Meio Ambiente/Ecologia - Primeiros registros revelam a riqueza de Tumucumaque
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Meio Ambiente/Ecologia

Primeiros registros revelam a riqueza de Tumucumaque

30/10/2004



Expedição na parte sul da maior reserva de floresta tropical do mundo, no Amapá, catalogou 380 espécies de fauna

Herton Escobar escreve para ‘O Estado de SP’:

Passados pouco mais de dois anos de sua criação, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Norte do País, começa a revelar suas riquezas biológicas.

Igarapés cobertos de flores, pássaros de penas coloridas e pequenos répteis de olhos arregalados, que possivelmente nunca viram um ser humano, tomam forma diante das lentes e nas anotações de campo da primeira expedição científica a desbravar a região.

Localizado na fronteira do Amapá com o Suriname e a Guiana Francesa, o parque é a maior reserva de floresta tropical do mundo, com 3,8 milhões de hectares - o suficiente para cobrir todo o Estado do Rio com selva amazônica.

A expedição terminou há exatamente um mês, mas só agora os dados de biodiversidade estão sendo consolidados. Em dez dias de observação na parte sul do parque, os pesquisadores registraram mais de 380 espécies de fauna.

Algumas foram vistas pela primeira vez no Estado. Outras podem ser espécies novas. Além disso, foram feitos registros cartográficos da região, com dados de relevo e vegetação.

"É muito mais do que uma simples lista de espécies", relata o biólogo Enrico Bernard, que coordenou a expedição pela organização ambientalista Conservação Internacional (CI).

Todas as informações coletadas, segundo ele, serão usadas na elaboração do plano de manejo do parque - documento que determina o que pode e não pode ser feito em cada região da reserva.

O trabalho faz parte de um programa de expedições científicas para mapear a biodiversidade do Amapá, cujo território ainda é 95% coberto de vegetação intocada.

Mais da metade do Estado já está protegida por unidades de conservação, das quais o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é a maior de todas. Outras quatro expedições estão previstas para a unidade, em parceria com o Instituto Nacional do Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa).

Demarcação

Criado no papel em agosto de 2002, durante o governo Fernando Henrique, o parque do Tumucumaque está lentamente passando a existir também na prática, sob a tutela de uma minúscula equipe de quatro funcionários do Ibama.

Além de acompanhar as expedições científicas, os fiscais trabalham na demarcação do parque e fazem sobrevôos da região - nos quais já identificaram 25 pistas de pouso clandestinas.

O parque está livre da atividade de madeireiros e caçadores, mas sofre com a tradicional intromissão do garimpo. "Não existe local na Amazônia onde não tenha pisado um garimpeiro", comenta Bernard. "Eles chegam a lugares que você não acredita."

O chefe do parque, Christoph Jaster, reconhece que a equipe é pequena, mas mostra-se otimista quanto à implementação da unidade. "Dois anos em termos de funcionalismo público é um piscar de olhos. Acho que estamos no caminho certo", disse.

O Ibama inaugurou recentemente um escritório em Serra do Navio - município adotado como porta de entrada do Tumucumaque - e agora trabalha com as comunidades locais na reorganização do conselho consultivo, que orienta a administração do parque.

O conselho original, segundo Jaster, era um mistério: foi formado a toque de caixa, por ninguém sabe quem e com integrantes de organizações que não tem nenhuma relação com o parque.

Um novo grupo está sendo formado neste momento a partir de um encontro em Serra do Navio, para o qual mais de 50 instituições foram convidadas. "A gestão participativa é muito importante", defende Jaster.

"Não é só o Ibama que deve decidir as coisas." Com o novo conselho empossado, a idéia é elaborar um plano de manejo e abrir o parque para o público a partir de 2006.
(O Estado de SP, 29/10)

Jornal da Ciência- SBPC


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