades e levantar dados para pesquisa não são mais atitudes que interessam apenas a pesquisadores de universidades ou institutos de pesquisa. O mapeamento da vegetação urbana é hoje um instrumento que permite a elaboração de políticas públicas ambientais, em pequenas e grandes cidades. A poucas semanas das eleições municipais em todo o país, a Fundação SOS Mata Atlântica disponibiliza em seu site a Plataforma Ambiental 2004 aos municípios, prefeitos e vereadores, que oferece aos eleitores sugestões, dados e conceitos sobre saneamento ambiental, desenvolvimento sustentável, educação e saúde. O objetivo é permitir que o internauta conheça quais as responsabilidades das prefeituras e câmaras municipais em relação ao meio ambiente. O documento aponta diretrizes para uma agenda ambiental local em mais de 3.400 cidades localizadas no bioma Mata Atlântica.

A partir de estudos realizados por especialistas, a Plataforma foi elaborada com os mesmos princípios do Atlas dos Municípios do SOS Mata Atlântica, concluído esse ano pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A idéia é transformar os mapeamentos em formas de pressão política. "Quando há dados é possível discutir. Sem isso, qualquer um argumenta e pode alterar o entorno de áreas remanescentes, prejudicando o que ainda existe", afirma a pesquisadora Dionete Santin, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) da Unicamp, que realizou em cinco anos o mapeamento da vegetação remanescente de Campinas, em sua tese de doutorado concluída em 1999.

Com os dados da pesquisa, Santin encaminhou pedidos de tombamento dessas áreas, juntamente com o engenheiro agrônomo do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) Luiz Mathes. Restam apenas 2,55% da vegetação original campineira (cerca de 2 mil hectares) localizados em bosques, parques, áreas isoladas de fragmentos vegetais remanescentes, e 75% dessa vegetação já foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc), em decisão inédita em 2003. O tombamento é um mecanismo político para exigir que o entorno do bem tombado - faixa de 100 a 300 metros - seja disciplinado, proibindo, por exemplo, a construção de prédios que podem incidir sombra sobre a mata.

"É necessário que o poder público tenha como meta recuperar a vegetação. Agora já estamos num ponto de conserto, e não de prevenção. Os levantamentos servem para fazer esses alertas", destaca Santin. A pesquisadora defende a recomposição das matas ciliares urbanas como mecanismo de recuperação vegetal e dos lençóis freáticos. Santin participa do Plano de Gestão Urbana de Barão Geraldo, distrito de Campinas, onde sugeriu estabelecimento de parques lineares - plantio ao longo do curso d'água. Alguns trechos já foram feitos, em administrações públicas passadas. A pesquisadora também participou da elaboração do parque linear da Praça Arautos da Paz, em Campinas, que será inaugurada no dia 25 de setembro.

"Os dados do Atlas SOS Mata Atlântica dão o sinal de que a situação está crítica", diz Santin, que defende a continuidade do estudo na cidade de Campinas e em outras cidades. "Essas áreas são importantes porque guardam a flora rica em espécies raras, mostra a biodiversidade da região. Poucas áreas têm um estudo sobre o que há nelas. É preciso que se vá lá para medir cada árvore, anotar seu nome, colocar plaquinha com número, contar quantas são de cada espécie, quantas são nativas etc", explica.

O Atlas dos Municípios da Mata Atlântica identifica que existem apenas 3,41% da Mata Atlântica na Região Metropolitana de Campinas. A cidade de Hortolândia, por exemplo, teve 100% de sua vegetação nativa devastada. Vinhedo mantém o maior índice de preservação, com 10,78% da mata remanescente. Restam hoje apenas 7% de toda a Mata Atlântica original, numa área originalmente de 1.360.000 km2, que era o equivalente a 15% do território nacional.

No estado de São Paulo, outras cidades do interior também já tomaram iniciativas isoladas de mapeamento da expansão urbana. É o caso de Analândia, que realizou estudo sobre as mudanças ambientais locais entre 1970 e 2004 para subsidiar planejamento urbano. Da mesma forma, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) realizou estudos sobre as áreas verdes de Rio Claro. A idéia do parque linear como forma de recuperação das matas ciliares também foi adotada em São José do Rio Preto (Parque Setorial), em Santo André (Parque Central) e na cidade de São Paulo (parque linear ao longo do Rio Itaquera, Córrego do Tanque e Vargem Grande, Rio Jurubatuba). Fora do Estado, há exemplos em Porto Alegre, em Curitiba (Parque Barigui), no Rio de Janeiro (Parques Prof. Mello Barreto e Gleba E), além de iniciativas em Juiz de Fora, Belo Horizonte, Goiânia e Dourados. Fora do Brasil, a intervenção urbana em forma de parques para unificar áreas remanescentes fragmentadas e recuperar vegetação degradada também ocorre em Paris (França) e Ourém (Portugal).

Biomas brasileiros
Em setembro de 2005 deverá estar concluído o projeto de mapeamento de cobertura vegetal dos seis biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Campos Sulinos). Financiado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), o trabalho fará levantamento detalhado dos remanescentes. O objetivo é o mesmo da iniciativa da Plataforma Ambiental aos Municípios lançada pelo SOS Mata Atlântica: fornecer instrumentos para formulação de políticas públicas, além de possibilitar o melhor uso da biodiversidade do país.

O projeto da Plataforma Ambiental aos Municípios foi lançado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com a Rede de ONGs da Mata Atlântica, a Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma) e o Fórum Brasileiro de ONGs.

 
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