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Pneumologia/Pulmão

Baixa umidade relativa do ar prejudica

09/10/2004


 

O ms de setembro foi marcado por baixos ndices de Umidade Relativa do Ar (URA) - menos de 30% em algumas regies do pas - o que motivou a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministrio da Integrao Nacional, a alertar rgos de defesa civil de vrios estados do Sudeste, Centro-Oeste e Norte para orientar medidas preventivas para minimizar os efeitos das baixas taxas de URA na populao. De acordo com o pneumologista Clvis Botelho, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a baixa umidade pode prejudicar as vias respiratrias. O aparelho respiratrio trabalha bem, sem maiores gastos de energia, com a URA at 60%. Abaixo disto, exige-se maior trabalho do aparelho respiratrio em todos os indivduos. Os estados do Mato Grosso e Gois chegaram a apresentar ndices de URA iguais a 10%.

A sensibilidade s variaes de umidade aumentam em pessoas portadoras de algum tipo de doena brnquica, tais como asma ou doena pulmonar obstrutiva crnica (DPOC). "Para quem no tem problemas no pulmo, s h motivo para se preocupar quando a URA estiver abaixo de 30%. Porm, para os portadores de quaisquer tipos de doena respiratria, deve-se ficar alerta para valores abaixo de 60%", afirma Botelho. O pesquisador ressalta que a imprensa tem divulgado apenas os limites de ateno entre 20 a 30% da URA, o que, para pessoas que tm problemas no pulmo, no tm nenhuma validade cientfica. "O doente tem que ser considerado de forma diferenciada. Apenas considerando os asmticos so cerca de 10% da populao", alerta.

O baixo ndice de umidade relativa do ar um fenmeno tpico de primavera. Segundo Fbio Gonalves, pesquisador do Departamento de Cincias Atmosfricas do Instituto Astronmico e Geofsico da Universidade do So Paulo (USP), a ausncia de chuvas de vero, que trazem umidade da Amaznia, faz com que as massas de ar seco sejam aquecidas pelo Sol, gerando muito calor e baixa umidade relativa. "A regio central do Brasil sempre a mais afetada, incluindo o interior de So Paulo. O sudeste e o centro-oeste so caracterizados por invernos secos e incio de primavera com perodos tipicamente quentes e secos", explica.

Para o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Antonio Divino Moura, este ano foi muito mais seco que o normal e no pode ser tomado como mdia para casos futuros. "As baixas umidades ocorrem todos os anos, normalmente de maio a setembro, com a dominncia da alta presso atmosfrica sobre toda a regio dos cerrados", explica Moura. Neste ano, a ao dessa alta presso foi mais prolongada, o que tornou mais forte os efeitos da baixa umidade, com impactos na sade pblica e ocorrncia de queimadas devido sequido das pastagens. "Nas reas marginais das estradas, os incndios so muitas vezes provocados por ao do homem ao atirar pontas de cigarros acesos no capim seco", acrescenta.

A baixa URA est associada a outras variveis climticas, como o aumento da temperatura e a menor velocidade dos ventos, o que aumenta a concentrao dos poluentes primrios e secundrios no ar inspirado, como gs carbnico, dixido de enxofre, hidrocarbonetos, entre outros. Por isso, o cuidado com a sade deve ser aumentado.

Segundo Botelho, o ar alveolar necessita de umidade de 97% e temperatura entre 36,5 e 37 C, para efetuar as trocas gasosas (hematoses), com menor gasto energtico possvel. "Quando isto no ocorre, como no caso da baixa URA, o aparelho respiratrio realiza um esforo maior para que o ar chegue nos alvolos em condies ideais, gerando maior desgaste", explica.

No caso das doenas especficas do aparelho respiratrio, o indivduo acometido reage anormalmente a uma gama variada de estmulos irritativos e/ou inflamatrios. As mucosas respiratrias ficariam mais sensveis s agresses sofridas pelo processo respiratrio, que agiriam como inmeros "gatilhos" em toda a via area. Este processo acaba facilitando o desencadeamento de crises asmticas. "Como conseqncia, h uma maior demanda nos servios de sade", ressalta Botelho.

O pneumologista lembra que estas alteraes so mais comuns nas crianas, pela imaturidade do seu sistema de defesa tanto local (da via area) quanto sistmica, nos idosos e nos adultos fumantes, pela deficincia nas suas defesas naturais.

Em condies com baixa umidade relativa do ar, deve-se evitar a prtica de exerccios fora de ambientes climatizados, alm de umidificar os ambientes, principalmente aqueles em que se fica a maior parte do tempo, como local de trabalho e dormitrio. Para os portadores de asma ou DPOC, devem ser acrescidos os cuidados especficos, como hidratao por meio de instilao direta nas narinas de soluo fisiolgica e fazer inalao (aerossol) com soro fisiolgico. Recomenda-se ainda que se busque orientao mdica para possveis ajustes nas doses dos medicamentos utilizados.

 

 
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