- Descobertas feitas durante o sono
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Sono/Distúrbio do sono

Descobertas feitas durante o sono

13/04/2005

Os sonhos são objetos de estudo na psicoterapia. “Várias descobertas são feitas enquanto dormimos. Podemos ser advertidos a tomar devidas precauções com nossa saúde ou ter a indicação para algum problema que estamos enfrentando”, diz Rogério. Há uma dimensão transpessoal. Esse estado de consciência aumenta a sensibilidade para algo que aconteceu ao seu redor, que alguns chamam de sonhos mediúnicos ou pressentimentos. “O radar da pessoa está ligado e toda energia está centrada ali. O ser humano pode vir a perceber coisas não necessariamente ligadas a ele.”

Em 1975, Persinger estudou os efeitos de ultra-sons em voluntários dormindo. Eles acordavam com náuseas, tonturas e ansiedades. Segundo o psicólogo, isso demonstra que a nossa consciência interna, mesmo quando dormimos – e, por isso, está em nível diferente do habitual –, é sensível às perturbações ambientais, ainda que sutis. O aprendizado e rearranjo cognitivo é que vão fazer com que, através dessa reconfiguração, possam ocorrer saltos qualitativos em termos de consciência.

Na psicoterapia, o sonho é um aliado. O especialista explica que, muitas vezes, a pessoa chega ao consultório buscando ajuda para a solução de algum problema: “Nós começamos o trabalho com essa pessoa, mas temos um aliado, que é o sonhar. O sonho é um metaprograma que controla outros programas em prol da saúde. Pedimos a essa pessoa para prestar atenção aos sonhos e perceber o que acontece. A partir daí, vamos analisar e descobrir as pistas que os sonhos deixam”.

Hoje, segundo o psicólogo, existe um sistema terapêutico sofisticado que usa a atividade onírica. Quando o paciente não se lembra do sonho, ele é induzido a sonhar acordado, utilizando imagens que são importantes em termos do processo terapêutico. “Podemos pedir a ele que desenhe os sonhos, por exemplo. Interessa que ele fique receptivo e que as imagens oferecidas sejam terapêuticas”, diz Rogério. Ele explica o que é um “sonho lúcido”: a pessoa dorme, sonha e, se tiver treino e paciência, pode ‘acordar’ no sonho e fazer alterações necessárias no mesmo.

Antes de dormir, a pessoa pode pedir para o seu ‘eu’ sonhar com alguma pista sobre algo, e isso acontece. “É o que chamamos de ‘incubação do sonho’. Buscamos, no processo terapêutico, via sonhos, elementos que, aparentemente, estão desconectados, mas na realidade não estão. Nada neste ‘programa de computador mental’ é aleatório. A mente tem um ordenador interno. Na medida em que prestamos atenção ao sonhar, então, ajustes positivos podem acontecer”, afirma.

Foi o que aconteceu com o psicólogo Joaquim Rodrigues. Durante o tratamento com psicoterapia – que procurou para estar bem consigo mesmo e, com isso, poder acompanhar os pacientes –, ele relatou um sonho que o deixou intrigado. “Sonhei com animais selvagens que atacavam seres humanos. Eu estava dentro de um caminhão com meu irmão, e fizemos um círculo para nos proteger.”

Joaquim Rodrigues desenhou o sonho no papel para o terapeuta, que pediu a ele para vivenciar o sonho do ponto de vista dos animais. “Eu me vi pulando nas árvores e, quando olhei de cima, as pessoas e os animais estavam correndo sem saber por quê. Descobri que o sonho tinha relação com a criação que tive, o meu pai era muito rígido. Eu era filho mais novo e reagia muito, intrometia nas questões familiares. Quando percebi que o automatismo dos animais correndo era o mesmo automatismo que me levava a reagir em casa, tudo se clareou. Os animais se dispersaram e as pessoas seguiram para a cidade. Depois disso, a minha relação com a família mudou muito. Foi uma transposição de nível.”

MATURIDADE Outro sonho de que Joaquim Rodrigues se lembra foi com uma criança que o puxava pela mão e, chorando, queria que ele a levasse para algum lugar. “Aquilo me incomodava porque eu não tinha tempo para dar atenção àquela criança. Ao trabalhar esse sonho na terapia, vi que estava ligado à imaturidade. Medo de encarar o lado profissional”, diz. Segundo o psicólogo, os sonhos dão dicas, chamam a atenção para problemas mal-resolvidos, conflitos, despertam potenciais e validam as nossas experiências para permitir saltos qualitativos. “O sonho te dá acesso ao mundo mágico, fantástico. Desperta a consciência para o outro lado, do inconsciente, e faz a integração.”

Os sonhos em psicoterapia são temas de cursos semestrais no Pró-Gente – Centro de Psicologia e Desenvolvimento Humano, voltados para psicólogos. Maria Teresa Ribeiro Dias e Madalena Nogueira já estão no terceiro módulo do curso, ministrado por Rogério. Segundo elas, esta é uma experiência enriquecedora, que propicia um avanço no autoconhecimento. “Sinto que nossa sensibilidade fica mais aguçada”, argumenta Maria Teresa.

Os sonhos são a matéria-prima para o trabalho do grupo. Cada dia, um participante leva um sonho que teve e que considera significativo para discussão. Maria Teresa afirma que esse não é um processo estanque, pois “através do sonho, não vemos solução de problemas, mas enxergamos saídas, detectamos coisas importantes, como incongruências, estilo de vida, desafios. É tudo muito sutil”. De acordo com Madalena, o sonho é um mecanismo revelador. Sua avaliação é individual e única, já que cada um tem sua história de vida, suas amarras e conflitos. “Não existe um modelo. Trata-se das sutilezas, da delicadeza e da poesia.

Estado de Minas, 11/04/05


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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