Endocrinologia/Glândulas - Problemas de Crescimento: Quando Mais Cedo Tratar, Melhor
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Endocrinologia/Glândulas

Problemas de Crescimento: Quando Mais Cedo Tratar, Melhor

23/04/2005
 
 

Drª Helena Attroch Machado - Médica Endocrinologista do Hospital e Maternidade São Camilo

1) Quanto que criança deve crescer no ano?
O correto é crescer mais de 4 cm por ano. Na puberdade, esse crescimento pode aumentar para 12 ou 13 cm por ano. É preocupante quando o crescimento está abaixo dos 4 cm, ou menos de 6 cm, na fase da puberdade
Quanto mais cedo os pais ou responsáveis descobrirem que a criança não está com a estatura média dos amiguinhos da mesma idade, será mais fácil para evitar o nanismo. A doença caracteriza-se pela baixa estatura e pelo pouco desenvolvimento dos ossos e cartilagens, e manifesta-se, principalmente a partir dos 2 anos de idade, impedindo o crescimento e desenvolvimento saudável da pessoa durante a adolescência (período em que o crescimento sofre uma aceleração), produzindo adultos com estatura fora do padrão médio da população brasileira.
Isso porque, até os dois anos, o GH (growth hormone), ou o chamado hormônio do crescimento não estimula de fato o crescimento. Nessa fase da vida, são mais importantes a atuação da insulina, do fator nutricional, entre outros. A partir dos dois anos, quando o paciente tem deficiência de GH, os sintomas começam a se manifestar.

2) Quais são as origens da deficiência de GH?
A deficiência de GH possui várias origens, as mais comuns são os traumas durante o parto. No momento do nascimento, se o bebê está pélvico (com a cabeça voltada para dentro, de modo a sair por último do útero), no momento em que o médico puxa, pode haver uma ruptura da haste hipofisária, uma estrutura que liga a hipófise (glândula que produz o GH). Nesses casos, pode haver deficiência de produção do hormônio do crescimento. No entanto, a médica salienta o fato de a maioria dos casos ser idiopático, ou seja, não é possível saber ao certo a origem da deficiência.
Outras causas prováveis: um tumor na região do hipotálamo, ou da hipófise, na maioria dos casos benigno, mas que se comportam como se fossem malignos, pois crescem muito, comprimindo as estruturas circunvizinhas. Nesses casos, é indicada uma cirurgia, ou até mesmo, radioterapia. Isso leva a várias alterações hormonais, pois a hipófise não é responsável apenas pela produção do GH, mas de muitos outros hormônios. O GH atua diretamente nas cartilagens, por meio da somatomedina C, ou IGF, que atua promovendo a profileração das células para que haja o crescimento dos ossos longos. Além do GH, outras substâncias atuam conjuntamente no processo de crescimento como os hormônios sexuais, insulina e o fator nutricional.

3)Quando levar a criança ao especialista?
Normalmente, o que chama a atenção para os pais que têm vários filhos, é quando o mais novo começa a se aproximar muito em termos de altura, do mais velho. O menino ou a menina deixa de perder roupas e sapatos, na escola, torna-se o mais baixinho da turma. Esses são índices de importantes que devem estimular os pais a procurar um médico endocrinologista. O melhor a fazer é procurar um profissional de endocrinologia. Outros índices são: testa muito proeminente, nariz em cela (muito curvo), acúmulo de grande quantidade de gordura na região da barriga. São índices, chamados também de estigmas, que sugerem alguma deficiência na produção do hormônio do crescimento.
Toda população tem uma estatura média, que é considerada padrão. A preocupação deve surgir quando a pessoa está abaixo dessa média, o que é chamado de desvio padrão. O endocrinologista só começará a investigar se a pessoa estiver com cerca de - 2,5 de desvio padrão.Às vezes é possível encontrar pessoas que estão um pouco abaixo da estatura média, mas o fato pode ser constitucional: os pais podem ser baixos, ou seja, atuam as características genéticas.

4) A puberdade é a época do chamado “estirão”?
Durante a adolescência a taxa de crescimento se eleva, pois o GH atua em conjunto com os hormônios sexuais, que começam a ser liberados. Algumas pessoas demoram mais a entrar na puberdade do que as outras. Tem gente que começa a desenvolver os caracteres sexuais com 7 ou 8 anos (mamas, desenvolvimento dos testículos, pêlos pelo corpo e barba). Quando esse desenvolvimento dos caracteres sexuais começa muito tarde, a pessoa também demora a crescer. Há casos ainda, que a causa do não crescimento é originário de um trauma psicológico, motivo pelo qual o endocrinologista encaminhará o adolescente para um tratamento concomitante com psicoterapeuta ou psiquiatra.

5)Não há crescimento na fase adulta?
A pessoa cresce, em geral, até fechar a cartilagem do osso, o que acontece por volta dos 18 anos. Mas, há variações, em função principalmente, do começo precoce ou tardio da puberdade.
Depois que as cartilagens dos ossos longos se fecham, não há mais chances de crescer. Não adianta um adulto tomar o hormônio do crescimento, pois ele causará apenas prejuízo. Além de não fazer crescer, ele pode estimular o aparecimento de tumores, e produzir a acromegalia, - doença caracterizada pelo crescimento exagerado do nariz, queixo e orelhas. Se a produção do hormônio do crescimento é exagerada durante a adolescência, pode produzir o gigantismo, quando a pessoa cresce mais do que deveria.
Há ainda casos em que a pessoa produz o GH, mas o organismo não absorve, pois tem uma resistência contra ele, produzindo a doença denominada Síndrome de Laron.

6) Qual é a atuação do endocrinologista?
O profissional, em primeiro lugar, atuará investigando as causas da doença através de exames da função da tireóide, da função renal, gasometria venosa, hemograma para avaliar os níveis de sódio e potássio, avaliação da idade óssea (que pode estar abaixo da idade da pessoa). Caso esses exames apontem uma deficiência no crescimento, o endocrinologista tratará através da reposição do GH. São aplicações subcutâneas diárias, até a fase da puberdade.

7) Quando é indicado a administração de hormônio ou qualquer outra substãncia?
Tomar hormônio ou qualquer substância, só com orientação médica.
O uso de aminoácidos e creatina na adolescência não acelera o crescimento, apenas pode produzir um ganho de massa muscular, mas também, não causa nenhum mal, desde que o uso seja feito com supervisão médica.
Já os chamados anabolizantes hormonais, não podem ser usados, pois produzem efeitos colaterais como cirrose hepática e atrofia nos testículos. Além disso, podem fazer subir a pressão arterial, produzir edemas ou ainda facilitar o aparecimento de tumores.


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