-
Esta página já teve 132.449.409 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.706 acessos diários
home | entre em contato
 

Biotecnologia/Tecnologia/Ciências

Há cerca de 20 anos foi descoberta a existência do He-6

18/10/2004

Fusão frágil



Eduardo Geraque escreve para a ‘Agência Fapesp’!

Há cerca de 20 anos foi descoberta a existência do He-6. Esse átomo de hélio, com quatro nêutrons e dois prótons, tinha um tamanho maior do que os núcleos conhecidos até o momento, o que levou os cientistas da época a imaginarem que, com esses elementos, o processo de fusão nuclear poderia ser acelerado.

‘Mas essas partículas especiais são, na realidade, frágeis demais e se quebram antes de fundirem com outro núcleo’, explicou Alinka Lépine-Szily, professora do Instituto de Física da Universidade de SP, à ‘Agência Fapesp’.

A cientista é uma das autoras de um estudo que procurou medir se os átomos do He-6 aceleravam ou não a fusão. A pesquisa, liderada por Ricardo Raabe, da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, e David Hinde, da Universidade National da Australia, conta ainda com cientistas da França, Itália e Polônia.

Os resultados estão sendo publicados na edição desta quinta-feira (14/10) da revista Nature.

Os pesquisadores realizaram uma série de experimentos no Centro de Pesquisas do Cíclotron, em Louvain-la-Neuve, na Bélgica. Na prática, o que se fez foi queimar átomos de He-6. Nenhuma fusão extra foi detectada. O que se observou foi que os átomos de urânio usados na reação é que receberam dois nêutrons dos núcleos de hélio.

Alinka explica que a natureza extremamente delicada de tais núcleos havia tornado difícil uma resposta clara a essa questão. Foi apenas agora, com o estudo do qual participou, que se conseguiu descobrir que o átomo de hélio superpesado não aumenta a possibilidade de que uma fusão nuclear ocorra. ‘Levou muitos anos até se chegar ao avanço técnico para medir esse processo em laboratório’, disse.

O núcleo normal de hélio é formado por dois prótons (cargas positivas) e dois nêutrons (com a mesma massa dos prótons, mas sem carga). Os núcleos mais pesados, descobertos há 20 anos, apresentam uma espécie de halo, por causa dos dois nêutrons adicionais a eles incorporados.

‘Pensava-se que a fusão nuclear poderia ser maior exatamente por causa desse halo e isso teria grandes implicações para a nucleossíntese primordial ou mesmo para o estudo de estrelas’, explica Alinka. Segundo ela, a produção de energia por fusão também poderia ter alguma influência. ‘Imaginava-se que a chance de se fundir pudesse aumentar, não que fosse ocorrer um ganho de energia.’

A fusão nuclear é o mecanismo que une minúsculos núcleos do centro dos átomos para formar outros mais pesados. ‘Esse é o processo, por exemplo, que faz queimar o Sol e é importante também para a produção de novos elementos químicos ou para o desenvolvimento de novas fontes de energia para o futuro’, conta a professora da USP.

A fusão, que ocorre em condições sempre muito particulares na natureza, ainda continuará provocando a imaginação dos cientistas, mas é certo afirmar, ao menos por enquanto, que ‘não existe aumento de chances de ele ocorrer devido simplesmente à presença do halo no He-6’, afirma Alinka.

Agência Fapesp, 14/10


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos