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Pneumologia/Pulmão

Baixa umidade relativa do ar prejudica aparelho respiratório

14/10/2004


 

O mês de setembro foi marcado por baixos índices de Umidade Relativa do Ar (URA) - menos de 30% em algumas regiões do país - o que motivou a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, a alertar órgãos de defesa civil de vários estados do Sudeste, Centro-Oeste e Norte para orientar medidas preventivas para minimizar os efeitos das baixas taxas de URA na população. De acordo com o pneumologista Clóvis Botelho, pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a baixa umidade pode prejudicar as vias respiratórias. O aparelho respiratório trabalha bem, sem maiores gastos de energia, com a URA até 60%. Abaixo disto, exige-se maior trabalho do aparelho respiratório em todos os indivíduos. Os estados do Mato Grosso e Goiás chegaram a apresentar índices de URA iguais a 10%.

A sensibilidade às variações de umidade aumentam em pessoas portadoras de algum tipo de doença brônquica, tais como asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). "Para quem não tem problemas no pulmão, só há motivo para se preocupar quando a URA estiver abaixo de 30%. Porém, para os portadores de quaisquer tipos de doença respiratória, deve-se ficar alerta para valores abaixo de 60%", afirma Botelho. O pesquisador ressalta que a imprensa tem divulgado apenas os limites de atenção entre 20 a 30% da URA, o que, para pessoas que têm problemas no pulmão, não têm nenhuma validade científica. "O doente tem que ser considerado de forma diferenciada. Apenas considerando os asmáticos são cerca de 10% da população", alerta.

O baixo índice de umidade relativa do ar é um fenômeno típico de primavera. Segundo Fábio Gonçalves, pesquisador do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade do São Paulo (USP), a ausência de chuvas de verão, que trazem umidade da Amazônia, faz com que as massas de ar seco sejam aquecidas pelo Sol, gerando muito calor e baixa umidade relativa. "A região central do Brasil é sempre a mais afetada, incluindo o interior de São Paulo. O sudeste e o centro-oeste são caracterizados por invernos secos e início de primavera com períodos tipicamente quentes e secos", explica.

Para o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Antonio Divino Moura, este ano foi muito mais seco que o normal e não pode ser tomado como média para casos futuros. "As baixas umidades ocorrem todos os anos, normalmente de maio a setembro, com a dominância da alta pressão atmosférica sobre toda a região dos cerrados", explica Moura. Neste ano, a ação dessa alta pressão foi mais prolongada, o que tornou mais forte os efeitos da baixa umidade, com impactos na saúde pública e ocorrência de queimadas devido à sequidão das pastagens. "Nas áreas marginais das estradas, os incêndios são muitas vezes provocados por ação do homem ao atirar pontas de cigarros acesos no capim seco", acrescenta.

A baixa URA está associada a outras variáveis climáticas, como o aumento da temperatura e a menor velocidade dos ventos, o que aumenta a concentração dos poluentes primários e secundários no ar inspirado, como gás carbônico, dióxido de enxofre, hidrocarbonetos, entre outros. Por isso, o cuidado com a saúde deve ser aumentado.

Segundo Botelho, o ar alveolar necessita de umidade de 97% e temperatura entre 36,5 e 37º C, para efetuar as trocas gasosas (hematoses), com menor gasto energético possível. "Quando isto não ocorre, como no caso da baixa URA, o aparelho respiratório realiza um esforço maior para que o ar chegue nos alvéolos em condições ideais, gerando maior desgaste", explica.

No caso das doenças específicas do aparelho respiratório, o indivíduo acometido reage anormalmente a uma gama variada de estímulos irritativos e/ou inflamatórios. As mucosas respiratórias ficariam mais sensíveis às agressões sofridas pelo processo respiratório, que agiriam como inúmeros "gatilhos" em toda a via aérea. Este processo acaba facilitando o desencadeamento de crises asmáticas. "Como conseqüência, há uma maior demanda nos serviços de saúde", ressalta Botelho.

O pneumologista lembra que estas alterações são mais comuns nas crianças, pela imaturidade do seu sistema de defesa tanto local (da via aérea) quanto sistêmica, nos idosos e nos adultos fumantes, pela deficiência nas suas defesas naturais.

Em condições com baixa umidade relativa do ar, deve-se evitar a prática de exercícios fora de ambientes climatizados, além de umidificar os ambientes, principalmente aqueles em que se fica a maior parte do tempo, como local de trabalho e dormitório. Para os portadores de asma ou DPOC, devem ser acrescidos os cuidados específicos, como hidratação por meio de instilação direta nas narinas de solução fisiológica e fazer inalação (aerossol) com soro fisiológico. Recomenda-se ainda que se busque orientação médica para possíveis ajustes nas doses dos medicamentos utilizados.

 

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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