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Hipertensão/Pressão Alta

Desordem hipertensiva na gravidez exige rigorosa indentificação de fatores de risco

22/05/2005

SOCERJ - Cobertura Especial - Desordem hipertensiva na gravidez exige rigorosa indentificação de fatores de risco

A hipertensão durante a gravidez é um evento relativamente freqüente mesmo em mulheres saudáveis. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), ela acomete de 5 a 10% das gestantes e sua taxa de mortalidade materna e fetal pode chegar a 20%. Uma das principas complicações desse quadro é a pré-eclâmpsia, caracterizada pela elevação da pressão associada à perda de proteína. O principal perigo é a doença evoluir para um quadro convulsivo (eclâmpsia) em que, muitas vezes, é necessário interromper a gestação. “O mais importante é identificar o mais cedo possível todos os fatores de risco, afirmou o cardiologista Alfredo Martins Sebastião, durante o 22º Congresso da SOCERJ (Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro), realizado no Riocentro.

Segundo ele, gestantes com mais de 40 anos, pressão acima de 130mmHg e Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 35, tem duas vezes mais chances de desenvolver pré-eclâmpsia. Mães de primeira viagem (nuliparidade), gemelaridade (gestação com gêmeos) e possuir algum parente com a doença representam três vezes mais chances de desenvolvê-la. Essa escalada da taxa de risco culmina no grupo de gestantes diabéticas com IMC maior que 35, cuja probabilidade de ter pré-eclâmpsia é quatro vezes superior à de mulheres saudáveis. “Torna-se óbvio que, sem um bom diagnóstico, é absolutamente impossível tratar bem a gestante”, afirmou.

Sebastião destacou a importância da pressão arterial na identificação desse quadro. “Sabe-se, por exemplo, que apenas 2% das mulheres com pressão arterial abaixo de 90mmHg desenvolvem pré-eclâmpsia, contra 34% naquelas em que a pressão passa desse valor”, exemplificou.

Tratamentos

Segundo Sebastião, antes de se definir o tratamento a ser adotado, deve-se ter consciência de que todo fármaco receitado à mulher também será absorvido pela criança. “Por isso eu considero totalmente proibido o uso de diuréticos BRA (bloqueadores dos receptores de angiotensina) e IECA (inibidores da enzima conversora da angiotensina)”, defendeu e reiterou que tais medicamentos podem causar malefícios irreversíveis ao feto. “Recentemente, atendi uma paciente no período final de gestação que utilizava 100mg de Captopril (IECA).

Com certeza o feto foi afetado de alguma maneira”, lamentou.

Na opinião do cardiologista, os melhores remédios ainda são os bloqueadores centrais, entre eles o metildopa. Ele citou como segunda opção os alfa e beta bloqueadores adrenérgicos, como a prazosina (alfa). “Os beta-bloqueadores adrenérgicos só podem ser utilizados se forem hipossolúveis, pois são menos absorvidos pelo feto”, afirmou. Sebastião recomendou ainda o labetalol (alfa-beta-bloqueador), que não é vendido no Brasil, mas pode ser importado e os inibidores de cálcio, como terceira opção, quando todas as anteriores falharam.

“Poderia ter citado também o nitroprussiato de sódio, em algumas gestantes utilizado como última opção quando nada surte efeito. Preferi não incluí-lo pois, em mais de quatro mil gestações, nunca precisei usá-lo”, ressaltou.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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