Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura -
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Alternativa/Fitoterapia/Acupuntura

Avaliação do potencial antimutagênico do extrato de Solanum melongena (berinjela) frente o quimioterápico doxorrubicina

22/05/2005


Acadêmico: Luciano Ferreira
Orientador: Prof. Dr. Edson Luis Maistro
Técnica - Lucimara Maria da Silva


INSTITUIÇÃO: UNIFENAS
Laboratório de Pesquisas em Genética
Rodovia MG 179, Km 0, Caixa Postal 23
37130-000 Alfenas, MG
Fone: (035) 299-3255
Fax: (035) 299-3125
E-Mail: maistroedson@yahoo.com.br

1.

INTRODUÇÃO ..........................................................................................

 

1.1

Considerações gerais sobre mutagênese .......................................................

 

1.2

Teste do micronúcleo em medula óssea .......................................................

 

1.3

Aplicações do teste de metáfase de medula óssea ........................................

 

1.4

Considerações sobre Solanum melongena ...................................................

 

2.

OBJETIVOS ...............................................................................................

 

3.

MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................

 

3.1

Materiais .......................................................................................................

 

3.2

Métodos ........................................................................................................

 

3.2.1

Os grupos experimentais ..............................................................................

 

3.2.2

Obtenção de células metafásicas de medula óssea de ratos .........................

 

3.2.3

Análise do índice mitótico ............................................................................

 

3.2.4

Obtenção de células da medula óssea para análise da frequência de micronúcleos ..................................................................

11

4.

RESULTADOS............................................................................................

13

5.

CONCLUSÃO.............................................................................................

15

6.

CRONOGRAMA DO PROJETO .............................................................

16

7.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................

17

1 INTRODUÇÃO

1.1 Considerações gerais sobre mutagênese

O desenvolvimento industrial tem como conseqüência inevitável a exposição do homem a um número crescente de agentes que, se por um lado lhe aumentam o conforto e a riqueza, constituem, por outro, um risco para sua saúde. Por isso é imprescindível estabelecer normas de uso de agentes, baseadas em estudos capazes de identificar os que têm potencialidades mutagênicas, teratogênicas ou carcinogênicas. Para serem eficientes, tais normas devem acompanhar o progresso científico e sofrer revisões e atualizações freqüentes (RABELLO-GAY et al., 1991; WEISBURGER, 1999).

A vulnerabilidade do material genético e agressões impostas pelo ambiente criou, assim, uma nova área de pesquisa – a Genética Toxicológica – na qual especialistas em genética, bioquímica, biologia molecular e toxicologia trabalham para estudar as lesões induzidas por substâncias químicas (BROWN, 1999).

Mutação é toda alteração do material genético de uma célula que não resulta de segregação e recombinação. Quando não é letal para a própria célula, ela pode propagar-se pelo corpo em crescimento (mutação somática) ou transmitir-se às gerações seguintes (mutação germinal). A mutação pode ser espontânea ou induzida por agentes físicos, químicos ou biológicos; incluindo células somáticas, pode levar a um processo carcinogênico no próprio indivíduo. Se ocorrer em células germinativas, pode produzir doenças ou malformações nas gerações futuras (GRIFFITHS et al., 1998).

As mutações e a cancerização estão estreitamente associadas, porque ambas representam alterações abruptas em uma única célula, permanentes e herdadas pelas células filhas. Por isso, os testes de mutagenicidade são para a pré – seleção de agentes químicos a serem avaliados, quanto a seu potencial carcinogênico, por testes de longa duração em roedores (RABELLO-GAY et al., 1991; WEISBURGER, 1999).


