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Notícias da Dra. Shirley

Falta de saneamento e descuido da população aumentam o número de mosquitos no Rio

11/01/2005
10/1/2005

Na cidade do Rio de Janeiro, bairros como Méier, Caxambi, Engenho de Dentro, Maria da Graça, Tijuca, Ilha do Governador, Jacarepaguá, Bangu, Campo Grande e Santa Cruz apresentam tradicionalmente uma alta incidência de mosquitos. No entanto, neste verão, nem mesmo os moradores da Zona Sul do Rio têm escapado das picadas. Gávea, Leblon e São Conrado têm concentrado grande número de queixas. Não foi feito um estudo específico, mas tudo leva a crer que são os pernilongos comuns (Culex quinquefasciatus) os principais responsáveis pelo transtorno. A população de Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus do dengue, também costuma crescer de forma mais acelerada nesta estação do ano.

O número de mosquitos e de insetos em geral tende a aumentar no verão. Dois fatores explicam esse fenômeno: as chuvas abundantes e as temperaturas altas. Quando chove, os locais que servem de criadouros de mosquitos se multiplicam. Já o calor acelera o ciclo de desenvolvimento desses insetos. "Normalmente, para ir de ovo a adulto, o Ae. aegypti leva de dez a 12 dias. No verão, este ciclo pode ser feito em sete ou oito dias", exemplifica o entomologista Anthony Érico Guimarães, da Fiocruz. Mas o pesquisador não atribui apenas à estação do ano a presença de tantos mosquitos na Zona Sul do Rio. "Acredito que houve uma certa negligência tanto das autoridades como dos moradores no combate aos mosquitos", diz Guimarães.

Existem muitos tipos de mosquitos e não foi feito um estudo para identificar as espécies que têm incomodado quem mora na Zona Sul. Sabe-se, contudo, que os principais mosquitos encontrados nos grandes centros urbanos são o Cx. quinquefasciatus e o Ae. aegypti. "Deve haver muitos pernilongos comuns na região. Os bairros mais atingidos estão cercados por favelas. Com as chuvas, todo o esgoto a céu aberto transborda. Surgem, então, as valas negras e outros criadouros desse mosquito", afirma Guimarães.

De hábitos noturnos, o Cx. quinquefasciatus é um mosquito marrom que põe seus ovos na água poluída. Historicamente, ele é o principal transmissor de uma filariose popularmente conhecida como elefantíase. Mas não há motivo para pânico, porque a doença não existe no Rio e está controlada no Brasil: existem apenas pequenos focos no Norte e no Nordeste. No Sul e no Sudeste, o maior inconveniente da picada do pernilongo é a coceira. "As unhas podem causar pequenas ulcerações na pele. Essas feridas, caso contaminadas por bactérias, podem desencadear um processo infeccioso", comenta Guimarães.

O entomologista também alerta que o Rio está infestado pelo Ae. aegypti, mosquito escuro e com patas rajadas de branco que pica durante o dia e faz a postura dos ovos em água limpa e parada. "Em geral, o Cx. quinquefasciatus está na rua e o Ae. aegypti, dentro de casa. O combate ao primeiro se faz com saneamento básico, um dever das autoridades governamentais. O controle do segundo depende fundamentalmente da população, que não pode deixar água acumulada nas plantas, pneus, latas, garrafas etc", resume Guimarães. Os cariocas têm reclamado da ausência do fumacê. Mas o inseticida lançado pelo veículo - além de só ter ação contra a forma adulta do pernilongo comum, e não contra o mosquito do dengue - pode trazer prejuízos ambientais, envenenando a flora e a fauna.

Risco de outra epidemia de dengue é real

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio faz um levantamento em uma amostra de residências e determina quantas estão infestadas pelo Ae. aegypti. Dados recentes mostram que, em cada 100 domicílios, em média, cinco apresentam o mosquito do dengue. Esse índice de cerca de 5% já é considerado elevado - a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para o risco de dengue quando o percentual ultrapassa 1%. Não bastasse isso, Guimarães acredita que o índice calculado pela Secretaria está defasado. "Não adianta calcular quantas casas têm o mosquito. É necessário determinar quantos e quais criadouros existem nas residências. Uma caixa d'água destampada representa um risco muito maior que uma única lata largada no quintal", argumenta o entomologista.

Guimarães estima que o índice de infestação do Ae. aegypti seja bem superior a 5%. "Enquanto houver tantos mosquitos, a probabilidade de ocorrer uma epidemia de dengue tão grave quanto a anterior permanece", sublinha. Entre 2001 e 2002, houve no Rio uma grande epidemia em que cerca de 2,5 milhões de pessoas entraram em contato com o vírus do dengue tipo 3. Nem todas ficaram doentes, mas essas pessoas adquiriram imunidade contra aquele tipo de vírus. A conseqüência positiva foi que, em 2003 e em 2004, o vírus do dengue teve dificuldade de circular entre a população carioca. "Imaginou-se erroneamente que o problema estava resolvido. As pessoas relaxaram no controle ao mosquito: 2004 foi um ano sem dengue, mas cheio de Ae. aegypti. Por isso, a introdução de um novo tipo de vírus do dengue - o tipo 4 - pode provocar outra epidemia na cidade", alerta.

O combate ao mosquito do dengue tem que ser uma atividade diária. Mas o medo da doença, muitas vezes, faz as pessoas exagerarem. "Tem gente que confunde qualquer inseto com o Ae. aegypti", lembra Guimarães. Aqueles insetos que voam ao redor da luz são, na verdade, cupins, e aqueles mosquitos pequeninos, de cor preta, comuns em florestas, rios e cachoeiras, são os borrachudos.

Fonte: Fiocruz

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