Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura -
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Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura

Mecanismos de ação e indicações da Acupuntura

28/02/2005



 

A acupuntura (ACP) é uma técnica de medicina chinesa utilizada para o tratamento de doenças por meio de inserção de agulhas em pontos específicos. O mais antigo estudo sobre os canais de energia, pontos de acupuntura e metodologia da aplicação de acupuntura é encontrada no NEI CHING- Tratado de medicina interna do imperador Amarelo (século II a.C) na qual mostra que a acupuntura controla o fluxo de energia através dos canais de energia e dos órgãos, remove bloqueios bem como fortalece a energia, uma vez que para a medicina chinesa o corpo é formado por matéria e energia (yang e yin) aonde a doença é um reflexo de uma perda da harmonia.
Os estudos atuais de neurofisiologia comprovam que as áreas da pele correspondentes aos pontos de acupuntura apresentam uma maior concentração de terminações de fibras nervosas livres e encapsuladas, principalmente A-delta e C, que são os principais tipos de fibras relacionados com a condução do estímulo da agulha de acupuntura.
O potencial elétrico das agulhas de acupuntura constitui um estímulo que age sobre as terminações nervosas livres e condução do estímulo nervoso. Os efeitos da agulha de acupuntura dependem da profundidade de inserção. A inserção superficial atingirá, predominantemente, os receptores nervosos associados às fibras A-delta, que fazem a mediação das dores agudas e termocepção, enquanto a inserção profunda estimulará as fibras nervosas do fuso muscular e as fibras A-delta e C, devem ser utilizadas nas doenças de instalação mais consolidada (crônicas) ou "doenças profundas". A inserção e manipulação das agulhas de acupuntura causam lesões celulares que provocam, em nível local, o aparecimento de substâncias como a substância P, leucotrienos, tromboxano e prostaglandinas E2 e D2.
Essas substâncias algógenas estimulam os quimiorreceptores, e a substância P, em especial, ativa os mastócitos a liberarem histamina, estimulando as fibras C e promovendo vasodilatação a nível capilar. Além da histamina são liberados a bradicinina, serotonina,íons potássio e prostaglandinas que também vão estimular os quimiorreceptores, diminuindo o limiar de excitabilidade. Conduzidos por fibras aferentes somáticas, os efeitos analgésicos e anestésicos da ACP são, hoje, concebidos a partir de pesquisas científicas, como um processo de excitação que libera endorfinas em resposta a estímulos intensos e vigorosos sob a agulha inserida nos pontos de ACP, que agem no nível das fibras A-delta, situadas em nível mais superficial. As respostas corticais aos estímulos de ACP são projetadas, principalmente, por meio da via serotoninérgica e da via encefalinérgica; esta, na sua porção terminal no nível posterior da medula espinal, libera encefalina, excitando o interneurônio inibitório da substância P no nível da lâmina II de Rexed, bloqueando a condução do estímulo da dor e promovendo o estado de analgesia a nível medular.
O efeito analgésico da ACP abole, também, os arcos reflexos patológicos que promovem contraturas musculares causadoras de alterações dinâmicas intra e extra articulares, que constituem estímulos para um ciclo vicioso de perpetuação da dor.
Em razão das propriedades da ACP de promover a analgesia através da estimulação do sistema serotoninérgico vários trabalhos foram realizados no sentido de avaliar a eficácia do tratamento por acupuntura na fibromialgia e dores crônicas.
Em 1998 foi realizado um encontro de consenso no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América que incluía informações a respeito do uso apropriado, conclusões, recomendações e identificações de áreas que necessitavam estudos futuros em ACP. Concluiu-se que a ACP é amplamente utilizada nos Estados Unidos e que apesar de haverem vários estudos sobre a sua utilização, os mesmos apresentam resultados controversos devido à diferença na metodologia, tamanho de amostras, utilização de controles apropriados, placebos e os grupos "sham". Porém a partir de sua utilização surgiram indicações promissoras em algumas situações tais como cefaléia, tensão pré-menstrual, asma, epicondilite, fibromialgia, dor lombar baixa, síndrome miofascial e síndrome do túnel do carpo onde a acupuntura pode ser utilizada como tratamento principal ou como terapia coadjuvante.
Goldenberg, E.M.M.C. e cols., 2002 realizaram um estudo como tema de tese de doutorado feito na UNIFESP- Escola paulista de Medicina para avaliar a eficácia da acupuntura no tratamento coadjuvante da fibromialgia. Foram randomizados 60 pacientes, que preenchiam os critérios de classificação para fibromialgia do A.C.R., em três grupos: acupuntura+amitriptilina, 20 pacientes (grupo A), placebo-acupuntura+amitriptilina, 20 pacientes (grupo B), amitripltilina, 20 pacientes (grupo C). Todos os pacientes, independemente do grupo, recebiam amitriptilina na dose única de 25 mg/dia ao deitar. Os pacientes que pertenciam aos grupos A ou B realizaram placebo-acupuntura ou acupuntura, uma vez por semana por 16 semanas consecutivas. A avaliação dos pacientes foi realizada no início e mensalmente por uma examinador cego quanto ao grupo terapêutico por meio dos seguintes instrumentos: escala visual analógica de dor (EVA), questionário SF-36 de qualidade de vida e inventário de depressão de Beck.
A análise estatística foi realizada por ANOVA .

Os resultados mostraram que o grupo tratado com acupuntura obteve uma melhora estatisticamente significante da dor através do EVA quando comparada aos demais grupos, bem como uma melhora estatisticamente significante da depressão avaliada através do inventário de Beck.
A acupuntura é um método terapêutico coadjuvante eficaz na redução da dor, e melhora da depressão em pacientes portadores de fibromialgia, quando comparada ao placebo acupuntura e apenas terapia farmacológica.

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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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