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Enxaqueca/Cefaléia/Dor de cabeça

Enxaqueca e a mente

30/10/2004
 

Existem certas condições da mente capazes de aumentar a sensibilidade à dor. Esses estados mentais podem influenciar o curso da enxaqueca e devem, portanto, receber atenção e consideração por parte do portador desse mal. Sabe-se, por exemplo, que a exaustão mental intensifica a predisposição à dor. Em contrapartida, uma atmosfera de paz e harmonia atenua essa predisposição. Quem sofre de enxaqueca, ou qualquer outra doença, deve buscar situações de relaxamento e descanso da mente, e minimizar a ocorrência de situações irritantes, que roubam enerigia e intensificam o desconforto.

Situações de depressão e desapontamento são intensificadores potentes da dor. Um indivíduo envolto num estilo de vida em que os problemas parecem infinitos, acaba não conseguindo lidar com eles e se torna frustrado e deprimido. A mesmice dos eventos aliada à sensação de incapacidade de controlar sua própria rotina, minam as reservas internas de energia. O alívio é buscado através das lágrimas.

Não há conforto quando a alegria é eternamente adiada, em favor de constantes ansiedades. Cada dor de cabeça vai se tornando mais intensa e desconfortável, e passa a ser aguardada com temor antecipado. As fases recorrentes de expectativa e tensão trazem lembranças de dores persistentes, o que serve apenas para jogar mais lenha na fogueira, criando um ciclo vicioso.


Estas situações são, muito freqüentemente, iniciadas por dois grandes problemas na vida de muitas pessoas: a solidão e o desconhecimento.

Não existe solidão maior na vida de um ser humano que a de ficar isolado em seu próprio sofrimento. E não existe sofrimento maior que a tortura mental da eterna ameaça da próxima crise, da qual não parece haver escapatória nem compreensão.

O médico tem a oportunidade diária de presenciar essa tortura mental, sempre que seu paciente lhe estende a mão com um pedido calado no fundo da sua alma: "Você pode me ajudar?" Quantas vezes, na minha experiência, a simples companhia do médico por uma ou duas horas, aliada à compreensão face ao sofrimento do paciente e a uma série de instruções e informações práticas sobre alimentação, sono e atividade física, são capazes de mudar para sempre o cenário acima e trazer nova energia, reforçar uma conscientização que o paciente deseja reter dali para frente, uma perspectiva de retomar o leme de controle sobre sua saúde e iniciar uma trilha rumo à melhora de sua doença através de mudanças de hábito, autocontrole e autoconhecimento.

...Mas por outro lado, infelizmente, quantas vezes presenciamos situações em que o médico nada tem a oferecer... exceto receitas de drogas para uso diário e analgésicos para as crises.

Minha dica deste mês é: não subestime o papel da sua mente na causa de sua doença e na recuperação de sua saúde.

Infelizmente, o termo "origem psicológica" foi muito mal empregado no passado, quando profissionais recorriam a ele como sinônimo de que a enxaqueca não é uma doença real e está apenas "na cabeça" do paciente. Mas isso é coisa do passado.

Hoje, a ciência de ponta reconhece que a perda de controle interno do indivíduo, pelas situações acima, causa e é causado por um desajuste na função das regiões do cérebro que conectam a razão à emoção, e que recebem o nome de eixo córtico-talâmico. O reajuste dessa função deve ser um dos alvos principais de qualquer profissional de saúde que visa reestabelecer a harmonia no organismo de seu paciente. Existe um grande número de estudos demonstrando que o relaxamento da mente e do corpo são capazes de diminuir a sensação subjetiva da dor, em contraste com a ansiedade e concentração nos problemas, que intensificam não apenas a dor, mas também geram um envolvimento muscular de conseqüências ainda mais dolorosas.

O tempo e a experiência me convenceram que se o paciente não estiver mentalmente preparado, e se a equipe a cargo de sua saúde desconhecer o poder da ansiedade e da incerteza, estes fatores se combinam para destruir qualquer tentativa de reestabelecimento da saúde. Tal cenário acaba sendo perfeito para a entrada sorrateira de um novo personagem - o medo - que une forças com a dor, e sobre o qual poderemos escrever mais detalhadamente num próximo boletim. A dor e o medo, estes gêmeos do mal, fortalecidos por toda uma campanha publicitária da "indústria da saúde"; por toda uma verdade mantida encoberta graças a interesses econômicos; e pela desumanidade da medicina, são capazes de destruir a estrutura e o mecanismo de regeneração das doenças em geral e da enxaqueca em particular, desperdiçando a gloriosa chance de se recuperar a saúde e a felicidade.


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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