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Vitaminas e antioxidantes

Ácido fólico poderia prevenir a síndrome de Down

04/03/2005

 
Portadoras de gene mutante têm mais chance de gestar bebês com essa anomalia

Portadores da síndrome de Down têm três cópias do cromossomo 21 em suas células em vez de duas, como mostra o cariótipo acima

Alterações genéticas de uma enzima que controla a produção de uma substância fundamental ao metabolismo humano podem ser determinantes para o desenvolvimento da síndrome de Down e outras doenças. Essas mutações comprometem a fabricação de ácido fólico, necessário para os processos de divisão celular, e podem resultar por isso na gestação de fetos geneticamente defeituosos. Assim, a ingestão complementar da substância pode ser uma estratégia para se evitar a síndrome de Down.

A recomendação é de uma equipe de pesquisadores do Departamento de Genética Médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), que realizaram um estudo para verificar a relação entre mutações no gene que controla a produção da enzima responsável pelo metabolismo do ácido fólico e a incidência da síndrome de Down. A pesquisa, que recebeu em setembro de 2004 o Prêmio Campos da Paz, concedido anualmente pela Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, foi concluída em dezembro de 2003 e foi submetida para publicação em uma revista internacional.

Os cientistas compararam dois grupos de mulheres – mães de filhos normais e portadores da síndrome – e concluíram que as portadoras da enzima mutante têm cerca de seis vezes mais chance de gestar um bebê com a anomalia. Essa estimativa sobe para nove quando a mulher tem menos de 35 anos e é portadora da dupla mutação no gene da enzima (metilenotetrahidrofolato redutase).

"O ácido fólico tem papel fundamental no processo de metilação do DNA, em que o núcleo é duplicado e redistribuído, e essas mutações genéticas fazem com que a enzima que o produz trabalhe num ritmo 70% mais lento", explica Ricardo Barini, ginecologista e obstetra do Caism. "A síndrome de Down é resultado justamente da má distribuição de cromossomos e a carência de ácido fólico pode ser uma de suas causas diretas."

Para evitar uma gravidez de risco, então, o médico sugere a ingestão suplementar de ácido fólico que, por ser solúvel na água, não se deposita no organismo e não apresenta efeitos colaterais: "Alguns laboratórios já realizam exames para detectar as alterações genéticas da enzima, que também estão relacionadas a problemas de coagulação sangüínea e ao desenvolvimento de outras doenças".

Barini lembra que, para a prevenção da síndrome de Down, a substância precisa ser ingerida com três meses de antecedência à gravidez e se prolongar pelo mesmo período após a concepção. "A mulher deve suprir a carência de ácido fólico antes de engravidar, porque as divisões celulares que podem gerar uma criança anormal ocorrem nas primeiras semanas de gestação e depois do tempo necessário para o teste de gravidez a anomalia pode já estar em processo."

Apesar de muitas frutas e verduras possuírem ácido fólico, o organismo não é capaz de armazená-lo por muito tempo e a reposição por suplementos vitamínicos é uma saída para o problema. "A substância é tão importante para nosso metabolismo que uma lei tornará obrigatória, em 2005, a complementação de ácido fólico em farinhas, o que já é feito em países como o Chile."

Para se ter certeza de que a substância pode mesmo evitar a síndrome de Down, no entanto, ainda é necessária uma pesquisa mais abrangente, que estude um grupo maior de mulheres e compare a incidência da doença nos filhos de mulheres que tomaram ácido fólico e de mães que não ingeriram a substância.

Bel Levy
Ciência Hoje On-line

Jornal da Ciência- SBPC


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