1.2 Teste do micronúcleo em medula óssea

Agentes clastogênicos ou que interferem na formação do fuso mitótico, alterando a distribuição equitativa dos cromossomos durante a divisão celular, podem ser detectados, em uma primeira abordagem, pelo teste do micronúcleo, realizado em mamíferos in vivo (HEDDLE, 1973). As substâncias a serem testadas são geralmente administradas a roedores e o efeito verificado em esfregaços da medula óssea. O ensaio serve como um primeiro passo no estudo de compostos mutagênicos, tendo a vantagem de ser mais rápido que a análise de aberrações cromossômicas.

Os micronúcleos (MN), um ou vários por célula, resultam de fragmentos cromossômicos acêntricos ou cromossomos que se atrasam em relação aos demais em sua migração para os polos da célula em anáfase.

HEDDLE e CARRANO (1977) mediram o conteúdo de DNA de micronúcleos induzidos por radiação gama na medula de camundongos e mostraram que esse conteúdo variou de 0,5 a 11,1% do núcleo diplóide em G1, com uma média de 3,5%. Tais resultados estão de acordo com o esperado, na hipótesede que os micronúcleos surgem de fragmentos acêntricos produzidos por quebra ao acaso do genoma do animal.

Segundo o procedimento original (HEDDLE, 1973; SCHMID, 1976), os micronúcleos são contados nos eritrócitos jovens. Quando os eritroblastos expelem seu núcleo, ao se transformarem em eritrócitos, os micronúcleos permanecem no citoplasma onde são facilmente reconhecíveis. Durante um período de 10 a 24 horas, os eritrócitos jovens são policromáticos (RNA-positivos), isto é, coram-se em azul e não em vermelho. Se forem contados os micronúcleos apenas neste tipo de célula, haverá a segurança de que eles se formaram na mitose anterior, na presença do agente mutagênico. Como o período entre a última divisão e a formação do eritrócito policromático (EP) é de 8 a 12 horas, é obvio que só se vai encontrar micronúcleos induzidos pelo agente cerca de 10 horas após o tratamento. Além disso, o intervalo mínimo dentro do qual os micronúcleos podem ser detectados corresponde à duração do estágio de policromático, entre 10 a 24 horas.

A morfologia dos outros tipos de células da medula não permite dizer se elas estavam mitoticamente ativas durante o período do experimento. Os micronúcleos são tipicamente arredondados, com diâmetro de 1/20 a 1/5 do diâmetro do eritrócito. Correspondem ao que se denomina, em hematologia, de corpúsculos de Howell-Jolly. A taxa espontânea de eritrócitos policromáticos com micronúcleo é baixa e consistente, cerca de 3 por 1000.

São diversos os trabalhos utilizando a técnica do micronúcleo para avaliação de mutagenicidade e/ou antimutagenicidade de diversos compostos aos quais os seres humanos estão expostos. A análise do inseticida Nuvacron pelo teste do micronúcleo revelou um efeito genotóxico do mesmo nas concentrações de 2,5 e 5,0 mg/Kg (PEITL-JR., SAKAMOTO-HOJO & CÓLUS, 1996). SCHER et al. (2000) analisando o potencial genotóxico do Saião, planta cujo extrato é amplamente utilizado como antiinflamatório por seres humanos, relataram que o extrato aquoso da referida planta não apresentou ação mutagênica em camundongos pelo teste do micronúcleo. DELMANTO et al. (2000) relataram que o chá do cogumelo Agaricus blazei, conhecido como “cogumelo do sol” apresentou efeito protetor contra a mutagenicidade da ciclofosfamida em camundongos Swiss, também através da análise de micronúcleos, tanto em eritrócitos policromáticos da medula óssea quanto em reticulócitos do sangue periférico. Os trabalhos acima exemplificam bem a potencialidade do texte do micronúcleo nos ensaios de avaliação de mutagenicidade.


