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Dor/Dores

Câncer e dor

09/01/2005

Em todo o mundo, milhões de pessoas morrem anualmente devido ao câncer. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o câncer é responsável por 10% de todas as mortes, e nos países ricos chega a corresponder a 18% dos óbitos. A tendência é de aumento das taxas de incidência e mortalidade secundárias ao câncer nos países pobres, enquanto tendência contrária é apontada nos países ricos. Pouco mais que o dobro das pessoas sobrevive (acima de 15 milhões), sofrendo de dor oncológica importante e perdendo um tempo precioso de suas vidas em consequência da dor e do sofrimento. Entre 58 e 80% dos pacientes adultos portadores de câncer, internados, sofrem de dor. Dores moderadas ou intensas estão presentes em 30 a 40% nos estágios intermediários, e, em fases avançadas, 87%.
Em crianças, as dores estão presentes em 25% das consultas ambulatoriais, em 50% das consultas hospitalares, e em 80% dos procedimentos terapêuticos e diagnósticos. As dificuldades inerentes à avaliação da dor em crianças, especialmente nos mais jovens, sugerem alta possibilidade de taxas subestimadas.

No período compreendido entre janeiro de 1991 e janeiro de 2001 foram atendidos, na Central da Dor do Hospital do Câncer - A.C. Camargo da Fundação Antônio Prudente, um total de 12.639 doentes portadores de câncer com quadros álgicos diversos. Destes, 6.825 doentes apresentavam dor predominantemente secundária a invasão direta do tumor (53,99%); sentiam desconforto relacionado ao tratamento e/ou indiretamente pela doença, 4.702 pacientes (37,2%); e apenas 1.112 (8,79%) queixavam-se de dor não relacionada ao câncer e/ou seu tratamento. Duas ou mais síndromes dolorosas foram diagnosticadas em 9.417 pacientes (74,50%).
O controle medicamentoso satisfatório foi obtido na maioria dos doentes 9.605 (75,99%). Um total de 2.796 procedimentos cirúrgicos ou anestésicos foram efetuados em 2.468 (19,52%) doentes. Apenas 20 (0,15%) evoluiram para óbito sem controle eficiente do quadro álgico.

A dor em doentes oncológicos pode ser secundária à evolução da própria patologia, aos procedimentos terapêuticos e de diagnóstico, à fenômenos de "taquifilaxia" analgésica e a aspectos psicoafetivos associados a uma doença debilitante, progressiva e muitas vezes, terminal.

A terapia oncológica sofreu, nos últimos anos, enorme desenvolvimento, aumentando significativamente a sobrevida após diagnóstico inicial, e exigindo a conquista de melhor qualidade de vida. Métodos de diagnóstico e estadiamento tornaram-se mais apurados e precisos, menos invasivos, agressivos e dolorosos, e como não poderia deixar de ocorrer, surgiram novas possibilidades de combate ao câncer, exigindo novas estratégias de combate à dor.

As centrais de terapia antálgica em todo o mundo tornaram-se "pólos" de pesquisa e ensino, funcionando como verdadeiros centros formadores de especialistas propagadores do combate a dor, exigindo, cada vez mais, amplos conhecimentos nas mais variadas áreas do conhecimento humano. Já não bastava ser "apenas" especialista, pois o conhecimento de apenas uma especialidade era pouco. Grupos de especialistas passaram a unir-se, mas de especialidades diferentes. A chave para resposta era a multidisciplinaridade, grupos de especialistas de diferentes áreas, tentando resolver o mesmo problema, visto sob enfoques diferentes, assumindo que não existe especialidade mais importante, para determinado momento, do que aquela necessária para resolver o problema específico de uma única pessoa com dor. Fronteiras transcenderam não só especialidades, mas profissões: nutricionista torna-se tão importante quanto o neurocirurgião, enfermeiro ou assistente social.

Em meados da década de 80, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a dor associada as neoplasias como uma "emergência médica mundial", estabelecendo normas para o tratamento da dor no câncer, internacionalmente reconhecidas e aceitas. O sustentáculo eleito para a estratégia de combate baseava-se na farmacoterapia analgésica, especialmente por ser acessível à maior parte dos povos do planeta, e efetiva em aliviar a dor em aproximadamente 90% dos pacientes com câncer e em 75% dos pacientes com câncer em estado terminal.

A farmacoterapia analgésica baseia-se em uma seqüência terapêutica que tornou-se conhecida como "escada analgésica", e que tem a via oral como forma de administração preferencial, exceto em situações que a impossibilitem, como em casos de náuseas, vômitos, dificuldade de deglutição, alterações de nível de consciência, etc. A escada analgésica deve ser instituída sempre que a queixa de dor torne-se crônica, sem previsão de resolução a curto prazo.


Esquema Analgésico para Dor Oncológica
(Organização Mundial de Saúde)
Esquema Analgésico para Dor Oncológica

 

O "primeiro degrau" propõe que analgésicos comuns e anti-inflamatórios não-hormonais devam ser inicialmente empregados no combate de dores de leve a moderada intensidade. Outros tipos de medicações, chamadas de "drogas adjuvantes" (isto é, medicações cuja indicação original de uso não é analgésica, mas que atuam como tal) como, por exemplo, antidepressivos, fenotiazínicos, antieméticos, protetores gástricos, etc, podem ser utilizadas a qualquer momento.

O "segundo degrau" é atingido quando a dor persistir ou aumentar, e nessa situação deve-se adicionar (e não substituir) ao esquema medicamentoso prévio drogas opiáceas fracas, tais como a codeína e o tramadol, entre outras.

Havendo persistência ou aumento da dor, o "terceiro degrau" é atingido, com a introdução de opiáceos fortes ao esquema prévio, em substituição aos opiáceos fracos. Os protótipos deste grupo são o sulfato de morfina e a metadona, contudo, há situações onde faz-se necessário o uso de drogas mais potentes, como por exemplo a oxicodona, que apresenta equianalgesia duas vezes maior que o sulfato de morfina, ou mesmo o fentanil, um opiáceo sintético com potência analgésica 80 a 100 vezes superior à da própria morfina.

Hospital do Câncer


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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