- Orelha de Abano
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Cirurgia Plástica

Orelha de Abano

26/03/2005
"Orelha de Abano"
SE VOCÊ ESTÁ PENSANDO EM FAZER
UMA“OTOPLASTIA”..

          Este termo popular tem seu correspondente nos livros de cirurgia plástica como "Orelhas em Abdução". Na verdade, a denominação agrupa uma série de malformações congênitas do pavilhão auricular, também chamado de ouvido externo.

          Para entender melhor a nomenclatura usada por seu médico, vale a pena revisar aqui os nomes das porções de cartilagem que compõem as curvas da orelha:

Legenda: (H): Hélice; (A): Anti-hélice; (C): Concha; (FE): Fossa Escafóide (quer dizer: "forma semelhante a um casco de navio").

          Observe primeiramente o lado esquerdo da imagem, onde vemos uma orelha de abano típica. Nela não se define a dobra da anti-hélice e portanto não existe angulação entre a concha e a zona da fossa escafóide. Isto faz com que a orelha se projete lateralmente, dando a impressão de abano. No lado direito vemos que, na mesma orelha, já operada, as cartilagens foram moldadas para criar a anti-hélice (que previamente não existia). Formou-se assim um ângulo entre a concha e a fossa escafóide (que dessa forma passou a fazer jus ao seu nome), eliminando o estigma de "orelha em abano" e conferindo ao pavilhão auricular aspecto extremamente natural.

          Existem dezenas de técnicas cirúrgicas diferentes para correção de orelhas em abano. Todas, sem exceção, obtém orelhas mais "coladas" à cabeça. Entretanto, existem técnicas que trazem ainda como bônus a possibilidade de um resultado mais natural, com a criação de uma antihélice arredondada e sem "quinas". 
 
 
          OS MELHORES CANDIDATOS À OTOPLASTIA

           Crianças portadoras de orelhas de abano não costumam se sentir diferentes até o momento em que entram na escola, quando então passam a receber uma série de apelidos aludindo impiedosamente ao problema, tais como "táxi de portas abertas", "Dumbo" , "açucareiro", "quinze para as três", etc. A partir daí costuma nascer a vontade de se tornar igual aos colegas, para não mais ser alvo de discriminação. Algumas crianças nesta fase solicitam aos pais que as levem ao consultório do médico pois sabem instintivamente que a solução do problema é cirúrgica. O fato de eventualmente não comentarem o assunto em casa não significa necessariamente que não estejam sofrendo com ele.

           Adolescentes que teimam em usar cabelos compridos ou que não os prendem jamais podem estar simplesmente ocultando as orelhas dos olhares críticos de amigos e colegas.
 Por outro lado, a partir dos 6 -7 anos as orelhas já atingiram praticamente o seu tamanho definitivo, pois se desenvolvem mais precocemente que o restante da face. Sendo assim, os melhores candidatos à otoplastia são pacientes a partir desta idade que tenham demonstrado interesse em se operar.

 
          TODAS AS CIRURGIAS TRAZEM RISCOS E INCERTEZAS

            Uma otoplastia não é uma operação “simples”, mas normalmente é segura quando realizada por Cirurgião Plástico devidamente qualificado (membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica). Entretanto, como em qualquer outra cirurgia, sempre existe a possibilidade de ocorrerem complicações, ou reação à anestesia. Sangramento e infecção após a otoplastia são incomuns, mas podem prejudicar a forma final da cartilagem da orelha. Você pode reduzir seus riscos seguindo estritamente todas as recomendações pré e pós-operatórias que lhe forem feitas 
 



Planejando a sua cirurgia
Preparando-se para a cirurgia
Tipos de anestesia
A cirurgia
Após a cirurgia
Voltando ao normal
Complicações cirúrgicas mais freqüêntes e como evitá-las
Fotografias - antes e depois da cirurgia

 


 
         Planejando sua cirurgia

          Na primeira consulta são avaliados o tamanho, simetria, consistência e forma das orelhas. Fotografias são realizadas para posterior comparação. Como o problema pode ocorrer unilateralmente, alguns pacientes solicitam a princípio que somente uma das orelhas seja operada. Entretanto é muito mais difícil obter simetria nestes casos, a não ser operando os lados simultaneamente.

          Além disso é importante a avaliação da motivação psicológica do paciente, pois isso determina inclusive o tipo de anestesia que será empregado.

          Devem ser informados também ao médico eventuais alergias a medicamentos e o uso de quaisquer comprimidos, mesmo que de forma eventual. Sangramentos anormais após extrações dentárias ou hematomas exagerados após contusões aparentemente simples podem sinalizar a presença de doenças da coagulação e requerem investigação específica pré-operatória. 

          A presença de qualquer processo infeccioso no organismo requer tratamento prévio antes da cirurgia ser marcada.


 
         Preparando-se para a sua cirurgia

          Além de realizar os exames pré-operatórios que lhe serão solicitados, é conveniente ir providenciando uma faixa elástica adaptável com velcro à sua cabeça, e que será usada continuamente como proteção nas primeiras 24 a 48 horas e posteriormente, apenas no período noturno. Existem modelos prontos que podem ser adquiridos junto a fornecedores de material médico-hospitalar (solicite informações ao seu cirurgião).

          Suspenda por duas semanas antes e duas semanas depois da cirurgia o uso de quaisquer salicilatos (AAS, Aspirina, Melhoral, etc).

          Cabelos realmente longos não necessitam corte pré-operatório, pois podem ser fixados com facilidade de forma a não entrarem no campo cirúrgico. Já cabelos de comprimento médio são mais difíceis de controlar e se é este seu caso, aproveite a véspera da operação para cortá-los bem curtos como sempre teve vontade de usar.

          Prepare-se para dormir semi-sentado nos primeiros 3 dias de pós-operatório. Isto pode ser feito adicionando à sua cabeceira alguns travesseiros extras ou cobertores enrolados.

          Adquira antes de ir para o hospital a medicação que seu médico lhe recomendar: analgésicos, antinflamatórios e, eventualmente, antibióticos.


 
         Tipos de anestesia

          Para crianças muito pequenas, ou não colaborativas, empregamos a anestesia geral. Para pré-púberes é possível em muitos casos executar o procedimento sob anestesia local. Em adolescentes e adultos pode ser empregada ainda a anestesia local sob sedação (um calmante é adicionado no soro pelo anestesista para tranquilizar o paciente enquanto o cirurgião faz a injeção do anestésico).


 
         A cirurgia

          A cirurgia das orelhas em abano não requer internação e costuma durar de 1 hora e meia até 2 horas. Ao contrário do que se costuma imaginar, ela não consiste apenas da remoção de um fragmento de pele atrás das orelhas. É necessário ainda moldar com pontos, incisões e/ou raspagem as suas cartilagens e, em alguns casos extremos, até mesmo a remoção de segmentos das mesmas é requerida para se obter uma forma natural.


 
         Após a cirurgia

          Ao contrário de muitas outras cirurgias plásticas, a dor espontânea (mesmo sem pressionar o local operado) é comum na otoplastia. A notícia boa é que costuma também ser perfeitamente controlada com a medicação antinflamatória e analgésica. O primeiro curativo costuma ficar sujo de sangue e geralmente é trocado após 24 a 48 horas. Neste primeiro contato pós-operatório seu médico avaliará se houve ou não formação de coleção sanguínea (hematoma), pois a presença desta requer drenagem por compressão suave para apressar sua recuperação. 

          Mesmo na eventualidade de não sentir dor alguma (o que é mais comum em crianças e pessoas com cartilagens menos resistentes) é importante manter repouso na primeira semana - não correr, não baixar a cabeça, não erguer objetos pesados, etc-pois isto ajudará a evitar a formação de hematomas 

          É esperada ainda uma sensibilidade dolorosa aumentada à pressão (ex: ao deitar-se sobre a orelha para dormir) por até 2 meses de pós-operatório. Uma dica: se este for seu caso, experimente dormir um pouco mais em direção aos pés da cama e usar um travesseiro mais alto, de forma a apoiar nele somente a parte de sua cabeça logo acima das orelhas ("região parietal").


 
         Voltando ao normal

           Se você puder se olhar no espelho ao final da cirurgia terá uma noção de como ficarão suas orelhas após uns 30 dias, pois nesta fase o inchume ainda não se instalou, no máximo a pele estará um pouco avermelhada ou arroxeada. Esta cor diferente se chama equimose, é normal e desaparecerá em alguns dias sem necessidade de tratamento.

           Após 7 dias os pontos já podem ser retirados. As cicatrizes ficam ocultas na dobra de pele atrás das orelhas.


 
          Complicações cirúrgicas mais freqüêntes e como evitá-las

1) Hematomas:

          A preocupação com hematomas junto a cartilagens é que eles podem se "organizar", ou seja: formarem novo tecido cartilaginoso. O problema é que nas orelhas a formação de mais cartilagem traz consigo o risco potencial de"mascarar" os seus contornos normais. Além disso, um hematoma não drenado pode ainda ser o ponto de partida de um processo infecioso (chamado "condrite"), de tratamento bastante complicado. O repouso pós-operatório e o uso de curativos suavemente compressivos ajuda a evitar os hematomas. Sinais e sintomas de sua instalação são: dor, avermelhamento e inchume, principalmente se ocorrendo isoladamente ou mais acentuadamente em apenas um dos lados operados 

2) Infecção:

          A infecção nas cartilagens auriculares felizmente é ocorrência rara após otoplastias, mas é um risco potencial no caso de hematomas não diagnosticados. Além de antibióticos, poderá ser necessária a remoção dos fragmentos de cartilagem afetados, o que poderá ou não ocasionar deformidades. 

3) Assimetrias:

          Ninguém apresenta os dois lados do rosto absolutamente iguais. Se fotografadas isoladamente antes da cirurgia, certamente as suas duas orelhas serão diferentes. O que se obtém na otoplastia em realidade, são ângulos muito semelhantes entre as orelhas e a cabeça, eliminando-se assim o aspecto "em abano".

4) Perda progressiva do resultado:

          Esta é também uma queixa infreqüêente, uma vez que a maioria das técnicas cirúrgicas para correção de orelhas em abano deixa pontos internos de material inabsorvível (permanente) para fixar as cartilagens em sua nova posição, pois se isso não for feito, a "memória" da cartilagem a levará a recuperar sua forma antiga. Como estes pontos não costumam se romper, a perda do resultado com retorno parcial do aspecto em abano é explicada somente por fadiga do próprio tecido cartilaginoso ao nível da passagem dos fios de sutura, que pode ocorrer principalmente nas orelhas de consistência mais endurecida. Para evitar este problema, o cirurgião experiente costuma "enfraquecer" mais ou dar mais pontos de fixação nas cartilagens mais resistentes. Entretanto, se isto lhe suceder no pós-operatório, não se constranja de comentar o fato com seu médico: no devido prazo ele mesmo lhe irá propor a realização de um retoque na cirurgia.


 



 
          Fotografias - antes e depois da cirurgia

 
 

Equipe de Cirurgia Plástica

do Hospital Virtual DrGate
www.drgate.com.br


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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