1.3 Aplicações do teste de metáfase de medula óssea

Testes com animais de laboratório oferecem grandes vantagens no estudo do potencial mutagênico de um composto. A primeira é, sem dúvida, o metabolismo do animal, que nunca pode ser totalmente reproduzido num sistema in vitro. No organismo intacto, podemos utilizar as condições de exposição a que o homem está sujeito, seja quanto à via de administração, duração do tratamento (agudo ou crônico) ou condições nutricionais. Outro aspecto importante é a especificidade do órgão – alvo quanto à atividade mutagênica da substância em estudo (RABELLO–GAY et al., 1985; WEISBURGER, 1999).

A medula óssea de mamíferos presta-se bem ao estudo de aberrações cromossômicas induzidas por drogas, visto que suas células levam de 22 a 24 horas para completar um ciclo em divisão (DATTA et al., 1970; RABELLO-GAY et al., 1991). Os animais (camundongos ou ratos) são expostos à substância a ser testada, por uma via apropriada. Após o sacrifício, retira-se a medula óssea do fêmur e analisam-se as aberrações cromossômicas nas células em metáfase (HUS & PATTON, 1969; RABELLO-GAY et al., 1991). As aberrações encontradas podem afetar uma ou ambas as cromátides (cromatídicas ou isocromatídicas) e resultam de quebras seguidas de soldadura. Provavelmente muitas quebras se soldam a morfologia original do cromossomo e passam desapercebidas (RABELLO-GAY et al., 1991).

Diversos pesquisadores tem utilizado em seus trabalhos científicos os testes citogenéticos, como o de metáfases de medula óssea, para verificação do potencial genotóxico de diversos compostos. OLIVEIRA et al. (1994) relataram ausência de genotoxicidade do óleo de Dendê (Elaeis guineensis) através da análise de células metafásicas da medula óssea de camundongos. Os extratos aquosos das plantas medicinais Alpinia mutans Rosc e Pogostemun heyneanus Benth testados in vivo em ratos Wistar, não induziram alterações cromossômicas estruturais ou numéricas (DIAS and TAKAHASHI, 1994). Além dos exemplos acima, envolvendo a análise de extratos de plantas medicinais e óleos comestíveis, diversos outros compostos químicos tem sido estudados quanto ao seu potencial mutagênico. Um exemplo foi a análise do trifenil hidróxido de estanho (TPTH), cujos ensaios de genotoxicidade revelaram efeitos clastogênicos sobre as células de medula óssea de ratos Wistar (GRISOLIA and BICALHO-VALADARES, 1997). Os exemplos acima citados ilustram bem a grande aplicação dos ensaios citogenéticos na área mutagênese.


1.4 Considerações sobre Solanum melongena

A Solanum melongena é uma planta arbustiva, anual, originária da índia, pertencente à família Solanaceae, sendo considerada de fácil cultivo no trópico e subtrópico. Conhecida por berinjela berengens ou tongu essa fruta carnosa, redonda ou oval alongada, com casca lisa, de coloração escura ou arroxeada, anteriormente cultivada na África, de onde chegou à Europa e mais tarde às Américas, sendo encontrada no Brasil desde o Século XVII (JORGE et al., 1998).

Possui como constituintes químicos proteínas, vitaminas (vit. B1, vit. B12, vit.C, vit. P - principalmente na casca, niacina), minerais (sódio, potássio, cálcio, fósforo, ferro), aminoácidos, colina, pigmentos, ácido clorogênico, saponinas e cinarina, etc. (NODA et al., 1998).

Acredita-se que os padres carmelitas foram os primeiros a experimentá-las em seus conventos e, encantados com seu sabor e propriedades terapêuticas, passaram a divulgar o seu consumo. A aceitação foi enorme. Partindo dessas características a berinjela tornou-se hábito alimentar no mundo todo e passou a fazer parte de dietas dos mais variados tipos. Hoje, a S. melongena vem sendo usada, indiscriminadamente, no combate de dislipidemias , regimes que visam o emagrecimento e outras coisas mais (SIMÕES et al., 1999).

