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Clínica médica/Intensiva/Enfermagem

Efeitos do PEEP sobre o Sistema Intracranial de Pacientes com Traumatismo Cranioencefálico e Hemorragia Subaracnóide: O Papel do Sistema Respiratório

24/04/2005
 




A pressão expiratória final positiva (PEEP) pode ser efetiva na melhora da oxigenação, porém pode piorar ou induzir hipertensão intracranial.  Em um artigo publicado recentemente na revista Journal of Trauma-Injury Infection & Critical Care,  os autores hipotetizaram se os efeitos intracraniais do PEEP poderiam estar relacionados às alterações na função do sistema respiratório (FSR).

 

Foi feito um estudo prospectivo que investigou 21 pacientes com comatose e traumatismo cranioencefálico grave ou hemorragia subaracnóide os quais receberam monitorização com pressão intracranial (PIC) e exigiam ventilação mecânica e PEEP. Os 13 pacientes com FSR normal foram analisados como grupo A e oito pacientes com baixa FSR foram considerados como grupo B.  Durante o estudo,  0, 5, 8 e 12 cm de H2O de PEEP foram aplicados em uma seqüência aleatória. 

 

A pressão jugular, pressão venosa central (PVC), pressão de perfusão cerebral (PPC),  pressão intracranial (PIC), função cerebral, velocidade média das artérias cerebrais médias e saturação de oxigênio jugular foram avaliadas simultaneamente. No grupo A de pacientes,  o aumento da PEEP de 0 a 12 cm de H20 aumentou significativamente a PVC (de 10.6 +/- 3.3 para 13.8 +/- 3.3 mm Hg; p < 0.001) e a pressão jugular (de 16.6 +/- 3.1 to 18.8 +/- 3.2 mm Hg; p < 0.001),  porém reduziu a pressão arterial média (de 96.3 +/- 6.7 para 91.3 +/- 6.5 mm Hg; p < 0.01), PPC (de  82.2 +/- 6.9 para 77.0 +/- 6.2 mm Hg; p < 0.01) e a velocidade média das artérias cerebrais médias (de 73.1 +/- 27.9 para  67.4 +/- 27.1 cm/sec; F = 7.15; p < 0.001). Não foi observada variação significativa nestes parâmetros no grupo B de pacientes.  Após o aumento do PEEP,  a PIC e a função cerebral não alteraram em nenhum grupo. Apesar da saturação de oxigênio jugular ter reduzido levemente, em nenhum caso ela caiu abaixo de 50%.

 

Os autores concluíram que em pacientes com baixa FSR, o PEEP não tem efeito significativo sobre as hemodinâmicas cerebrais e sistêmicas. A monitorização da FSR pode ser útil para evitar efeitos deletérios do PEEP sobre o sistema intracranial de pacientes com FSR normal.

Effects of PEEP on the Intracranial System of Patients With Head Injury and Subarachnoid Hemorrhage: The Role of Respiratory System Compliance - Journal of Trauma-Injury Infection & Critical Care – 2005; 58(3):571-576

Effects of PEEP on the Intracranial System of Patients With Head Injury and Subarachnoid Hemorrhage: The Role of Respiratory System Compliance.
Journal of Trauma-Injury Infection & Critical Care. 58(3):571-576, March 2005.
Caricato, Anselmo MD; Conti, Giorgio MD; Corte, Francesco Della MD; Mancino, Aldo MD; Santilli, Federico MD; Sandroni, Claudio MD; Proietti, Rodolfo MD; Antonelli, Massimo MD

Abstract:
Background: Positive end-expiratory pressure (PEEP) can be effective in improving oxygenation, but it may worsen or induce intracranial hypertension. The authors hypothesized that the intracranial effects of PEEP could be related to the changes in respiratory system compliance (Crs).

Methods: A prospective study investigated 21 comatose patients with severe head injury or subarachnoid hemorrhage receiving intracranial pressure (ICP) monitoring who required mechanical ventilation and PEEP. The 13 patients with normal Crs were analyzed as group A and the 8 patients with low Crs as group B. During the study, 0, 5, 8, and 12 cm H2O of PEEP were applied in a random sequence. Jugular pressure, central venous pressure (CVP), cerebral perfusion pressure (CPP), intracranial pressure (ICP), cerebral compliance, mean velocity of the middle cerebral arteries, and jugular oxygen saturation were evaluated simultaneously.

Results: In the group A patients, the PEEP increase from 0 to 12 cm H2O significantly increased CVP (from 10.6 +/- 3.3 to 13.8 +/- 3.3 mm Hg; p < 0.001) and jugular pressure (from 16.6 +/- 3.1 to 18.8 +/- 3.2 mm Hg; p < 0.001), but reduced mean arterial pressure (from 96.3 +/- 6.7 to 91.3 +/- 6.5 mm Hg; p < 0.01), CPP (from 82.2 +/- 6.9 to 77.0 +/- 6.2 mm Hg; p < 0.01), and mean velocity of the middle cerebral arteries (from 73.1 +/- 27.9 to 67.4 +/- 27.1 cm/sec; F = 7.15; p < 0.001). No significant variation in these parameters was observed in group B patients. After the PEEP increase, ICP and cerebral compliance did not change in either group. Although jugular oxygen saturation decreased slightly, it in no case dropped below 50%.

Conclusions: In patients with low Crs, PEEP has no significant effect on cerebral and systemic hemodynamics. Monitoring of Crs may be useful for avoiding deleterious effects of PEEP on the intracranial system of patients with normal Crs.


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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