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Tóxicos/Intoxicações

Lançamento russo adoece crianças no Cazaquistão

15/01/2005

Um estudo ainda não-publicado indica que a realização de lançamentos de foguetes a partir do centro de Baikonur, no Cazaquistão, está contaminando a população local. A informação foi divulgada por numa reportagem na edição de hoje na revista científica britânica "Nature".

A base é o principal centro de lançamentos administrado pela Rússia. Foi de lá que foram lançados o primeiro satélite artificial (o Sputnik-1, em 1957) e o primeiro homem a orbitar a Terra (Yuri Gagarin, em 1961). A base hoje está mais ativa do que nunca, enviando tripulações e suprimentos à ISS (Estação Espacial Internacional) rotineiramente e promovendo o lançamento de satélites.

O estudo foi realizado por cientistas do Centro de Pesquisa Estatal de Virologia e Biotecnologia, em Novosibirsk, Rússia. O grupo, liderado por Sergey Zykov, comparou os registros de saúde de cerca de mil crianças em duas regiões poluídas pelos lançamentos entre 1998 e 2000 com registros de 330 crianças de áreas não-atingidas. O resultado: as crianças nas áreas atingidas apresentaram duas vezes mais probabilidade de precisar de cuidados médicos durante os três anos da investigação e precisaram de atendimento por um período duas vezes maior.

Os dados vieram da República de Altai, região da Sibéria que sofre contaminações por um combustível de foguetes sabidamente tóxico, chamado dimetil-hidrazina. Ele é usado para alimentar os primeiros estágios de alguns dos lançadores espaciais russos. "O mais famoso deles é o Proton, foguete que eles usam para transportar cargas pesadas, de várias toneladas", diz José Nivaldo Hinckel, engenheiro do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em São José dos Campos.

O Proton, que já teve décadas de uso e serviu para colocar módulos das estações Salyut, Mir e ISS em órbita, continua na linha de frente dos lançadores russos: só neste ano, ele voltará a ser usado para lançar dois satélites de telecomunicações a partir de Baikonur.

Zykov estima que um lançamento típico resulte no derramamento de dezenas de litros de combustível sobre vários quilômetros quadrados de terra.

Questionada pela "Nature", a Rosaviakosmos (agência aeroespacial russa) disse rejeitar as conclusões do estudo de Zykov. O porta-voz Vyacheslav Davidenko diz que a agência monitora constantemente a saúde das populações locais e não encontrou problema algum com o lançamento.

Em editorial, a publicação britânica pede que a Rosaviakosmos banque um estudo independente para avaliar as conclusões obtidas e que Nasa e ESA (agências espaciais americana e européia) se ofereçam para participar do esforço.

Fonte: Folha de São Paulo, 13/01/05


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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