Ainda hoje a berinjela é utilizada comumente pela população pois acredita–se possuir ação protetora das funções hepáticas; aumenta a produção de bílis e sais biliares; facilita a contração da vesícula biliar; laxante; digestiva; diminui e regula o colesterol (reduz a oxidação do LDL). A alta concentração de vitaminas A, B1, B2, B3 e antioxidantes sugerem um potencial terapêutico na restauração de danos arteriais provocados por altos índices de colesterol e na redução das taxas de triglicerídeos no sangue (SUDHEESH et al., 1997; SUDHEESH et al., 1999).

Recentemente muitos pesquisadores têm-se dedicado à berinjela tentando avaliar seu potencial diante da dislipidemia, hipercolerastemia entre outros distúrbios orgânicos que prejudicam enormemente o ser humano (SUDHEESH et al., 1997; SUDHEESH et al., 1999). Muitas pesquisas foram sendo publicadas no intuito de mostrar a comunidade científica os usos desse vegetal tão comum em nossas mesas. Há inclusive comercialização do extrato bruto da berinjela em farmácias ou lojas que se especializam em produtos naturais. Sua forma de consumo varia desde chás, cápsulas, extratos entre outros. Como exemplo, a berinjela tem sido apontada como possuidora da capacidade de reduzir o colesterol sérico. A infusão do vegetal vem sendo utilizada com este propósito, devido ao interesse na descoberta de formas alternativas para o controle da hipercolesterolemia. Em um recente trabalho testou-se o efeito do chá de beringela nos níveis séricos e hepáticos de colesterol e triglicerídeos, em ratos adultos. Os resultados obtidos indicam que, nas condições experimentais utilizadas, o chá de beringela eleva o colesterol sérico, reduz o hepático, e tem pouco ou nenhum efeito sobre os triglicerídeos, tanto séricos quanto hepáticos. O chá tem efeito maléfico sobre o colesterol (SILVA et al., 1998).

Flavonóides extraídos do fruto de S. melongena também têm mostrado uma potente atividade anti-oxidante (SUDHEESH et al., 1999). Alguns trabalhos tem sugerido que substâncias anti-oxidantes podem apresentar propriedades anti-carcinogênicas (KATIYAR et al., 1994; ANTUNES & TAKAHASHI, 1999).

Diante das sucintas informações acima, em especial no parágrafo anterior, aliadas estas ao fato de que muitos medicamentos usados em quimioterapia causam aberrações cromossômicas, torna-se de extremo interesse a avaliação do potencial protetor do extrato padronizado da berinjela em células normais de animais tratados com este tipo de medicamento, aventando a possibilidade deste extrato ser utilizado como um medicamento coadjuvante à quimioterápicos utilizados no tratamento do câncer.


2. OBJETIVOS

Face ao comprovado efeito mutagênico, também em células normais, que alguns medicamentos utilizados convencionalmente no tratamento do câncer apresentam, elaborou-se este projeto visando:

1- Avaliar o potencial protetor do extrato padronizado de Solanum melongena sobre células da medula óssea de ratos Wistar tratados com o medicamento quimioterápico Doxorrubicina.


3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Materiais

O extrato bruto da berinjela foi obtido a partir do fruto. Tal processo foi desenvolvido no laboratório de Fitofármacos da UNIFENAS.
Os animais utilizados no experimento foram ratos Wistar pesando aproximadamente 100g, provenientes do biotério central da UNIFENAS.


3.2 Métodos


3.2.1 Os grupos experimentais

Os experimentos foram desenvolvidos em 4 grupos de ratos Wistar, constituídos cada um por três animais de cada sexo. Os tratamentos em cada grupo foram os seguintes:

1. Controle positivo: Aos ratos administraram-se intraperitonealmente 0.5 mL/100g de peso corporal, do quimioterápico Doxorrubicina na concentração de 90 mg/Kg, sendo os animais submetidos à eutanásia 24 horas após a aplicação.

