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Notícias da Dra. Shirley

Identificado surto de infecção por tênia do peixe em São Paulo

06/05/2005



Data:            08/04/2005
Autor(a):       Patricia Logullo

Foi caracterizado e divulgado esta semana em São Paulo um surto de difilobotríase (infecção por Diphyllobothrium ssp, ou tênia do peixe). Casos confirmados laboratorialmente por meio de análise de amostras de fezes com detecção de ovos ou proglotes do parasita, notificados espontaneamente por laboratórios, pacientes e outros serviços médicos, no final do ano de 2004 e primeiro trimestre de 2005, deram início a uma investigação epidemiológica, envolvendo laboratórios particulares e o Adolfo Lutz, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo e a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) do Município, que ainda continua. Foram confirmados 23 casos, sendo 11 no primeiro trimestre de 2005, todos autóctones (natural do país que habita e proveniente das raças que ali sempre habitaram) . Até 2003, foram registrados em São Paulo apenas dois casos, ambos de pacientes estrangeiros.

Trata-se de doença crônica, na maior parte das vezes assintomática e identificável apenas depois de cinco a seis semanas da ingestão do peixe contaminado, quando os ovos da tênia aparecem nas amostras de fezes. Nas infecções sintomáticas, ocorrem quadros de dor, desconforto abdominal, flatulência, diarréia e vômito. Nos casos mais graves, pode ocorrer perda de peso e anemia megaloblástica (por deficiência de vitamina B12). De acordo com Maria Bernadete de Paula Eduardo e Carlos C. B. Fortaleza, do CVE, é considerado caso apenas o de infecções confirmadas por laboratório. “A definição de caso não abrange sintomas por estes serem inespecíficos e por ser a doença, geralmente de longa duração ou assintomática”, afirmam.

Ofícios e comunicados elaborados pelo CVE, pelo Laboratório Fleury e pelo Hospital das Clínicas indicam que os doentes que prestaram informações à vigilância epidemiológica relatavam cursos bem diferentes da doença, com início de sintomas desde há dois anos até um ano atrás. Houve inclusive casos de pacientes que não tiveram a infecção diagnosticada por laboratórios de pequeno porte, não familiarizados com o parasita, e que foram tratados como portadores da tênia do boi, não do peixe (e, conseqüentemente, tomaram medicação inadequada, o que levou à persistência dos sintomas). Todos consumiam sushis (prato típico japonês que consiste numa porção de arroz, com legumes no centro, envolta lateralmente em folhas de alga) e sashimis (prato típico japonês que consiste em finas lâminas de peixe cru) regularmente em alguns restaurantes da capital paulista, que são abastecidos por poucos fornecedores de peixe importado.

Uma paciente, que consumia comida japonesa cerca de três vezes por semana, conseguiu levar restos de salmão consumido para análise no Hospital das Clínicas, onde estava sendo atendida, que está sendo analisada pelo Instituto Adolfo Lutz. O CVE informa que enviou amostras de peixe coletadas em restaurantes brasileiros para o CDC (Centers for Disease Control and Prevention norte-americano) para emprego de técnicas laboratoriais mais precisas.

O CVE e a Covisa trabalham com a hipótese de que a principal fonte da infecção seja salmão importado do Chile e as autoridades chilenas já foram contactadas para análise e solução do problema. A possibilidade de que peixes da costa brasileira estejam infectados não foi descartada. Por isso, as autoridades recomendam:

- o consumo de carne de peixe crua deve ocorrer apenas quando for possível manter a carne congelada a pelo menos –18 a –20 graus Celsius por pelo menos sete dias ou a –35 graus Celsius por 15 horas

- todos os casos confirmados ou suspeitos ser obrigatoriamente notificados ao CVE (telefone: 0800 555 466, atendimento 24 horas) ou para o Serviço de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde em Brasília (0XX 61 315-3321/315-3310/315-3295)

- o tratamento recomendado é o medicamento praziquantel, na dose única de 10 mg/kg de peso corpóreo.

Contaminações por coliformes em peixe cru

Em julho, um nutricionista de Brasília já havia alertado, por meio de sua dissertação de mestrado, que o consumo de peixe cru em restaurantes japoneses envolvia risco de infecção bacteriana. Anselmo Resende coletou amostras de 87 pratos contendo sushi ou sashimi em oito restaurantes da Capital Federal e encontrou contaminação com coliformes fecais acima do limite permitido (100 NMP/g) em 25% delas. “De cada quatro amostras, uma estava contaminada por enterobactérias” revelou Anselmo. “E cada amostra foi analisada três vezes, num total de 261 testes”.

Diferentemente da infecção pela tênia do peixe, a contaminação por Escherichia coli e por Staphylococcus aureus, outra bactéria detectada nas amostras, provoca sintomas agudos, que podem aparecer em menos de meia hora. “Esse tipo de infecção alimentar pode ocasionar diarréia, náuseas, vômito, cólicas e cãibras abdominais”, alertou Anselmo.

O trabalho de Anselmo, que foi defendido junto à Universidade de Brasília (UnB), não identificou o foco de contaminação ou sua origem. Entretanto, o pesquisador acredita que diversos momentos do processamento da carne do peixe podem ter envolvido erros na manipulação que levaram à contaminação.

Bibliografias

Bassete F, Ramos V. Governo pede ao Chile dados sobre salmão. Folha de São Paulo, 06/04/05.

Secretaria de Estado da Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac". Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Ofício DDTHA/CVE no. 010/2005. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/com2_diphy.htm. Acessado em 08/04/05.

Secretaria de Estado da Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac". Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar. Comunicado Ddtha/Cve, De 28/03/05 (Atualizado Em 06/04/05) Notifique Casos De Difilobotríase/Diphillobothrium Spp. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/com2_diphy.htm. Acessado em 08/04/05.

Secretaria de Estado da Saúde Coordenadoria de Controle de Doenças Centro de Vigilância Sanitária e Centro de Vigilância Epidemiológica. Comunicado Conjunto CVS/CVE nº 01 /2005. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/COMUNICADO_PEIXE.htm. Acessado em 08/04/05.

Ingestão de peixes crus e risco de parasitoses. Disponível em: http://portal.prefeitura.sp.gov.br/noticias/sec/saude/2005/04/0006. Acessado em 08/04/05. Diphyllobothrium spp.: um Parasita Emergente em São Paulo, Associado ao Consumo de Peixe Cru – Sushis e Sashimis, São Paulo, Março de 2005. Disponível em: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa15_diphy.htm. Acessado em 08/04/05.


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