Meio Ambiente/Ecologia - Saiba sobre a qualidade do ar
Esta página já teve 132.447.963 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.706 acessos diários
home | entre em contato
 

Meio Ambiente/Ecologia

Saiba sobre a qualidade do ar

06/01/2005

clique aqui para ver o boletim

A velocidade e a intensidade das mudanças no sistema climático da Terra, principalmente nas últimas décadas, desenham um cenário preocupante, e têm sido motivo de pesquisas dos cientistas, de adoção de medidas severas dos órgãos ambientais, e de negociações entre os líderes mundiais, para restringir a emissão de gases poluentes.

Devido ao modelo de desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, os gases causadores do efeito estufa, principalmente dióxido de carbono, têm sido lançados na atmosfera em quantidades cada vez maiores, afetando o clima do Planeta de forma imprevisível.

As conseqüências para o meio ambiente e para toda a humanidade poderão ser catastróficas, como a diminuição da cobertura vegetal, o descongelamento de geleiras e calotas polares, secas cada vez mais prolongadas, aumento da freqüência e intensidade de eventos climáticos extremos, como enchentes, furacões e tempestades, entre outros.

Até meados de 1980, a poluição atmosférica urbana era atribuída basicamente às emissões industriais, e as ações dos órgãos ambientais visavam ao controle das emissões dessas fontes. Com o rápido crescimento da frota veicular, verificou-se a enorme contribuição dessa fonte na degradação da qualidade do ar, principalmente nas regiões metropolitanas do país, o que levou o Governo Federal a instituir o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores - Proconve.

Visando a redução gradativa da parcela de contribuição das emissões de poluentes de origem veícular, várias medidas preconizadas pelo Proconve já foram tomadas pelas montadoras (uso de injeção eletrônica e catalisador) e pelas fornecedoras de combustível (retirada do chumbo da gasolina e menor teor de enxofre no diesel).

No Estado do Rio de Janeiro a qualidade do ar é tratada desde 1967, quando foram instaladas as primeiras estações de monitoramento. Desde então, várias ações foram desenvolvidas e implementadas: eliminação dos incineradores domésticos, substituição do combustível usado nas padarias e em indústrias, controle, inclusive com a desativação, de várias pedreiras situadas na Região Metropolitana, restrição de passagem de veículos pesados nos túneis da cidade, entre outras.

Para controlar a poluição veicular e assegurar que os veículos sejam mantidos regulados, Feema e Detran assinaram um acordo de cooperação técnica e implantaram, em 1997, um Programa de Inspeção e Manutenção dos Veículos em uso, para medir os gases poluentes emitidos pelos veículos automotores por ocasião de sua vistoria anual.

Monitoramento da Qualidade do Ar

O monitoramento da qualidade do ar é realizado para determinar o nível de concentração dos poluentes presentes na atmosfera. Os resultados obtidos não só permitem um acompanhamento sistemático da qualidade do ar na área monitorada, como também se constituem em elementos básicos para elaboração de diagnóstico da qualidade do ar, visando subsidiar as ações governamentais no que toca ao controle das emissões, com vistas à saúde e melhoria da qualidade de vida da população.

Os resultados da rede de monitoramento das regiões Metropolitana e do Médio Paraíba são divulgados diariamente e mensalmente, por meio do Boletim de Qualidade do Ar, e anualmente, pelos relatórios e trabalhos publicados.

Poluentes Atmosféricos

"Entende-se como poluente atmosférico qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e quantidade, concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar: impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde; inconveniente ao bem-estar público; danoso aos materiais, à fauna e flora; prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e as atividades normais da comunidade". (Resolução Conama nº 03/90).

Numerosos esquemas de classificação podem ser delimitados para a variedade de poluentes que podem estar presentes na atmosfera. A determinação sistemática da qualidade do ar está restrita a um grupo de poluentes universalmente consagrados como indicadores da qualidade do ar, devido a sua maior freqüência de ocorrência e pelos efeitos adversos que causam ao meio ambiente. São eles: dióxido de enxofre (SO2), partículas em suspensão (PTS), monóxido de carbono (CO), oxidantes fotoquímicos expressos como ozônio (O3), hidrocarbonetos totais (HC) e óxidos de nitrogênio (NOX).