2. Controle negativo: Os ratos foram tratados com 0,5 ml de extrato de berinjela na concentração de 50% da DL50 (que é de 3 g/Kg em camundongos), via oral, sendo submetidos à eutanásia 24 horas após o tratamento.

3. Tratamento 1: Os ratos foram tratados com 0,5 ml de extrato de berinjela na concentração de 50% da DL50 (que é de 3 g/kg em camundongos), via oral, e cerca de 30 minutos depois receberam intraperitonealmente 0.5 mL/100g de peso corporal, do quimioterápico Doxorrubicina na concentração de 90 mg/Kg, sendo os animais submetidos à eutanásia 24 horas após a aplicação.

4. Tratamento 2: Os ratos foram tratados com 0,5 ml de extrato de berinjela na concentração de 50% da DL50 (que é de 3 g/Kg em camundongos), via oral, durante dez dias consecutivos, e cerca de 30 minutos após o último tratamento com o extrato da berinjela, receberam intraperitonealmente 0.5 mL/100g de peso corporal, do quimioterápico Doxorrubicina na concentração de 90 mg/Kg, sendo os animais submetidos à eutanásia 24 horas após esta aplicação.


3.2.2 Obtenção de células metafásicas de medula óssea de ratos

A técnica utilizada para a obtenção dos cromossomos metafásicos mitóticos de medula óssea é a de FORD and HAMERTON (1956), modificada, que consiste em:

1- Utilizar ratos Wistar de aproximadamente 100g provenientes do Biotério Central.
2- Injetar subcutaneamente na região ventral 0,5ml de colchicina (solução aquosa de colchicina 0,16%) para cada 100g de peso corpóreo.
3- Sacrificar os animais 1:30 horas após, por eterização.
4- Retirar os fêmures de ambas as patas traseiras, limpar bem com gaze e cortar as epífises.
5- Retirar a medula óssea introduzindo no canal medular a agulha de uma seringa contendo 5ml de solução hipotônica de cloreto de potássio (KCL) 0,075M, a 37oC. Passar a mesma solução pelo menos 3 vezes para retirar o conteúdo por completo. Pode ser utilizado placa de petri como recipiente do material.
6- Misturar delicadamente o material com a seringa sem agulha. Prestar atenção para não espirrar o material para fora do recipiente.
7- Se o tempo de hipotonização não ultrapassar os 10 minutos transferir o material para o tubo de centrifuga e levar a estufa a 37oC até completar o tempo.
8- Centrifugar a 800 rpm por 5 min. e desprezar o sobrenadante com uma pipeta Pasteur.
9- Adicionar cerca de 5ml de fixador (metanol 3:1 ácido acético) ao tubo. Com o tubo contra a palma da mão homogeneizar o material com suaves pancadas. Divulsionar suavemente o material com pipeta Pasteur. Centrifugar por 5 min. a 800 rpm e desprezar o sobrenadante.
10- Ressuspender em 5ml de fixador, centrifugar, desprezar o sobrenadante e ressuspender em 2ml de fixador. O material pode ser conservado em geladeira por 24 horas, nesta etapa do experimento.

PREPARAÇÃO DAS LÂMINAS

1- gotejar o material sobre uma lâmina molhada em água gelada.
2- passar levemente por uma chama (somente as lâminas para análise convencional)
3- corar com a solução de Giemsa (1ml Giemsa; 30ml tampão Sorensen pH=6.8), por 5 min.
4- Analisar as metáfases completas (42 cromossomos ou 41) e desenhar os cromossomos

Obs.: As lâminas devem estar totalmente LIMPAS e conservadas em água destilada gelada, caso contrário o fixador não se espalha uniformemente.


3.2.3 Análise do índice mitótico

Para esta avaliação foi contadas o número de células em divisão celular dentre 1.000 células para cada animal, analisadas ao acaso nas lâminas.

Todos os dados obtidos foram submetidos a cálculos estatísticos comparando os resultados das análises citogenéticas dos animais dos tratamentos 3 e 4 com os animais dos grupos controle.

