Psiquiatria e Psicologia - O que é Esquizofrenia?
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Psiquiatria e Psicologia

O que é Esquizofrenia?

26/03/2005

Preconceitos injustificados estigmatizam, mas a evolução dos medicamentos permite hoje tratamento ambulatorial.

A esquizofrenia é hoje uma doença incompreendida. O tratamento refere-se a um conjunto de transtornos que abrange os mais complexos e assustadores sintomas encontrados na pratica clinica. Calcula-se que cerca de um a dois por cento da população sofre desse mal e até há bem pouco tempo o medo o medo e o receio eram exagerados , pelo fato de a patologia ser considerada incurável, representando uma sentença de vida em desespero e miséria em algum hospital psiquiátrico .Felizmente, hoje, muitos dos conceitos mudaram e continuarão a evoluir, fazendo com que muitos dos receios deixem de ter a importância que ainda pendura.

"Esquizofrenia", explica o psiquiatra Mario Rodrigues Louzã Neto, coordenador do Projeto de Esquizofrenia (Projesq) do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo, USP, "é uma doença que se caracteriza por uma desorganização de diversos processos mentais, levando o portador a apresentar vários sintomas. Ela se manifesta em crises agudas, quando os sintomas são mais intensos, intercaladas com períodos de remissão. Sua causa causa ainda é desconhecida. Fatores hereditários e ambientais parecem contribuir para o seu aparecimento".

A psiquiatra Ana Cristina Chaves, coordenadora do grupo de esquizofrenia do Hospital São Paulo,da universidade Federal de São Paulo ( Unifesp ), assegura que o diagnóstico e feito apenas por meio do quadro clínico. Exames como o eletroencefalograma não detectam,com precisão, alterações no cérebro do paciente, e não existe nenhum tipo de exame laboratorial que permita confirmar a doença.

No fim da adolescência

A herança genética, embora tenha seu papel importante no surgimento, não pode ser considerada a única causa. Fatores ambientais na gestação ou nos primeiros dias de vida da criança podem relacionar-se com o problema. Sua manifestação começa geralmente , no fim da adolescência ,entre os 20 e os 29 anos, havendo uma ligeira prevalência para os homens. A cada ano há cerca de 50 novos casos para cada 100 mil pessoas , o que significa que poderemos ter 80 mil brasileiros , numa população de 160 milhões de pessoas, manifestando a doença pela primeira vez.

Antipsicóticos imprescindível para controlar os sintomas

"Ela pode começar de duas maneiras", Diz o professor Mário Louzâ. "De modo abrupto, a pessoa muda de comportamento e hábitos em pouco menos de um mês. Torna-se agitada, não dorme e começa a falar coisas sem sentido. Quando o início da doença é gradual, as modificações do comportamento são mais lentas ao longo de meses ou anos e, por isso, a doença passa despercebida. A pessoa isola-se, não tem mais interesses, deixa o trabalho ou o estudo. As pessoas próxima do doente acham que essa mudança se deve a algum fato ocorrido ou a maneirismo, comuns na adolescência, e não percebem que é uma doença . Somente quando esses sintomas se acentuam é que ela é levada a um médico."

Há alguns subtipos

Estudos demonstram que, com os tratamentos precoces da esquizofrenia, aumentam-se as chances de recuperação. Segundo a professora Ana Cristina, para fazer o diagnóstico da esquizofrenia, o psiquiatra depende fundamentalmente da história relatada pelo paciente ou por uma das pessoas com quem convive. A partir daí se faz o diagnóstico. Não há, até o momento , nenhum tipo de exame laboratorial ou de raio X que possa auxiliar . O médico pode solicitar exames laboratoriais para excluir outras doenças que tenham manifestações semelhantes às da esquizofrenia. Diz Mário Louzã que há alguns subtipos conhecidos da doença que são classificados conforme os sintomas predominantes . Entre eles, a paranóide, hebefrênico, catatônico e simples.

Em alguns momentos de crise, a internação pode ser útil.

Principais causas

Desde o inicio do século as causas da esquizofrenia vêm sendo pesquisadas. Até meados dos anos 40 os pesquisadores achavam que não se tratava de uma doença, mas de um problema de ordem emocional e social. Da década de 70 em diante, com o surgimento das novas tecnologias para estudar o cérebro humano foram feitas descobertas que permitem afirmar que a esquizofrenia eé uma doença do cérebro com manifestações psíquicas . "Sabe-se hoje' , diz Louzã , " que a esquizofrenia tem uma base hereditária . Parentes de esquisofrênicos têm uma chance maior de ter a doença. Estudos com gêmeos univitelinos mostram que se um dos gêmeos tem a doença, há uma chance de 50% de que a doença também se manifesta no outro".

Fatores ambientais também foram considerados e estudados . Esses fatores são relacionados ao período do desenvolvimento embrionário do cérebro durante a gestação, ao parto e aos primeiros dias de vida da criança. É durante esse período que ocorre uma sequência enorme de modificações no cérebro , que levam ao seu amadurecimento. Se acontece algo de errado nessa sequência de eventos muito bem - ordenados , o cérebro fica mais vulnerável para o desenvolvimento da doença .

Alterações bioquímicas

Estão sendo objeto de pesquisas as alterações no cérebro dos esquizofrênicos , que podem ser visualizadas por exames especiais como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética . Mas como essas alterações não são especificas, não servem para os diagnósticos. Estão bem estudadas as alterações bioquímicas no cérebro dos portadores de esquizofrenia uma vez que, no caso, há alterações de neurotransmissores, principalmente o dopamina e a serotomina. Esses desequilíbrios dos dois neurotransmissores seria responsável pelas suas manifestações.

Até os anos 50 não havia remédio para a esquizofrenia. Muitos pacientes precisavam ser internados em consequência da sua gravidade e a dificuldade em controlar os sintomas. Em 1952 foi observado que o clorpromazina diminuía os delírios e alucinações e tranquilizava os pacientes agitados. Esse medicamento foi o primeiro de uma serie de neurolépticos , conhecido hoje como antipsicóticos , que têm a capacidade de aliviar vários sintomas , como os delírios , alucinações e o pensamento desorganizado, mas têm pouco efeito sobre os sintomas do pensamento empobrecido , a apatia e diminuição da afetividade. Além disso, provocam efeitos colaterais neurológicos, caracterizados por tremores, rigidez muscular e dificuldade para andar.

Novas esperanças

Nos últimos anos apareceu um novo grupo de medicação que diminuem os sintomas positivos, atuam sobre os negativos e produzem efeitos colaterais neurológicos menos intensos . Os antipsicóticos são imprescindíveis para controlar os sintomas, mais intensos nos surtos da doença e para evitar seus surtos psicóticos na fase de remissão.

O tratamento e feito em doses baixas de medicação que vão sendo reduzidas conforme a melhora do paciente. Os antipsicóticos demoram de seis a oito semanas para fazer efeito e suas doses variam de paciente para paciente , por isso é necessário acompanhamento intensivo , especialmente no começo do tratamento.

Tratamento demorado

Muitas vezes, não se obtém o resultado esperado com determinado medicamento e deve-se substitui-lo com outro até que se encontre um mais eficaz para aquele caso. Para diminuir a angustia, e a agitação e melhorar o sono administram-se tranquilizantes.

Após algumas semanas os sintomas diminuem, mas deve-se continuar o tratamento medicamentoso para não haver uma recaída. Depois de alguns meses, a medicação poderá ser reduzida para um mínimo necessário visando impedir uma nova crise. Esse é o tratamento de manutenção, que deve ser feito por um tempo muito prolongado. Preconiza-se um período de dois anos para tratar a primeira crise e cinco anos após a segunda crise. Se não aparecer sintomas adversos, pode-se reduzir ou suspender o tratamento. Para muitos doentes, entretanto, a medicação antipsicótica tem de ser mantida por toda a vida ou por um prazo indeterminado.

Suporte e apoio

A esquizofrenia é uma doença heterogênica que necessita dos cuidados de uma equipe multiprofissional. As abordagens psicossociais visam minimizar ou diminuir as recaídas e promover o ajustamento social dos portadores da doença; as principais abordagens são: a psicoterapia, terapia ocupacional, acompanhamento terapêutico, grupos de auto ajuda, abordagens psicossociais em instituições, orientação familiar, oficinas de trabalho e pensões protegidas.

