Gastroenterologia/Proctologia/Fígado - Hemorragia do estômago e intestinal
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Gastroenterologia/Proctologia/Fígado

Hemorragia do estômago e intestinal

20/05/2005

 

A hemorragia pode ocorrer em qualquer ponto do trato digestivo (gastrointestinal), da boca ao ânus. Ela pode manifestarse como a presença de sangue nas fezes ou no vômito, ou pode ser oculta, apenas detectada por meio de exames. A hemorragia em qualquer parte do trato digestivo pode ser agravada se o indivíduo apresentar também um distúrbio da coagulação.

Sintomas

Os sintomas possíveis incluem a hematêmese (vômito de sangue), a melena (fezes pretas negras, semelhantes ao alcatrão) e a hematoquezia (eliminação de sangue visível através do reto). A melena comumente é devida a uma hemorragia digestiva alta (p. Ex., do estômago ou do duodeno). A coloração escura do vômito é devida à exposição do sangue ao suco gástrico e à digestão bacteriana por várias horas antes de ele ser eliminado do organismo. Aproximadamente 60 ml de sangue podem produzir melena.

Um episódio isolado de hemorragia intensa pode produzir fezes escuras durante uma semana. Portanto, a persistência da evacuação de fezes escuras não indica necessariamente um sangramento persistente. Os indivíduos com sangramento prolongado podem apresentar sintomas de anemia como, por exemplo, cansaço fácil, palidez incomum, dor torácica e sensação de desmaio. Nos indivíduos que não apresentam esses sintomas, o médico pode ser capaz de detectar uma queda anormal da pressão arterial na passagem da posição deitada para a posição sentada. Os sintomas que indicam uma perda de sangue grave incluem a freqüência de pulso acelerada, a hipotensão arterial e a redução do débito urinário. O indivíduo também pode apresentar mãos e pés frios e úmidos.

A redução do suprimento sangüíneo cerebral causada pela perda de sangue pode acarretar confusão mental, desorientação, sonolência e inclusive o choque. No caso de o indivíduo apresentar uma outra doença, os sintomas de uma perda sangüínea grave podem ser diferentes. Por exemplo, um indivíduo com uma doença coronariana grave pode apresentar subitamente um quadro de angina ou sintomas de um infarto do miocárdio. Em um indivíduo com uma hemorragia gastrointestinal grave, os sintomas de outras doenças (p. Ex., insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, doença pulmonar e insuficiência renal) podem piorar. Nos indivíduos com hepatopatias (doenças do fígado), o sangramento intestinal pode causar um acúmulo de toxinas, as quais, por sua vez, produzem sintomas como alterações da personalidade, da consciência e da capacidade mental (encefalopatia hepática).

Diagnóstico

Após uma perda sangüínea grave, o hematócrito (um tipo de exame de sangue) geralmente revela uma baixa concentração de eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sangue. O conhecimento dos sintomas responsáveis por um episódio de hemorragia pode ser útil para o médico determinar a sua causa. A dor abdominal que é aliviada pelos alimentos ou por antiácidos sugere uma úlcera péptica. No entanto, as úlceras hemorrágicas freqüentemente são indolores.

Os medicamentos que podem lesar a mucosa gástrica (revestimento do estômago), como a aspirina, podem causar sangramento gástrico que manifestase por meio da presença de sangue nas fezes.Um indivíduo com uma hemorragia gastrointestinal que apresenta anorexia (perda de apetite) e perda de peso sem razão aparente deve ser submetido a uma investigação para se excluir a existência de um câncer. Para um indivíduo com dificuldade de deglutição, deve ser investigada a presença de um câncer ou de uma estenose do esôfago. Os vômitos e os vômitos secos intensos antes de uma hemorragia sugerem uma laceração do esôfago. No entanto, aproximadamente 50% dos indivíduos com esse tipo de lesão não vomitam previamente.

A constipação ou a diarréia concomitante com hemorragia ou a presença de sangue oculto nas fezes pode ser causada por um câncer ou um pólipo localizado na porção inferior do intestino, sobretudo quando se trata de alguém com mais de 45 anos de idade. A presença de sangue fresco na superfície das fezes pode ser decorrente de hemorróidas ou de um problema retal (p. Ex., câncer). O médico examina o paciente em busca de indícios que possam apontar para a origem do sangramento. Por exemplo, durante um exame retal, o médico verifica a presença de hemorróidas, lacerações retais (fissuras) e tumores.