3.2.4 Obtenção de células da medula óssea para análise da frequência de micronúcleos

A técnica utilizada para a obtenção das células de medula óssea para o estudo da frequência de micronúcleos é a SCHIMID (1976), modificada por ZAMBRANO, TARGA & RABELLO-GAY (1982), que consiste em:

1. Administar a substância a ser testada por via oral ou intraperitonial.
2. Submeter o animal à eutanásia por deslocação cervical ou eterização.
3. Retirar o fêmur.
4. Limpar o osso e cortar na epífise proximal.
5. Aspirar 1,0 ml de NaCl 0,9% à temperatura ambiente de um tubo de centrífuga cônico em seringa de 1cm3 e introduzir agulha na extremidade aberta do fêmur. Obs: A técnica original exigia soro bovino fetal; a introdução de NaCl 0,9% é modificação de Zambrano et al. (1982).
6. Lavar a medula, em tubo de centrífuga cônico contendo 3 ml de NaCl 0,9%.
7. Homogeneizar a suspensão com pipeta Pasteur siliconizada.
8. Centrifugar a 1000 rpm/ 5 mim.
9. Descartar o sobrenadante. Adicionar 5 gotas de formol 4% e homogeneizar o botão de células com pipeta Pasteur.
10. Transferir uma gota de suspensão celular para a lâmina e fazer o esfregaço.
11. Deixar secar no ar.
12. No dia seguinte, fixar em álcool 70% durante 10 mim.
13. Secar bem.
14. Corar com Giemsa diluído 1:10 em tampão fosfato pH 6,8 durante 15 mim.
15. Lavar em tampão.
16. Lavar em água corrente.
17. Secar bem.
18. Passar em acetona 10 mim.
19. Passar em xilol 10 mim.
20. Observar em objetiva de imersão.

Para cada animal foram analisadas 2000 eritrócitos policromáticos com o auxílio de um contador de células digital, para a determinação da frequência de micronúcleos nestas células da medula óssea.

Todos os dados obtidos foram submetidos a cálculos estatísticos comparando os resultados dos animais tratados com o extrato de Hypericum brasiliense com os animais dos grupos controle.

4 RESULTADOS

Os resultados estão apresentados nas Tabelas a seguir:

Tabela 1. Números de micronúcleos (MN) em eritrócitos policromáticos (PE) observados em fêmeas (F) e machos (M) tratamentos simultâneos com DXR em medula óssea de ratos Wistar (DXR, 10 mg/Kg de peso corporal) e extrato de Solanum melongena (50% da DL50), e respectivos controles.

Tratamentos

 

 

 

Número de MN a cada

2000 EPC/animal

 

 

Média

MNEPC ± SE

 

F1

F2

F3

M1

M2

M3

 

Controle negativo(Extrato Solanum melongena (50% da DL50))

 

6

 

3

 

3

 

8

 

0

 

2

 

3.66 ± 1.17

 

 

 

 

 

 

 

 

Extrato de Solanum + Doxorrubicina (1 dia)

 

9

 

11

 

8

 

6

 

7

 

3

 

7.33 ± 1.12*

 

 

 

 

 

 

 

 

Extrato de Solanum (10 dias) + Doxorrubicina (último dia)

 

6

 

10

 

9

 

12

 

7

 

9

 

8.83 ± 0.87*

 

 

 

 

 

 

 

 

Controle positivo(Doxorrubicina 90mg/Kg)

 

22

 

17

 

19

 

15

 

21

 

18

 

18.66 ± 1.05

 

 

 

 

 

 

 

 

 
                       
 

2000 células foram analizadas por animal, em um total de 12000 células por grupo.
* Significante diferença com DXR sozinha (P < 0.05).

Tabela 2. Índice Mitótico (MI) e distribuição dos diferentes tipos de aberrações cromossômicas (CA) observados em fêmeas (F) e machos (M) tratamentos simultâneos com DXR em medula óssea de ratos Wistar (DXR, 10 mg/Kg de peso corporal) e extrato de Solanum melongena (50% da DL50), e respectivos controles.

Tratamentos Sexo MI (%)     Aberrações Cromossômicas   Total (CA)
      Gaps     Quebras    
      C IC C IC OA  
Extrato S. melongena F1 3.4 0 0 1 1 1 del 3
(Controle negativo) F2 3.7 0 0 0 0 0 0
  F3 4.0 0 0 1 0 0 1
  M1 4.1 0 0 1 0 0 1
  M2 3.0 0 0 0 0 0 0
  M3 3.5 1 0 1 0 0 2
  média ± SEM 3.61 ± 0.17           1.16 ± 0.48
S. melongena + DXR F1 3.1 1 0 0 0 3 del 4
(dose única do extrato) F2 2.1 0 0 1 2 0 3
  F3 2.7 0 0 6 0 1 fra 7
  M1 2.6 2 0 0 0 3 del 5
  M2 3.5 1 0 1 0 2 del 4
  M3 3.0 3 0 4 0 0 7
  média ± SEM 2.83 ± 0.19           5.00* ± 0.68
S. melongena + DXR F1 3.1 0 0 1 0 2 del 3
(dez doses do extrato) F2 3.9 0 2 2 0 0 4
  F3 2.1 1 0 2 0 0 3
  M1 2.9 0 0 1 0 1 fra 2
  M2 2.9 0 0 2 0 0 2
  M3 3.2 1 0 4 1 1 del 7
  média ± SEM 3.01 ± 0.24           3.50* ± 0.76
Somente DXR F1 2.4 2 0 3 3 0 8
(Controle positivo) F2 4.0 2 0 4 0 4 del 10
  F3 1.9 0 2 3 0 4 del 9
  M1 1.9 3 0 4 0 3 del 10
  M2 1.7 5 0 3 0 1 fra 9
  M3 2.0 2 1 3 0 4 del 10
  média ± SEM 2.31 ± 0.34           9.33 ± 0.33

100 células foram analisadas por animal, com um total de 600 células por tratamento.
C, tipo-cromatídeo; IC, tipo-isocromatídeo; OA, outras aberrações: del = deleção; fra = fragmentos;
SEM = erro padrão da média. * Significante diferença com DXR sozinha (P < 0.05).


5. CONCLUSÕES

Em ambos os tratamentos agudos desenvolvidos neste trabalho, os animais que

receberam o extrato de S. melongena tiveram uma redução estatisticamente significativa

dos efeitos clastogênicos causados pelo quimioterápico Doxorrubicina.


6. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO DO PROJETO

Este projeto foi desenvolvido seguindo as etapas e calendário discriminados na tabela abaixo:

Atividades desenvolvidas

Ago.

2002

Set.

Out.

Nov.

Dez.

Jan.

2003

Fev.

Mar.

Abr.

Mai.

Jun.

Jul.

 1. Obtenção do extrato de Solanum melongena

X

X

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--

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--

--

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--

--

--

--

 2. Tratamento dos grupos de animais com o extrato e o quimioterápico, e também dos grupos controle.

--

X

X

X

X

--

--

--

--

--

--

--

 3. Análise microscópica das preparações contendo células da medula óssea para avaliação do potencial antimutagênico.

--

--

--

X

X

X

X

X

X

X

--

--

 4. Organização dos resultados para apresentação em Reuniões Científicas. 

--

--

--

--

--

--

--

X

X

X

--

--

 5. Avaliação estatística, atualização bibliográfica e confecção do relatório final do projeto.

--

--

--

--

--

--

--

--

--

--

X

X

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, L.M.G. & TAKAHASHI, C.S. (1999). Olive oil protects against chromosomal aberrations induced by doxorubicin in wistar rat bone marrow cells. Gen. Mol. Biol., 22(2): 225-227.

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