Efeitos na Saúde

De maneira geral, os efeitos dos gases poluentes na saúde humana estão intimamente associados à sua solubilidade nas paredes do aparelho respiratório, fato este que determina a quantidade do poluente capaz de atingir as regiões mais distais dos pulmões.

Há evidências de que o dióxido de enxofre agrava as doenças respiratórias pré-existentes e contribui para seu aparecimento. O dióxido de nitrogênio, devido à sua baixa solubilidade, é capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório, podendo dar origem às nitrosaminas, algumas das quais podem ser carcinogênicas. Também é um poderoso irritante, podendo causar sintomas que lembram aqueles do enfisema. A presença de oxidantes fotoquímicos na atmosfera tem sido associada à redução da capacidade pulmonar e ao agravamento das doenças respiratórias, como a asma.

Os efeitos da exposição ao monóxido de carbono estão associados à diminuição da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Foi demonstrado, experimentalmente, que a pessoa exposta ao monóxido de carbono pode ter diminuídos seus reflexos e acuidade visual e sua capacidade de estimar intervalos de tempo. Altos índices do poluente em áreas de fluxo intenso de veículos têm sido apontados como causa adicional de acidentes de trânsito.

Poeiras em suspensão no ar afetam a capacidade de o sistema respiratório remover as partículas do ar inalado, retendo-as nos pulmões; quanto mais finas as partículas, mais profundamente penetram no aparelho respiratório. As poeiras em suspensão também potencializam os efeitos dos gases presentes no ar.

Interação entre Qualidade de Ar e Mecanismos Meteorológicos

A atmosfera pode ser considerada o local onde ocorrem, permanentemente, reações químicas. Ela absorve uma grande variedade de sólidos, gases e líquidos, provenientes de fontes, estacionárias (industriais e não industriais), móveis (transportes aéreos, marítimos e terrestres, em especial os veículos automotores) e de fontes naturais (mar, poeiras cósmicas, arraste eólico, etc.). Essas emissões podem se dispersar, reagir entre si, ou com outras substâncias já presentes na própria atmosfera. Estas substâncias ou o produto de suas reações finalmente encontram seu destino num sorvedouro, como o oceano, ou alcançam um receptor (ser humano, outros animais, plantas, materiais).

A concentração real dos poluentes no ar depende tanto dos mecanismos de dispersão como de sua produção e remoção. Normalmente a própria atmosfera dispersa o poluente, misturando-o eficientemente num grande volume de ar, o que contribui para que a poluição fique em níveis aceitáveis. As velocidades de dispersão variam com a topografia local e as condições meteorológicas reinantes.

Em suma, é a interação entre as fontes de poluição e a atmosfera que vai definir a qualidade do ar; as condições meteorológicas determinam uma maior ou menor diluição dos poluentes, mesmo que as emissões não variem.

Qualidade do Ar no Estado do Rio de Janeiro

O Estado do Rio de Janeiro apresenta duas áreas críticas em termos de poluição do ar e, portanto, consideradas prioritárias com relação a ações de controle: a Região Metropolitana e a Região do Médio Paraíba. O interior do Estado é caracterizado por problemas específicos e pontuais.


Região Metropolitana do Rio de Janeiro

A Região Metropolitana congrega 20 municípios, ocupa 14,9% da área total do Estado e concentra, numa superfície de pouco menos de 6.500 km2, uma população de 11 milhões de pessoas, cerca de 80% do Estado, dos quais 60% vivem no município do Rio de Janeiro.

Das regiões metropolitanas existentes no país, a do Rio de Janeiro é a que apresenta a maior densidade demográfica, aproximadamente 1.700hab/km2, e é a de maior grau de urbanização, 96,8%, responsável pela geração de cerca de 80% da renda interna do Estado e de 13% da nacional.

Na Região Metropolitana encontra-se a segunda maior concentração de população, de veículos, de indústrias e de fontes emissoras de poluentes do país, gerando sérios problemas de poluição do ar.

Os maciços da Tijuca e da Pedra Branca, paralelos à orla marítima, atuam como barreira física aos ventos predominantes do mar, não permitindo a ventilação adequada das áreas situadas mais para o interior.

