Psiquiatria e Psicologia - Drogas para a esquizofrenia
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Psiquiatria e Psicologia

Drogas para a esquizofrenia

29/10/2004
Medicamentos usados






Cloropromazina
A cloropromazina é uma fenotiazina alifática. As fenotiazinas são conhecidas por ativar seus efeitos antipsicóticos e antieméticos na interferência nas vias dopaminérgicas centrais nas áreas quimiorreceptoras gatilho mesolímbicos e medulares do cérebro, respectivamente. Efeitos colaterais extrapiramidais são resultado da interação com vias dopaminérgicas dos gânglios basais. Embora freqüentemente chamados bloqueadores de dopamina, o mecanismo exato da interferência dopaminérgica responsável pela atividade antipsicótica da droga não foi determinado.

As fenotiazinas alifáticas são altamente sedativas, principalmente no início do tratamento, desenvolvendo-se posteriormente uma tolerância. A cloropromazina tem forte atividade alfa-adrenérgica bloqueadora e pode causar hipotensão ortostática. A clopromazina tem moderada atividade anticolinérgica manifestada como boca seca, visão embaçada, retenção urinária e constipação ocasionais.

A cloropromazina aumenta a secreção de prolactina devido à sua ação bloqueadora nos receptores de dopamina na pituitária e no hipotálamo. Podem ocorrer galactorréia e ginecomastia.

Clozapina
A clozapina, dibenzodiazepina, é uma droga antipsicótica atípica porque seu perfil de ligação aos receptores de dopamina e seus efeitos sobre vários comportamentos mediados pela dopamina diferem dos de outros antipsicóticos. A clozapina exerce forte atividade anticolinérgica, adrenolítica, antihistamínica e antiserotoninérgica.

Em raras ocasiões os pacientes podem manifestar uma intensificação da atividade sonhadora durante a terapia. Descobriu-se que a fase REM é aumentada para até 85% do tempo total de sono.

A clozapina é indicada unicamente à pacientes que apresentam intolerância ou não respondem ao tratamento com antipsicóticos convencionais, devido ao seu forte poder agranulocitocítico.

Haloperidol (Haldol)
O haloperidol é uma butiroferona derivada com propriedades antipsicóticas consideradas particularmente efetivas no controle da hiperatividade, agitação e mania. O mecanismo de ação do haloperidol foi atribuído à inibição do mecanismo de transporte de monoaminas cerebrais, particularmente pelo bloqueio da transmissão de impulsos em neurônios dopaminérgicos.

Risperidona.
A risperidona (Risperdal) é um bloqueador de receptores de dopamina que mostrou regular superioridade de benefícios em comparação com os antipsicóticos. Assim como a clozapina, a risperidona pode ter um efeito benéfico nos sintomas negativos. A risperidona também pode melhorar a memória de trabalho verbal, um problema comum em esquizofrênicos. Em geral, tem poucos efeitos extra-piramidais, embora podendo ocorrer em doses mais altas. Os efeitos colaterais comuns incluem a insônia, ganho de peso e vertigem.

Olanzapina.
A olanzapina (Zyprexa) pode ser mais eficiente no bloqueio da serotonina e neurotransmissores de dopamina, do que a clozapina, a que tem um risco maior para diminuição para confiscações e agranulocitoses. Os estudos indicam que pelo menos é eficiente para os sintomas agudos e possívelmente mais eficiente para os negativos do que neurolépticos típicos e que possuem um risco menor para causar sintomas extrapiramidais. A droga pode também ser benéfica para pacientes que não respondem às drogas neurolépticas. Um novo estudo sugere que a olanzapina também pode ser mais eficiente que a risperidona, particulamente na resposta para os sintomas negativos, mas ainda é necessário mais pesquisas para confirmação dos resultados. Assim como a risperidona, a olanzapina pode causar insônia, ganho de peso e vertigem. Outras drogas atípicas são a Ziprasidona e quetiapina (Seroquel - não encontrei no Vade-mécum - Brasil) que são promessas de novas drogas. A ziprasidona, que afeta a serotonina assim como a dopamina, também pode melhorar os sintomas negativos com efeitos colaterais extrapiramidais limitados. A aripiprazola e iloperidona são outras drogas atípicas em desenvolvimento.

Efeitos Colaterais da Medicação contra Esquizofrenia



Síndrome Maligna Neuroléptica
As características principais da SMN são hiperpirexia, rigidez muscular, status mental alterado (incluindo sinais catatônicos) e instabilidade autonômica (pulso irregular ou pressão sangüínea instável). Adicionalmente, podemos ter elevado CPK, mioglobinúria e falência renal aguda. A SMN é rara mas potencialmente fatal e, portanto, requere um tratamento sintomático suporte. A interrupção imediata do tratamento neuroléptico é obrigatória.

Discinesia Tardia
Uma síndrome consistindo de movimentos discinéticos involuntários e potencialmente irreversíveis pode desenvolver-se em pacientes tratados com drogas antipsicóticas convencionais. Embora a prevalência de discinesia tardia com antipsicóticos convencionais parece ser maior entre os idosos, especialmente mulheres idosas, é impossível basear-se em estimativas de prevalência para predizer, no início do tratamento, quais pacientes estão propensos a desenvolver a síndrome.

Agranulocitose
É definido como uma contagem de granulócitos abaixo de 500/mm(3).

O tratamento dos efeitos colaterais extrapiramidais.
Em geral, os efeitos colaterais extrapiramidais decorrentes das drogas neurolépticas são tratados de início, pelo médico, reduzindo a dosagem ou receitando um interruptor, droga atípica. Os efeitos extrapiramidais podem realmente assemelhar-se aos da doença de Parkinson (ocasionado por baixos níveis de dopamina), e então o médico pode prescrever drogas anticolinérgica e anti-parkinsoniana que aumentam os níveis de dopamina, ajudando a restaurar o equilíbrio. Entre os anticolinérgicos mais comuns utilizados, são o cloridrato de triexifenidila 2 ou 5 mg (Artane, Triexidyl), cloridrato de de biperideno 2 e 4 mg ampola com solução injetável, 1ml contendo lactato de biperideno 5m IM ou IV (Cinetol, Akineton) e benzotropina (não encontrei nome comercial desta droga no Vade-mécun, entretanto adicionei o cloridrato de biperideno - Akineton, comumente utilizado no Brasil). Algumas destas drogas também podem ser úteis quando administradas a sintomas negativos da esquizofrenia. O uso de anticolinérgicos, entretanto, aumenta o custo e complica o equilíbrio de sérios efeitos colaterais. Comumente causam secura na boca podendo ocorrer náuseas, visão turva, índice aumentado de batimentos cardíacos, constipação e retenção urinária em homens com aumento prostático. Os portadores de glaucoma devem utilizar estas drogas cautelosamente. Os anticolinérgicos podem causar problemas mentais significativos, incluindo perda de memória, confusão e alucinações, semelhantes aos sintomas da esquizofrenia. Elas também reagem com o álcool e anti-histamínicos. A maioria dos especialistas opõe-se ao uso de rotina de drogas antiparkisonianas para a esquizofrenia e os recomenda somente para pacientes que não podem ser controlados regularmente e para quem necessita de altas doses de antipsicóticos e correm grande risco para os efeitos colaterais desta. Os especialistas recomendam sua retirada após três ou quatro meses, se possível. Se os sintomas persistirem, as drogam podem ser substituídas. Deve ser anotado que a retirada dos anticolinérgicos podem causar depressão e exacerbar a esquizofrenia.

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