Dermatologia/Pele - Alopecia androgenética
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Dermatologia/Pele

Alopecia androgenética

15/10/2004

 

Autor: Robert Feinstein, MD, Professor Clínico Associado do Departamento de Dermatologia do College of Physicians and Surgeons da Universidade da Colúmbia.

Informações básicas
A alopecia androgênica é um transtorno extremamente comum que afeta homens e mulheres. A incidência, em geral, é considerada maior no sexo masculino, embora algumas evidências sugiram que as aparentes diferenças de incidência possam ser um reflexo de distinta expressão nos sexos masculino e feminino. Esse distúrbio geneticamente determinado é progressivo, iniciando-se pela conversão gradual dos cabelos terminais em cabelos indeterminados para terminar em cabelos em velos. Os pacientes têm uma redução, normalmente, na proporção de, pelo menos, 2 (cabelos terminais):1 (velo). Após a miniaturização dos folículos, restam os tratos fibrosos. Os pacientes com esse distúrbio geralmente têm uma distribuição típica de queda de cabelos.

História

  • Início gradual.
  • Homens evidenciam rareamento nas áreas temporais, produzindo um remodelamento da linha capilar anterior.
    - A evolução da calvície progride, na maior parte, de acordo com a classificação de Norwood/Hamilton de rareamento frontal e do vértice.
  • As mulheres, por outro lado, geralmente se apresentam com rareamento difuso na parte superior da cabeça.
    - Ocorre recuo bitemporal nas mulheres, porém, geralmente, em menor grau do que nos homens. As mulheres, em geral, mantêm uma linha frontal dos cabelos.

Exame físico
Na alopecia androgênica em ambos os sexos, há uma transição gradual de cabelos terminais compridos pigmentados e espessos para cabelos em velos não-pigmentados, finos, fracos e curtos nas áreas envolvidas. À medida que o distúrbio evolui, há um encurtamento da fase do anágeno, permanecendo a fase do telógeno constante. Em decorrência, há mais cabelos na fase do telógeno, e o paciente pode observar um aumento da queda de cabelos. O resultado final pode ser uma área de total desnudamento, que varia de paciente para paciente, mas geralmente é mais acentuada no vértice.
As mulheres com alopecia androgênica, em geral, perdem cabelos difusamente na parte superior da cabeça. Isso produz um rareamento gradual dos cabelos, e não uma área de calvície acentuada.
A linha frontal de implantação dos cabelos costuma ficar preservada nas mulheres com esse distúrbio, enquanto nos homens observa-se um recuo gradual da linha frontal de implantação dos cabelos precocemente no processo.

Causas
A alopecia androgênica é uma afecção geneticamente determinada. O andrógeno é necessário para a progressão do distúrbio, já que não é encontrado em machos castrados antes da puberdade. A progressão do distúrbio cessa se machos pós-púberes forem castrados. Postula-se que a alopecia androgênica seja um distúrbio com herança dominante e penetrância e expressão variáveis. No entanto, pode ser de herança poligênica.

Estudos laboratoriais
Os aspectos mais importantes são a história e o exame físico.

  • No caso de mulher, se houver evidência de virilização, pode ser pedida a análise laboratorial de sulfato de DHEA e de testosterona. Alguns autores têm sugerido que a testosterona total possa apenas ser adequada para triar um tumor virilizante.
  • Se houver suspeita de distúrbio da tireóide, estará indicada análise laboratorial do nível de TSH.
  • Se estiver presente eflúvio do telógeno, pode ser indicada a análise laboratorial dos níveis de ferro no sangue ou uma biópsia para observar algum distúrbio papuloescamoso subjacente. O eflúvio do telógeno pode acelerar a evolução da alopecia-padrão. A deficiência de ferro é causa comum e reversível de eflúvio do telógeno. Hemograma normal não exclui deficiência de ferro como causa da queda de cabelos. Conquanto a ferritina baixa seja sempre um sinal de deficiência de ferro, ela se comporta como reagente de fase aguda, podendo ser normal apesar da deficiência de ferro. Exames de ferro, TIBC e saturação de transferrina são baratos e sensíveis para deficiência de ferro.
  • A alopecia em áreas difusa pode simular a alopecia-padrão. A presença de cabelos em "pontos de exclamação" (afilados perto da extremidade proximal), unhas com minúsculas depressões ou antecedentes de novos crescimentos periódicos ou fraturas afiladas observados nas contagens de cabelos sugere o diagnóstico de alopecia em áreas difusa.

Achados histológicos
Raramente será necessária biópsia para fazer o diagnóstico. Alguns dermatopatologistas recomendam que, se tiver de ser feita uma biópsia, deverão ser diagnosticados dois pontos: um para corte horizontal e outros para corte vertical dos folículos pilosos. Outros dermatologistas destacam que comumente se possam obter informações suficientes de vários cortes verticais seqüenciais para diagnosticar a afecção. Na alopecia-padrão, vê-se um aumento dos cabelos em velo, podendo ser encontrados remanescentes fibrosos das bainhas das raízes (as chamadas "bandeirolas") abaixo dos folículos miniaturizados. Embora a alopecia androgênica possa ser considerada uma forma não-inflamatória de queda de cabelos, por vezes, observa-se um infiltrado inflamatório superficial perifolicular. Na doença de longa duração, o tecido conjuntivo pode substituir completamente as estruturas foliculares. Costuma ser observada uma relação telógeno-anágeno discretamente elevada.

Atendimento clínico
Há somente dois medicamentos comprovados e aprovados pelo FDA atualmente à disposição para o tratamento de alopecia androgênica: o minoxidil e a finasterida.
Minoxidil: Embora o método de ação seja essencialmente desconhecido, o medicamento parece prolongar a duração do anágeno e aumentar a irrigação do folículo. O novo crescimento é mais pronunciado no vértice que nas áreas frontais, e não é observado por pelo menos quatro meses. É necessário continuar o tratamento tópico indefinidamente com o medicamento, pois a interrupção do tratamento produz rápida reversão para o padrão pré-tratamento da calvície. Os pacientes que respondem melhor a esse medicamento são aqueles que têm início recente da alopecia androgênica e pequenas áreas de queda de cabelos. O agente é comercializado em solução a 2% ou a 5%, sendo a solução a 5% um tanto mais eficaz. Em geral, as mulheres respondem melhor ao minoxidil tópico que os homens. Deve-se observar que a solução a 5% é comercializada somente para homens, pois o aumento da eficácia da solução a 5% não ficou evidente para mulheres nos estudos controlados pelo FDA. Ademais, a incidência de crescimento de pêlos faciais parece aumentar com o uso da formulação de concentração mais alta.
Finasterida: Essa medicação é dada por via oral e é um inibidor tipo 2 da 5-alfa-redutase. Não é um antiandrógeno. O agente pode ser usado somente em homens, pois pode produzir genitália ambígua no feto masculino em desenvolvimento. A finasterida demonstrou diminuir a progressão da alopecia androgênica nos homens tratados e, em muitos pacientes, estimula um novo crescimento. Embora afete a calvície do vértice mais do que a queda de cabelos frontal, a medicação tem demonstrado aumentar o novo crescimento também na área frontal. A finasterida deve ser continuada indefinidamente, pois a interrupção resulta em progressão gradual do distúrbio. Um estudo em mulheres pós-menopáusicas não indicou efeito benéfico da medicação no tratamento da alopecia androgênica feminina.
Medicamentos não aprovados pelo FDA, mas potencialmente úteis: Em mulheres com alopecia androgênica, especialmente aquelas com um componente de hiperandrogenismo, os medicamentos que atuam como supressores ou antagonistas dos andrógenos (espironolactona e contraceptivos orais) podem ter algum benefício.
A alopecia androgênica é muito comum, não sendo, portanto, surpreendente que possa acompanhar outras formas de queda de cabelos. Costumam ocorrer casos de eflúvio do telógeno em pacientes com alopecia androgênica subjacente. Portanto, deve-se fazer uma pesquisa de causas tratáveis de eflúvio do telógeno (como anemia ou hipotireoidismo), especialmente em pacientes com início abrupto ou progressão rápida de sua doença.

Cuidados cirúrgicos
O tratamento cirúrgico da alopecia androgênica tem sido realizado com sucesso nas quatro últimas décadas. Embora os resultados cosméticos costumem ser satisfatórios, o principal problema é cobrir a área calva com tampões (ou folículos) do doador em número suficiente para ter efeito. Tem sido tentada a redução do couro cabeludo a ser coberto por transplante de cabelos.
Existem técnicas de entrelaçamento capilar e, juntamente com apliques de cabelos, um método de cobertura por prótese.
Somente dois medicamentos mostraram ser eficazes no tratamento de alopecia androgênica. O minoxidil é aplicado topicamente em solução a 2% ou a 5%, e a finasterida é tomada por via oral.

Referências
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