Laser - Laser Nd:YAG Q-switched
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Laser

Laser Nd:YAG Q-switched

15/10/2004

 

O laser de Nd:YAG Q-switched foi explorado antecipando-se que seu comprimento de onda mais longo (1.064 nm) aumentaria a penetração dérmica e diminuiria a absorção de melanina, assim melhorando a resposta das tatuagens resistentes a QSRL e evitando as alterações pigmentares. Um relato inicial sobre 20 tatuagens profissionais e 3 amadoras em 4 sessões de tratamento mostrou que o laser de Nd:YAG é igual ao QSRL na remoção de tatuagens azuis-negras com 6 J/cm2. Foram mais comuns a hipopigmentação e a alteração da textura da pele com QSRL. Os pigmentos verdes e vermelhos não foram removidos com o laser de Nd:YAG de 1.064 nm; entretanto, uma parte dos pigmentos verdes foi removida com o QSRL.
A capacidade do laser Nd:YAG Q-switched (1.064 nm, 10 ns, 5 Hz) para remover pigmento em tatuagens resistentes a QSRL foi avaliada no tratamento de 28 tatuagens (23 profissionais e 5 amadoras), usando fluências de 6 J/cm2 a 12 J/cm2 com ponteira de 2,5 mm. Na maioria dos pacientes, observou-se mais de 50% de clareamento da tinta residual da tatuagem com o primeiro tratamento, sendo melhores os resultados com fluências mais altas. Infelizmente, as fluências mais altas (12 J/cm2) e os pulsos mais curtos (10 ns) resultaram em mais restos teciduais e sangramento. Foi necessário um escudo plástico para promover segurança ao operador do laser.

Dose-resposta
Kilmer e cols. investigaram tatuagens resistentes ao QSRL e não tratadas num estudo prospectivo, cego de dose-resposta, usando o laser Nd:YAG Q-switched. Foram tratadas, em quadrantes, 25 tatuagens profissionais e 14 feitas por amadores, usando 6, 8, 10 e 12 J/cm2 e ponteira de 2,5 mm. Foram realizadas quatro sessões de tratamento em intervalos de 3 a 4 semanas. Foi vista a remoção de mais de 75% da tinta em 77% das tatuagens negras, sendo maior que 95% em 28% das tatuagens (11 de 39 pacientes) tratadas com 10 J/cm2 a 12 J/cm2. Não se viu diferença significativa na resposta de tatuagens previamente não tratadas e nas tatuagens resistentes a QSRL.
O tratamento na fluência mais alta (12 J/cm2) provou ser mais eficaz (p < 0,01) para remover tinta de tatuagem negra do que 6 J/cm2 e 8 J/cm2. Tintas verde, amarela, branca e vermelha resistiram ao tratamento e desapareceram em 25% ou menos depois de 4 sessões de tratamento. Tintas roxa e laranja responderam minimamente. Embora fossem observadas alterações de textura durante o curso do tratamento, estas desapareceram com o passar do tempo e somente 2 de 39 tatuagens foram graduadas com alterações de textura em traços presentes. Não se observou hipopigmentação e houve apenas um caso de hiperpigmentação. Esses resultados foram semelhantes aos relatados por Ferguson e August.

Resultados
A biópsia de tatuagens tratadas revelou fragmentação de partícula de tinta preta até 1,5 mm abaixo da superfície. Foi vista pouca ou nenhum fibrose na derme superficial. Ademais, as biópsias demonstraram que, depois da remoção clínica da tatuagem, a tinta permaneceu na derme, conforme relatado com o QSRL.
Kilmer e cols. observaram que, apesar do aumento do sangramento e dos respingos de tecido, a falta de cicatrizes clínicas e histológicas é, mais provavelmente, atribuível à falta de lesão térmica do colágeno. A derme e a epiderme sofrem lesão mecânica pela onda fotoacústica, mas esse trauma, aparentemente, é reparável. As alterações de textura, em geral, se resolvem em 4 a 6 semanas, sugerindo um intervalo de tratamento ótimo de 6 semanas ou mais.
Os autores também observaram um lampejo vivo de luz branca proveniente da tatuagem durante a exposição ao laser. Como a luz de 1.064 nm não é visível, este lampejo deve ser decorrente de uma incandescência do plasma induzida pelo laser ou de uma incandescência de partículas de tinta da tatuagem. Ambas implicam temperaturas acima de 500°C.
O laser de Nd:YAG Q-switched oferece grande vantagem no tratamento de pacientes com pele mais escura. Jones e cols. e Grevelink e cols. demonstraram remoção eficaz da tatuagem com hipo ou hiperpigmentação mínima. Isto proporciona um benefício significativo sobre o QSRL para pacientes com pele mais escura nos quais a absorção de melanina é um obstáculo.

Resumo
O laser de Nd:YAG Q-switched é mais eficaz na remoção de tinta negra, criando raras alterações de textura e quase nenhuma hipopigmentação. Esses avanços são atribuíveis ao comprimento de onda mais longo, fluência mais alta e largura de pulso mais curta. Esses mesmos fatores causam mais sangramento e respingos de tecido durante o tratamento, tornando-o mais incômodo. A taxa de repetição mais rápida (1 Hz a 10 Hz) encurta a sessão de tratamento, embora o feixe de luz seja menor (4 mm contra 5 mm a 6,5 mm para o QSRL). Atualmente, existem ponteiras maiores que 6 mm com os novos Nd:YAG de energia mais alta, os quais também possibilitam a penetração mais profunda e o tratamento mais eficaz de tatuagens profundas e densas. Estes feixes de luz minimizam o dano epidérmico e diminuem o sangramento, os respingos teciduais e as alterações transitórias da textura. Muitas vezes, são precisos poucos cuidados para com a ferida.
A desvantagem primária do comprimento de onda de 1.064 nm é a faixa de cores limitada, que se restringe, basicamente, ao pigmento de tatuagem negro e azul-escuro/negro. No entanto, um cristal de freqüência dobrada é adaptado a este laser, proporcionando um comprimento de onda de 532 nm, específico para o tratamento da tinta vermelha (75% de remoção do pigmento em 3 sessões). Os pigmentos laranja e alguns roxos têm respostas semelhantes. No entanto, a tinta amarela responde mal, presumivelmente em virtude de sua dramática queda de absorbância de 510 nm a 520 nm.
Em virtude da absorbância do comprimento de onda de 1.064 nm do laser pela melanina e a hemoglobina, ocorre formação de vesículas e púrpura freqüentemente.

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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