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Gravidez/Parto/Obstetrícia

Alimentação de adolescentes grávidas é inadequada

22/05/2005


Diante do fato de que durante a gestação há a necessidade de um cuidado nutricional maior, principalmente entre gestantes adolescentes por superposição das demandas nutricionais referentes ao crescimento da mãe e aquelas relacionadas com o desenvolvimento do feto, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal do Rio de Janeiro resolveram investigar o consumo alimentar de gestantes adolescentes. Para isto delimitaram em amostra os alimentos mais consumidos, a ingestão diária de energia, proteína, ferro, vitamina C, folato e cálcio, e a sua associação com a idade, com as condições sócio-econômicas e com o grau de conhecimento materno.

De acordo com artigo publicado, em 2004, no suplemento 1 dos Cadernos de Saúde Pública, participaram do estudo 1.180 adolescentes com idade entre 12 e 19 anos, no período compreendido entre julho de 1999 a março de 2001. As informações foram obtidas através de dois questionários, aplicados no pós-parto imediato; o primeiro constava de perguntas sobre as condições socioeconômicas, história reprodutiva e utilização de serviços de saúde; o segundo abordava as relações familiares, estilo de vida e a alimentação durante a gravidez.

Os pesquisadores constataram que as mães adolescentes tinham, durante a gravidez, um consumo freqüente de alimentos de origem animal, como o leite e o frango, e também de outros itens como refrigerantes, açúcar, salgadinhos e batata frita. Eles observaram também que, entre as mães com menos de 15 anos de idade, a freqüência do consumo de alimentos menos nutritivos foi maior do que entre aquelas com idade acima de 15 anos, o que pode estar relacionado a uma menor exposição à assistência pré-natal e à orientação nutricional. A equipe explica que “os resultados foram coerentes com as mudanças referidas no padrão da alimentação da população brasileira urbana nos últimos anos, destacando-se o aumento no consumo de carnes, laticínios, açúcar refinado e refrigerantes e a diminuição de legumes, verduras e frutas na dieta”.

O consumo de energia durante a gestação das mães entrevistadas foi inferior à ingestão recomendada, o que pode ser explicado, de acordo com os pesquisadores, pela sobreposição das demandas nutricionais da mãe e do bebê, pela adoção de estilos de vida e padrões de estética corporal que induzem a uma restrição alimentar e pelas condições socioeconômicas precárias.

Os níveis de ferro, folato e cálcio também foram insuficientes, apesar de as adolescentes ingerirem freqüentemente alimentos que contêm essas substâncias: “estes alimentos apesar de fazerem parte da dieta habitual das adolescentes grávidas, não são consumidos em quantidades suficientes para atender às suas necessidades dietéticas diárias”. Os riscos foram maiores, segundo a equipe, para as gestantes que moravam em domicílios com até três pessoas, que não receberam informações sobre dieta no pré-natal e que não modificaram sua alimentação durante a gestação.

Por isso, os pesquisadores ressaltam a importância da assistência pré-natal na aquisição de hábitos alimentares adequados à gestação e neste ciclo de vida, que podem ficar incorporados à vida adulta. “A falta de conhecimento sobre alimentação saudável pelas jovens grávidas reflete-se nas suas escolhas alimentares, que são influenciadas por fatores como o apetite aumentado, o ‘desejo’, o paladar acentuado, a conveniência e a disponibilidade do alimento e as influências culturais e familiares”, concluem no artigo.

Agência Notisa (jornalismo científico - scientific journalism)


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Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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