Oftalmologia/Olhos - Novo implante de retina pode reverter cegueira
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Oftalmologia/Olhos

Novo implante de retina pode reverter cegueira

15/12/2004
Stacey Bent
Stacey Bent mostra um protótipo de novo implante de retina
 

Cientistas descreveram o primeiro modelo completo de um implante que substituirá as células sensíveis à luz na retina de uma pessoa com deficiência visual.

O novo implante será colocado na retina e converterá a luz em substâncias químicas que estimularão as células nervosas.

Os implantes usam chips que convertem a luz em impulsos elétricos que são levados ao cérebro via nervo ótico.

O protótipo do novo aparelho está sendo construído na Universidade de Stanford, na Califórnia.

Nova tentativa

Segundo Stacey Bent, da Universidade de Stanford, o aparelho é uma nova maneira de substituir uma retina danificada, ou seja, a camada de células do olho que detectam a luz e mandam sinais para o cérebro.

As células da retina podem ser destruídas por traumas ou doenças. Nos últimos anos, foram desenvolvidos implantes baseados em chips eletrônicos para substituir essas células. Esses chips transformam a luz em impulsos elétricos.

Porém, ainda há dificuldades em colocar os chips no olho de uma pessoa.

"O problema com implantes eletrônicos é que, apesar de eles serem muito bons, é difícil fazer com que sejam biocompatíveis", disse Bent.

O novo implante funciona quimicamente, e não eletronicamente.

"Em vez de usar estímulos eletrônicos de um chip que converte a luz em impulsos elétricos, nós estamos usando um implante que libera neurotransmissores assim como a retina faz normalmente."

Os pesquisadores querem que, assim que a luz atinja o chip, este libere uma pequena quantidade de fluído neurotransmissor que estimulará as células nervosas da retina.

Proteínas

O implante será formado por um material de polímero, que se adaptará à curvatura do olho.

Os componentes-chave serão células nervosas da retina forçadas a crescer atrás do chip para que elas possam ser efetivamente estimuladas.

"Nós estamos trabalhando com células pré-posicionadas na camada posterior do implante", disse Bent. Assim, elas estarão em uma melhor posição para reagir aos estímulos das células de luz sensitiva que estarão em cima delas.

De acordo com estudos realizados na última década, os cientistas acreditam saber como fazer com que as células nervosas da retina fiquem alinhadas.

A parte posterior do implante será coberta por proteínas que deverão atrair filamentos que crescem nas células da retina.

É esperado que as proteínas conectem o implante com o nervo ótico, e assim os sinais poderão ser enviados ao cérebro.

Estão sendo planejados testes do novo implante em laboratório. Se estes forem um sucesso, então testes serão feitos em animais.

BBC Brasil


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