Em seguida, os exames são escolhidos de acordo com a suspeita do médico em relação à origem do sangramento, se a origem é do trato digestivo superior (esôfago, estômago e duodeno), ou do trato digestivo inferior (parte inferior do intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus). Normalmente, no caso de suspeita de distúrbios do trato digestivo superior, a primeira investigação consiste na realização de uma sondagem gástrica (passagem de uma sonda através do nariz até o estômago) para coleta de líquido. O líquido do estômago que se assemelha a borra de café é conseqüência da digestão parcial do sangue, indicando que o sangramento é lento ou que ele cessou.

O sangue vermelho vivo e brilhante e contínuo indica um sangramento ativo e vigoroso. A seguir, o médico freqüentemente realiza uma endoscopia digestiva alta (exame do esôfago, estômago e duodeno com o auxílio de um tubo de visualização flexível) para detectar a origem do sangramento. No caso de não ser detectada uma gastrite ou uma úlcera gástrica ou duodenal, ele pode realizar uma biópsia (coleta de amostra de tecido para exame microscópico. A biópspiia pode determinar se o sangramento é devido a uma infecção causada pelo Helicobacter pylori. Este tipo de infecção é tratado e, normalmente, é curado com a antibioticoterapia.

O médico também investiga a existência de pólipos e cânceres no trato gastrointestinal inferior através da realização de um enema baritado, ou de uma endoscopia. Ele pode visualizar diretamente o interior da parte inferior do intestino com o auxílio de um anoscópio, de um sigmoidoscópio flexível ou de um colonoscópio. Se essas investigações não revelarem a origem do sangramento, o médico solicita uma angiografia (radiografias realizadas após a injeção de uma substância radiopaca) ou uma cintilografia (após a injeção de eritrócitos radiomarcados). Essas técnicas são particularmente úteis para revelar se a causa do sangramento é uma malformação vascular.

Locais e Causas do Sangramento Gastrointestinal

 

Locais

  Causas

  Esôfago

  • Laceração tissular
• Sangramento de veias varicosas
• Câncer

  Estômago

  • Úlcera cancerosa ou não cancerosa
• Irritação (gastrite), como a causada pela aspirina ou pelo Helicobacter pylori

  Intestino delgado

  • Úlcera duodenal não cancerosa
• Tumor canceroso ou não canceroso

  Intestino grosso

  • Câncer
• Pólipo não canceroso
• Doença inflamatória intestinal (doença de Crohn ou colite ulcerativa)
• Doença diverticular
• Vaso sangüíneo anormal na parede intestinal (angiodisplasia)

  Reto

  • Câncer
• Tumor não canceroso

  Ânus

  • Hemorróidas
• Laceração anal (fissura anal)

         
         


Tratamento

Em mais de 80% dos casos de sangramento gastrointestinal, as defesas do organismo interrompem o sangramento. Freqüentemente, os indivíduos que continuam a sangrar ou que apresentam sintomas de uma perda sangüínea importante são hospitalizados e, comumente, são internados em uma unidade de terapia intensiva. No caso de ter havido uma perda sangüínea importante, pode ser necessária a realização de transfusão sangüínea. Para evitar a sobrecarga de volume na circulação sangüínea, pode ser realizada a transfusão de concentrado de eritrócitos ao invés de sangue total.

Após a restauração do volume sangüíneo, o indivíduo é monitorizado atentamente, verificandose a ocorrência de sinais de persistência do sangramento (p. Ex., aumento da freqüência de pulso, queda da pressão arterial ou perda de sangue pela boca ou ânus). O sangramento de veias varicosas localizadas na porção inferior do esôfago (varizes esofágicas) pode ser tratado de várias maneiras. Um dos métodos consiste na passagem de um cateter com balão através da boca até o esôfago e na insuflação do balão para comprimir a área sangrante. Um outro método consiste na injeção de uma substância química irritante no vaso sangüíneo, que causa inflamação e cicatrização das veias.

O sangramento gástrico freqüentemente pode ser interrompido através de procedimentos endoscópicos. Eles incluem a cauterização do vaso sangrante com uma corrente elétrica e a injeção de um material que provoca a coagulação do sangue no interior dos vasos. Se esses procedimentos falharem, a cirurgia pode ser necessária. Normalmente, o sangramento da porção baixa do intestino não exige um tratamento de emergência. Contudo, quando necessário, é realizado um procedimento endoscópico ou uma cirurgia abdominal. Às vezes, a localização do sangramento não pode ser determinada comprecisão e, por essa razão, pode ser realizada a remoção de um segmento do intestino.

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