No período de maio a setembro, devido à atuação dos sistemas de alta pressão que dominam a região, ocorrem com freqüência situações de estagnação atmosférica e elevados índices de poluição.

Além desses fatores, deve ser considerado ainda que a região está sujeita às características do clima tropical, com intensa radiação solar e temperaturas elevadas, favorecendo os processos fotoquímicos e outras reações na atmosfera, com geração de poluentes secundários.

Para fazer o monitoramento da qualidade do ar nessa região, a Feema opera com uma rede de amostragem constituída por 26 estações manuais e quatro automáticas. A figura a seguir mostra a configuração espacial da rede de monitoramento da Região Metropolitana do Estado.

 


Amostrador de Grandes Volume
Partículas Inaláveis

Estação Automática
Centro da Cidade do Rio de Janeiro

Região do Médio Paraíba

Com área de 9.239km2, equivalente a 21% da área do Estado, e população de cerca de 740 mil habitantes, a Região do Médio Paraíba compreende os municípios de Resende, Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí, Rio Claro, Piraí, Valença, Rio das Flores, Itatiaia, Quatis e Porto Real.

É grande a importância econômica desta região para o desenvolvimento do Estado e do país, principalmente quando se enfoca a atividade industrial concentrada no eixo de Resende, Barra Mansa e Volta Redonda, ao longo da Via Dutra, eixo viário que interliga as duas maiores metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo.

Os problemas ambientais relacionados à poluição do ar se devem, basicamente, ao porte, tipo e localização das atividades industriais implantadas na região. Todo o parque industrial está situado no vale por onde corre o rio Paraíba do Sul, área que está sujeita, principalmente no período de inverno, a condições de grande estabilidade atmosférica, ventilação deficiente, inversões de temperatura e ausência de chuvas, ocasião em que a região sofre com os elevados índices de poluição do ar.

Atualmente o monitoramento da qualidade do ar exercido nessa região é composto por três estações automáticas adquiridas pela Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, em cumprimento ao Termo de Ajuste e Conduta - TAC, assumido com o Governo do Estado. A rede manual é composta por nove estações de amostragem de material particulado, três da rede Feema e as demais operadas pela Siderúrgica. A figura a seguir mostra a configuração espacial da rede de monitoramento da qualidade do ar na Região do Médio Paraíba.

Rede de monitoramento
da qualidade do ar na
Região do Médio Paraíba

Região do Norte Fluminense

Estendendo-se desde o litoral até os limites dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a Região Norte Fluminense possui uma área de 12.340km2 e uma população de 654 mil habitantes. Abrange os municípios de Campos, Cardoso Moreira, Conceição de Macabu, Macaé, Quissamã, São Fidélis, São João da Barra, Carapebus e São Francisco de Itabapoana.

A economia da Região Norte está baseada no setor primário. Na baixada de Campos, a monocultura canavieira emprega a totalidade da mão-de-obra rural local; a zona de influência da cana se estende basicamente pelos municípios de Campos e São João da Barra.

A agroindústria açucareira é, portanto, a principal atividade industrial da área. Das dez usinas existentes no Estado, oito localizam-se nessa região, sendo que cinco concentram-se no município de Campos, que participa de 72% da produção global. Também nesse município temos a atuação da Petrobrás na bacia petrolífera de Campos. A poluição do ar decorrente da produção do açúcar e do álcool é agravada pela queima dos canaviais na época da colheita da cana, prática que gera altas emissões de partículas e gases, elevando consideravelmente os níveis de poluentes no ar da região.

A qualidade do ar é monitorada nessa região por meio da operação de duas estações de amostragem de partículas totais em suspensão, instaladas no município de Campos.

Amostrador de Grandes Volume -
Partículas Totais em Suspensão

Trabalhos publicados em 2001 à disposição dos interessados na Divisão de Qualidade do Ar:
  • Relatório Anual de Qualidade do Ar
  • Poluição Veicular no Estado do Rio de Janeiro
  • Plano de Controle da Poluição Veicular (PCPV)
  • Monitoramento da Qualidade do Ar no Estado do Rio de Janeiro
  • Geração Termelétrica no Rio de Janeiro
www.feema.rj.gov.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos