- Causas Femininas de Infertilidade
Esta página já teve 132.525.199 acessos - desde 16 maio de 2003. Média de 24.702 acessos diários
home | entre em contato
 

Fertilização in vitro/Infertilidade/Reprodução

Causas Femininas de Infertilidade

29/03/2005

Existem também problemas de infertilidade relacionados à parceira feminina, como alterações anatômicas, distúrbios hormonais, endometriose, e outros. Mais recentemente, investigações revelaram que um número elevado de casais é afetado por infertilidade imunológica, na qual o organismo da parceira feminina reage contra o espermatozóide. Atingem cerca de 40% dos casos de infertilidade conjugal.

Em estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) observou-se como as causas mais freqüentes de esterilidade as seguintes:

- Fator ovulatório - 30%
- Fator tuboperitoneal - 45%
- Fator masculino - 35%
- Fator cérvico-uterino - 7%
- Fator imunológico - 4%
- Endometriose - 20%
- Esterilidade sem causa aparente - 15%
- Laqueadas arrependidas - 12%


a) Fator cervical - Contribui com 3% dentre todos os fatores responsáveis pela infertilidade conjugal. As malformações congênitas do canal cervical, neoplasias, infecção (gonococos, clamídia micoplasma) fatores imunológicos e as cirurgias cervicais (eletrocauterizações, conizações) alteram o canal cervical de maneira funcional e/ou anatômico.

b) Fator uterino – inclui-se aqui patologias que comprometem a migração espermática, a implantação do embrião ou a evolução da gravidez. As malformações decorrem da folha embriológica na formação dos ductos de Muller, sendo a síndrome de Rotintausti-Truster-Hauser a qual impede uma gestação espontânea, pois não existe útero e a vagina é rudimentar.

c) Os miomas (tumores uterinos benignos) acometem em 20% das mulheres acima de 30 anos. Podem ser subserosos, localizados na parede externa do útero, submucosos que ocupam a cavidade uterina ou intramurais, localizados dentro da parede uterina. As patologias do útero são diagnosticadas na história clínica, na ultra-sonografia endovaginal, na histerosalpingografia e na histeroscopia que é de suma importância para avaliar a cavidade uterina. As lesões miomatosas podem ou não impedir a gestação a depender da sua localização, volume e sintomatologia do tumor.

d) Os pólipos são geralmente de causas inflamatórias ou traumáticas e admite-se que possa dificultar a implantação do embrião na parede do útero.

e) As sinéquias são ocasionadas por formação de aderências e fibrose do endométrio conseqüente de processos inflamatórios do mesmo. As sinéquias intra-uterinas principalmente aquelas causadas por curetagens podem ocasionar dificuldade de gravidez. Podem ocupar parcial ou totalmente a cavidade uterina dificultando percurso dos espermatozóides, diminuindo a superfície para a implantação embrionária e favorecendo perdas fetais e partos prematuros.

f) A adenomiose não tem sido relatada como causa da infertilidade, mas como os focos de endométrio no músculo uterino alteram a vascularização endometrial podem ocorrer interferências na implantação embrionária.

g) Fator tuboperitoneal – trompas – correspondem à cerca de 30 a 50% das causas de infertilidade entre os casais. As principais causas são os processos inflamatórios ocasionados por gonococos e clamídia ficando em segundo lugar as alterações causadas por endometriose. Os processos infecciosos podem ocasionar obstrução tubária ou alterações enzimáticas na luz tubária. A endometriose é causada por implantação de tecido endometrial no peritônio (tecido que reveste os órgãos pélvicos) nas trompas e nos ovários. Estes focos de endométrio fora da cavidade uterina são responsáveis por aderências tubárias, alterações do ambiente tubário e uterino e por disfunção do tecido ovariano.

h) Fator ovulatório – inclui-se neste fator os ciclos menstruais anovulatórios e as disfunções ovulatórias, tais como, problemas na fase lútea, baixos níveis de progesterona. Os métodos para se avaliar a função ovariana são: a monitorização da temperatura corpórea basal, dosagem de progesterona sérica na fase lútea (pós ovulação) biópsia de endométrio, medidas de LH sérico ou urinário na metade do ciclo e a monitorização do crescimento folicular através da ultra-sonografia. A história clínica é um ótimo indicador do déficit ovulatório, pois pacientes com ciclos curtos (<21 dias) ou longos (>35 dias) são candidatas a tratamento com indutores de ovulação. Destaca-se neste fator a síndrome dos ovários micropolicisticos.

Expusemos aqui as principais causas femininas de infertilidade, outras não citadas, como hipotireoidismo, hipertireoidismo ou outras doenças associadas devem ser estudadas a depender da história clínica de cada mulher.


Síndrome de Ovários Policísticos

A Síndrome de Ovários Policísticos (SOP) foi descrita pela primeira vez em 1935 por Stein e Leventhal na Rush University em Chicago, Estados Unidos. Eles descreveram sete pacientes com história de amenorréia, hirsutismo, ovários policísticos e obesidade (em 4 delas). Eles observaram também que todas as pacientes regularizaram o ciclo menstrual após ressecção em cunha de ambos os ovários. Este um dos primeiros tratamentos proposto para tal síndrome.

A SOP é muito comum, afeta em cerca de 5 a 10% da população feminina. É caracterizada por irregularidade menstrual (oligomenorréia ou amenorréia) após puberdade normal, hirsutismo, obesidade (35 a 60% dos casos), acne e acantose nigrans como sendo as manifestações clínicas mais observadas em pacientes com SOP. O achado ao ultra-som de ovários policísticos é muito questionável como sendo um critério diagnóstico, pois cerca de 8 a 25% de mulheres normais podem apresentar ovários policísticos ao ultra-som.

O estado constante de amenorréia ou oligomenorréia, devido a anovulação, irá promover um desarranjo no padrão endócrino da paciente com SOP. Observa-se um nível sérico anormal de gonadotrofinas, elevação dos hormônios androgênios (testosterona, androstenediona, DHEA, S-DHEA), diminuição das SHBG, elevação dos níveis de insulina (resistência à insulina) e elevação de PAI-1.

Várias teorias já foram propostas para explicar a SOP, mas até o momento nenhuma é satisfatória. Atualmente, a mais aceita é uma resistência periférica a insulina, ao nível de receptor, levando a uma hiperinsulinemia.

Trabalhos mostram relação da SOP como causa de infertilidade, devido à presença de ciclos anovulatórios. Entre pacientes com SOP que conseguem ovular se observa uma maior taxa de aborto espontâneo.

A hiperinsulinemia e o hiperandrogenismo observados na SOP promovem danos não só na área ginecológica, aumentam a incidência de HAS, dislipidemias, obesidade e distúrbios na coagulação. O tratamento em geral deve visar a diminuição da resistência periférica a insulina e ser individualizado de acordo com cada paciente.

CONSEQUÊNCIAS DE ANOVULAÇÃO PERSISTENTE

1) Infertilidade
2) Alteração menstrual
3) Hirsutismo, alopécia e acne.
4) Aumento do risco de câncer de endométrio (3 vezes mais) e aumento do risco de câncer de mama.
5) Aumento do risco de doenças cardiovasculares
6) Aumento do risco de Diabetes.

OBJETIVOS DO TRATAMENTO

1) Reduzir a produção e circulação de hormônios androgênios
2) Proteger o endométrio dos efeitos de uma exposição constante de estrógenos
3) Oferecer um suporte para melhora do estilo de vida, com peso ideal.
4) Diminuir o risco para doenças cardiovasculares
5) Evitar os efeitos de hiperinsulinemia para o organismo (doenças cardiovasculares e diabetes)
6) Indução de ovulação para alcançar a gravidez, e mantê-la.

 

www.clinicaconceptus.com.br


IMPORTANTE

  •  Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. 
  • As informações disponíveis no site da Dra. Shirley de Campos possuem apenas caráter educativo.
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
versão para impressão

Desenvolvido por: Idelco Ltda.
© Copyright 2003 Dra. Shirley de Campos