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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Doença Celíaca ou Espru Não- Tropical ou Enteropatia glúten-induzida

20/05/2005

 

A doença celíaca (espru não-tropical, enteropatia por glúten, espru celíaco) é um distúrbio hereditário no qual uma intolerância alérgica ao glúten (uma proteína) causa alterações no intestino que acarretam má absorção. Aproximadamente 1 em cada 300 indivíduos do sudoeste irlandês e 1 em cada 5.000 ou mais norte-americanos apresentam doença celíaca. Este distúrbio hereditário é causado pela sensibilidade ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, no centeio e, em menor grau, na cevadae na aveia.

Nesse distúrbio, uma parte da molécula do glúten combina-se com anticorposno intestino delgado, acarretando o achatamento do revestimento intestinal, o qual normalmente possui um aspecto de escova. A superfície lisa resultante apresenta uma capacidade muito menor de digestão e absorção dos nutrientes. Quando os alimentos que contêm glútensão evitados, a superfície intestinal recuperaseu aspecto normal em escova e a função intestinal retorna ao normal.

Sintomas

A doença celíaca pode iniciar em qualquer idade. Nos lactentes, os sintomas somente ocorrem quando alimentos com glúten são consumidos pela primeira vez. Freqüentemente, adoença celíaca não causa diarréia e nem fezes gordurosas e a criança pode apresentar apenas sintomas discretos, os quais são interpretados como sendo de um simples desarranjo do estômago. Entretanto, em algumas crianças, o crescimento normal é interrompido, elas apresentam distensão abdominal e começam a evacuar grandes volumes de fezes pálidas e fétidas. Devido à deficiência de ferro, elas apresentam anemia.

Quando ocorre uma queda acentuada da concentração de proteínas no sangue, elas podem apresentar retenção líquida e edema. Alguns indivíduos somente apresentam sintomas durante a vida adulta. As deficiências nutricionais resultantes da má absorção da doença celíaca podem causar outros sintomas. Esses sintomas incluem a perdade peso, dores ósseas e uma sensação formigamento nos membros superiores e inferiores. Alguns indivíduos com doença celíaca iniciada na infância podem apresentar ossos longos anormalmente curvos. De acordo com agravidade e a duração do distúrbio, eles também podem apresentar concentrações baixas de proteínas, de potássio ou de sódio no sangue. A deficiência de protrombina (uma substância importante para a coagulação sangüínea) fazc om que o indivíduo apresente equimoses fáceise sangramento prolongado após uma lesão. As meninas com doença celíaca podem não apresentar menstruações.

Diagnóstico

O médico suspeita de doença celíaca quando vê uma criança pálida com nádegas atróficas e abdômen proeminente apesar dela alimentar-se adequadamente, sobre tudo quando existe uma história familiar da doença. Os resultados dos exames laboratoriais e das radiografias ajudam o médico a estabelecer o diagnóstico. Algumas vezes, é útil a realização de um exame que mensura a absorção da xilose (um açúcar simples). O diagnóstico é confirmado através do exame microscópico de uma amostra de tecido obtida através de uma biópsia, o qual revela um revestimento do intestino delgado achatado, e pela melhoria subseqüente do revestimento após a interrupção do consumo de produtos que contêm glúten.

Sintomas de Deficiências de Nutrientes

  Nutriente Sintomas  
  Ferro Anemia  
  Cálcio Afinamento (rarefação) dos ossos  
  Ácido fólico Anemia  
  Vitamina B1 Sensação de formigamento, especialmente nos pés  
  Vitamina B2 Lesões na língua e fissuras nosângulos da boca  
  Vitamina B12 Anemia, sensação de formigamento  
  Vitamina C Fraqueza, hemorragia gengival  
  Vitamina D Adelgaçamento ósseo  
  Vitamina K Tendência a equimoses esangramentos  
  Proteínas Aumento de volume dos tecidos(edema), usualmente nosmembros inferiores  
       

Tratamento

Mesmo o consumo de pequenas quantidades de glúten pode causar sintomas e, por essa razão, todos os produtos que contêm glúten devem ser eliminados da dieta. O glúten é tão amplamente utilizado em produtos alimentares que os indivíduos com o distúrbio necessitam de listas detalhadas de alimentos que devem ser evitados e de uma orientação especializada por parte de um nutricionista. Por exemplo, o glúten é encontrado em sopas industrializadas, molhos, sorvetes e cachorros-quentes. Algumas vezes, as crianças que se encontram gravemente doentes no momento do diagnóstico necessitam de um período de alimentação parenteral. Os adultos raramente necessitam desse tipo de alimentação.

Alguns indivíduos são pouco reponsivos ou não respondem à supressão do glúten. Isto pode ocorrer seja porque o diagnóstico é incorreto seja porque o distúrbio entrou em uma fase não responsiva. No caso da segunda hipótese, os corticosteróides podem ser úteis. Alguns indivíduos com doença celíaca que evitaram glúten por muito tempo podem tolerara sua reintrodução na dieta. A tentativa de reintrodução do glúten pode ser razoável, mas, no caso dos sintomas retornarem, ele deve ser imediatamente removido da dieta. As dietas isentas de glúten melhoram substancialmente o prognóstico de crianças e adultos. Contudo, a doença celíaca pode ser fatal, principalmente para os adultos que apresentam uma forma grave. Uma pequena porcentagem de adultos pode desenvolver linfoma (um tipode câncer) no intestino. Desconhece-se se esse risco diminui quando o paciente segue rigorosamente uma dieta isenta de glúten.


Merck Brasil


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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