A psicoterapia pode ser individual ou em grupo. A individual deve priorizar o apoio, pois os paciente têm dificuldades específicas que necessitam de suporte para obter a melhora em sua qualidade de vida.

A psicoterapia de grupo monitora e ativa o ambiente do grupo, buscando temas, estimulando e organizando a conversação, e oferece suporte e proteção para favorecer a coesão do grupo.

A terapia central é focada em atividades que não devem ser meramente recreativas. Sua finalidade é recuperar a capacidade do paciente fazer com que a pessoa se organize, assuma seu auto-controle e combata a falta de vontade. Já no acompanhamento terapêutico, um profissional de saúde vai ajudar o portador a recuperar as habilidades perdidas acompanhando-o no dia a dia.

Hospital-dia

Toda doença crônica dificulta a vida do doente e sua relação com a família. Deve-se trabalhar a conscientização do portador da doença para que se possa combate-la e se a família não for também conscientizada, os choques serão inevitáveis. Estudos internacionais demonstram que as recaídas são mais freqüentes quando o ambiente familiar é estressante. Os hospitais-dia, bastante comuns no tratamento da esquizofrenia, estão organizados para atividades de reabilitação.

A evolução dos medicamentos antipsicóticos transformou o tratamento da esquizofrenia de hospitalar para ambulatorial. No entanto, em determinados momentos de crise, a internação ainda pode ser útil. Caso seja necessária, deve ser por curto prazo. Vinte a quarenta dias

Sintomas variam de pessoa para pessoa

São vários os sintomas de esquizofrenia que são considerados para avaliação diagnóstica e para a conduta do tratamento. Eles variam de pessoa para pessoa e também conforme a evolução da doença. Isso significa que nem todos os portadores apresentam todos os sintomas. Segundo os critérios, eles devem estar presentes por, pelo menos um mês, para que possa diagnosticar a esquizofrenia.

Os principais são os seguintes:

Delírios-crenças, idéias ou pensamentos falsos que não correspondem à realidade. O portador acredita neles e não se convence do contrário. Os temas são variados e implausíveis. Alguns doentes acham que estão sendo vigiados ou perseguidos por pessoas, pela polícia, máfia ou outra organização secreta; outros acham que os vizinhos estão vigiando por meio de câmeras escondidas ou telefones "grampeados ". Suspeitas relacionadas a TV, rádios ou computadores são experiências muito comuns.

Alucinação
Variam de pessoa para pessoa; as auditivas são mais comuns . O doente diz que está "ouvindo vozes " de pessoas quando não há ninguém por perto. As vozes dão ordem ou falam que estão fazendo.

Alterações de pensamento
Perda da sequência lógica do pensamento , levando uma desorganização que provoca uma conversa sem nexo. Os doentes acreditam que o pensamento é roubado de sua mente ou que foi colocado por outra pessoa em sua cabeça.

Alteração de afetividade
Registra-se uma diminuição na capacidade de expressar emoções; sua mímica fica empobrecida e a afetividade pueril.

Diminuição da motivação
Ocorre uma diminuição da vontade, havendo apatia, desânimo ou desinteresse. O portador torna-se isolado e retraído socialmente.

Sintomas motores
Movimentos lentos e sem espontaneidades. Alguns doentes permanecem longo tempo em posturas estranhas, sem andar ou falar.

Mutismo
A pessoa passa a viver dentro de um mundo próprio , fantasioso; torna-se "desligada " .

Ambivalência
O paciente mostra-se dividido entre dois sentimentos ou vontades opostas, que acontecem simultaneamente.

Auto-referência
O portador está sempre desconfiado ou suspeito dos que rodeiam achando que o estão observando ou prejudicando.

Alterações da cognição
Os portadores apresentam dificuldade para concentrar. Isso pode ocorrer em diferentes situações como, por exemplo, ao assistir um programa de televisão quando perdem o fio da meada e não conseguem acompanhar o que está acontecendo. Demonstram também dificuldades para ficar atentos e memorizar o que estão observando.

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