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Teen/Hebeatria/Adolescência/Jovem

Trabalho e a saúde de adolescentes

26/04/2005

 

Segundo dados do censo de 2000, existem cerca de 9 milhões de adolescentes, de 15 a 19 anos, que estão inseridos no mercado de trabalho (IBGE). Para os adolescentes, o trabalho tem um significado mais profundo, ligado intimamente com a maturidade e a emancipação econômica.
A situação sócio-econômica em que se encontra a família, é um outro motivo que pode levar o adolescente ao trabalho, tendo consistente influência nas suas decisões, até mesmo na freqüência escolar. Esse fato mantém o círculo vicioso da pobreza, fazendo com que crianças e adolescentes, tornem-se adultos que pouco poderão passar a seus filhos, além da herança da miséria e da marginalização. O trabalho precoce, geralmente, promove efeitos negativos no
desenvolvimento físico e educacional, impedindo o jovem de dedicar-se a atividades extracurriculares, como atividades lúdicas e sociais, próprias da idade, trazendo isolamento dos jovens entre seus pares e familiares, bem como sendo responsável pelo atraso escolar.
Frida Marina Fischer e colaboradores, da Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo, analisaram conseqüências do trabalho para as condições de vida, saúde e desenvolvimento psicossocial de adolescentes. Participaram do estudo 354 estudantes, de 14 a 18 anos, do ensino médio, que estudavam no período 19 às 22:30 horas, em uma escola pública estadual do município de São Paulo. A análise das representações foi realizada a partir da coleta de evocações livres. Os dados sobre sono foram obtidos por meio de questionários, sobre auto-percepções acerca das condições de vida e trabalho, sintomas de saúde e doenças. Constataram-se diferenças significativas na duração média de sono entre os adolescentes, que trabalham e os que só estudam. Os adolescentes trabalhadores relataram menores médias de duração de sono, referindo dormir menos horas, os adolescentes que sentem sono durante o trabalho e nos períodos de aulas, têm maiores exigências psicológicas no trabalho, ganham acima de 1 salário mínimo mensal, jornadas acima de 6 horas diárias ou acima de 20 horas semanais, trabalham em local barulhento, e com presença de gases e vapores. As representações do trabalho entre os jovens apontam contradição entre o seu reconhecimento como valor moral positivo para o desenvolvimento psicossocial e a construção da identidade, e as conseqüências negativas decorrentes da exposição a cargas físicas e psicológicas precocemente.

 

Ciência e Saúde Coletiva; 2003, 8(4): 973-984.


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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