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Nordeste da Itália- Friuli-Venezia Giulia

15/11/2004

Friuli-Venezia Giulia: tradição e originalidade

Escondida no nordeste da Itália, num corredor estratégico entre os Bálcãs e a velha Europa, a região do Friuli-Venezia Giulia é uma das menores da península italiana, sendo a 17a pelo tamanho (7.847 hectares de superfície). Contudo, ela é mas uma das mais ricas em termos de história e de contrastes: dos celtas a Julio César, que cedeu o seu nome às montanhas "Giulia", muitos cobiçaram esse território, que foi invadido por lombardos, germanos e francos.

A Friuli-Venezia oferece simultaneamente o relevo acidentado das montanhas dos Alpes Dolomíticos, com as suas planícies ainda selvagens, e uma orla banhada pelo mar Adriático, com os seus portos formigando de atividade, e cidades modernas ao lado de ruínas antigas.

É neste quadro geográfico, que se produz um dos melhores vinhos brancos da Itália. Este vinho tem um sotaque, cuja origem leste-européia não engana a ninguém, já que a região sempre sofreu uma forte influência dos países da Europa Central, uma vez que ela fica bem mais perto de Liubliana (Eslovênia) e de Zagreb (Croácia) que de Roma.

Esta região talvez seja mais conhecida dos brasileiros por causa de dois eventos recentes: o grande terremoto de 1976 que assolou a província e deixou milhares de mortos, e a passagem do astro do futebol conhecido como Zico, que jogou nos anos 80 no time da Udinese, clube de uma das maiores cidades da região.

Os vinhedos estão localizados nas encostas dos Alpes, sobre o conjunto de colinas baixas de Collio Goriziano, que confere aos vinhos produzidos na região a sua denominação de origem controla (DOC), com as variantes Collio e Colli Orientali. Da cidade de Gorizia, na fronteira com a Eslovênia, até a vila de Tarcento, o cultivo dos vinhedos nas encostas, chamadas também de Ronchi ou Ronco, beneficia das correntes de ar fresco provenientes das montanhas e do mar Adriático, e de um micro-clima extremamente favorável.

Vale destacar a área de Carso, onde se produz o famoso vinho tinto Terrano del Carso (DOC), e que deve as suas qualidades à sua localização privilegiada, encravada nas colinas que dominam a cidade portuária de Trieste, a capital regional.
Mais ao sul, nas planícies, a denominação muda para Grave Del Friuli.

Nesta região, a produção vinícola é objeto de muita disciplina e esforços, assim como de um domínio absoluto das técnicas de produção. Existe uma grande preocupação com o rendimento, que é atualmente um dos mais baixos do país.

Os vinhos

A produção chega a 1 milhão de hectolitros, dos quais 40% são oriundos das sete denominações DOC ou DOCG. 60% dos vinhos desta produção são brancos. Existe uma miscelânea de uvas nativas e francesas. Os brancos são frutados e de boa acidez, seivosos de coração e muito bem amadurecidos, assim como os da variedade da uva local, tocai friulano, de aroma de amêndoas e de cor de palha. Estes vinhos, com as suas matizes esverdeadas, não devem ser confundidos com o Tokaj, o vinho licoroso da Hungria. Há também a uva ribolla gialla, de nome alegre e charmoso, que produz vinhos bem secos e cítricos.
O pinot griggio também tem a sua fama e os seus clientes cativos, com os seus aromas elegantes, frescos e delicados.

Vale notar também os excelentes exemplares de vinhos produzidos a partir das variedades de uva malvasia, verduzzo, chardonnay, sauvignon blanc, pinot branco, traminer e riesling.

Os tintos friulanos sempre foram leves e frutados. São melhores quando alcançam a marca de 2 a 5 anos de envelhecimento. Na sua produção, predominam as uvas merlot e cabernet franc, assim como a pinot nero e a refosco, a principal cepa nativa, também conhecida como terrano. Contudo, certas assemblages também incluem uvas cabernet sauvignon, franconia, pignolo, schiopettino (ribolla nera) e tazzelenghe.

O estilo friulano se caracteriza pelo esforço dos produtores para preservar os aromas primários dos seus vinhos - o aroma primário é aquele que define a identidade das cepas. É por esta razão que eles relutam a estagiar os vinhos brancos em tonéis de carvalho, por considerar que eles são puros e completos o suficiente.

Os vinhos friulanos atraem os palatos do mundo todo, não só pela qualidade, mas também pelo preço, um argumento decisivo na hora da compra. Quem tiver a oportunidade de experimentar um Tokai Friulano com frutos do mar terá ótimo desempenho gustativo, e com certeza se tornará um aficionado.

O Refosco é um vinho agradabilíssimo, com toques de frutas vermelhas e flores, que combina perfeitamente com pastas e carnes em geral.

Nesta região do mundo, não se conclui uma refeição sem degustar um Picolit, um vinho de sobremesa lendário, que é o orgulho de toda a região. Produzido desde 1700, este vinho de "vindima tardia" é beneficiado em pequenas barricas de carvalho da Eslovênia, mas só começa a ser desenvolvido uma vez que as uvas tiverem ressecado por um período de três meses. A sua afinação prossegue por mais dois anos em barricas, e mais um ano em garrafas.

Figos e damascos são as marcas registradas do Picolit em termos de aromas. Raro e caro, ele deve ser consumido numa temperatura de 12oC, em taças bojudas e amplas, adequadas para revelar todos os seus segredos.


Patrick de Neufville
Patricksnp@uol.com.br


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